O que é grave
É muito mais grave do que parece, o episódio da suspensão de um professor na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) pela respectiva directora-geral, Margarida Moreira de seu nome, a pretexto de uma anedota sobre a licenciatura de José Sócrates contada particularmente pelo visado e transformada em «insulto» ao chefe do Governo pela directora da DREN, que para tal se baseou na denúncia de um bufo qualquer disfarçado de colega.
Perante as tentativas tão espúrias como ridículas do Governo e do PS a negar a evidência – a de que houve uma intolerável perseguição administrativa a um funcionário público por delito de opinião -, já pouco interessa concentrarmo-nos na criatura que utilizou o poder de Estado que o Governo lhe conferiu para «castigar» quem lhe pareceu estar a «ofender» o Primeiro-Ministro. Gente desta, cuja subserviência aos «chefes» os transforma em acossadores por conta própria, há-os sempre prontos a saltar em qualquer brecha totalitária, como bem se viu quando a Revolução de Abril desencovilou as imensas listas de bufos e colaboracionistas onde, na folha de pagamentos da PIDE, constavam os mais insuspeitos cidadãos.
Mais grave foi a cobertura oficial dada ao acto punitivo da senhora que, recorde-se, não apenas suspendeu o professor e o obrigou a regressar à escola de origem após 20 anos de destacamento na DREN (o que configura uma penalização antecipada, sem esperar o resultado do inquérito), como lhe instaurou um processo disciplinar e participou dele ao Ministério Público, o que só deve ocorrer perante um crime grave. Essa cobertura ficou patente na recusa da ministra e do Governo, já não em agir de imediato contra o despautério da directora da DREN, mas, sequer, em dar explicações ao País sob o pretexto de que «decorria um inquérito», o que, obviamente, também aponta o óbvio: o de que a zelosa funcionária não inventou este abuso de autoridade ainda por cima assente na delacção, antes se inspirou (se não foi mesmo instruída) na política ministerial que a tutela, onde pontifica a prepotência de uma ministra apostada no amesquinhamento da profissão docente e na degradação do ensino público.
Atrás de tudo isto perfila-se José Sócrates, o grande arquitecto desta teia de manipulação e medo que está a sufocar o País: utilizando a fundo os imensos recursos da máquina do Estado e da governação, alimenta por um lado uma legião de servidores e apaniguados, refreia e controla, por outro, uma infinidade de críticos e adversários onde muitos dependem de actos governativos, enquanto legisla para concentrar na sua mão o comando das polícias, manipula a imprensa e encena diariamente o espectáculo da propaganda, tudo apoiado numa gigantesca e oleada máquina de recolha e produção de informações.
Pelo meio, vai promovendo a delacção na máquina do Estado como boa prática social, empurra o funcionalismo público para o descrédito laboral, aperta a vigilância policial dos cidadãos, vai desarticulando os serviços sociais conquistados com Abril e insinua na sociedade o medo e a insegurança, que agora já atingem o elementar direito à livre expressão.
O episódio da DREN é um fruto acabado deste «estilo» Sócrates. E isso é que é mesmo grave.
Perante as tentativas tão espúrias como ridículas do Governo e do PS a negar a evidência – a de que houve uma intolerável perseguição administrativa a um funcionário público por delito de opinião -, já pouco interessa concentrarmo-nos na criatura que utilizou o poder de Estado que o Governo lhe conferiu para «castigar» quem lhe pareceu estar a «ofender» o Primeiro-Ministro. Gente desta, cuja subserviência aos «chefes» os transforma em acossadores por conta própria, há-os sempre prontos a saltar em qualquer brecha totalitária, como bem se viu quando a Revolução de Abril desencovilou as imensas listas de bufos e colaboracionistas onde, na folha de pagamentos da PIDE, constavam os mais insuspeitos cidadãos.
Mais grave foi a cobertura oficial dada ao acto punitivo da senhora que, recorde-se, não apenas suspendeu o professor e o obrigou a regressar à escola de origem após 20 anos de destacamento na DREN (o que configura uma penalização antecipada, sem esperar o resultado do inquérito), como lhe instaurou um processo disciplinar e participou dele ao Ministério Público, o que só deve ocorrer perante um crime grave. Essa cobertura ficou patente na recusa da ministra e do Governo, já não em agir de imediato contra o despautério da directora da DREN, mas, sequer, em dar explicações ao País sob o pretexto de que «decorria um inquérito», o que, obviamente, também aponta o óbvio: o de que a zelosa funcionária não inventou este abuso de autoridade ainda por cima assente na delacção, antes se inspirou (se não foi mesmo instruída) na política ministerial que a tutela, onde pontifica a prepotência de uma ministra apostada no amesquinhamento da profissão docente e na degradação do ensino público.
Atrás de tudo isto perfila-se José Sócrates, o grande arquitecto desta teia de manipulação e medo que está a sufocar o País: utilizando a fundo os imensos recursos da máquina do Estado e da governação, alimenta por um lado uma legião de servidores e apaniguados, refreia e controla, por outro, uma infinidade de críticos e adversários onde muitos dependem de actos governativos, enquanto legisla para concentrar na sua mão o comando das polícias, manipula a imprensa e encena diariamente o espectáculo da propaganda, tudo apoiado numa gigantesca e oleada máquina de recolha e produção de informações.
Pelo meio, vai promovendo a delacção na máquina do Estado como boa prática social, empurra o funcionalismo público para o descrédito laboral, aperta a vigilância policial dos cidadãos, vai desarticulando os serviços sociais conquistados com Abril e insinua na sociedade o medo e a insegurança, que agora já atingem o elementar direito à livre expressão.
O episódio da DREN é um fruto acabado deste «estilo» Sócrates. E isso é que é mesmo grave.