Propriedade das farmácias

Abrir as portas aos grandes grupos

Há o perigo da verticalização do sector

Foi apreciada na passada semana no Parlamento a proposta do Governo que liberaliza a propriedade das farmácias. A medida fora anunciada pelo primeiro-ministro, há perto de um ano, sendo então justificada, segundo as suas palavras, pela necessidade de pôr termo a «um regime de condicionamento reconhecidamente anacrónico, que perdurou tempo demais».
De acordo com o novo diploma, apresentado pelo Ministro da Saúde, qualquer pessoa, excepto profissionais de saúde prescritores de medicamento e associações representativas das farmácias e dos grossistas, poderá assumir a titularidade desde que não ultrapasse os quatro estabelecimentos.
A merecer a crítica da bancada comunista, compartilhada por todos os restantes partidos da oposição, esteve, no plano formal, o facto de o Governo ter optado por um pedido de alteração legislativa em vez de apresentar uma proposta de lei.
«O Governo deve ter medo do debate na especialidade», sugeriu Bernardino Soares, que, no plano substantivo, por outro lado, viu nesta medida uma forma de abrir caminho à entrada dos grandes grupos económicos no negócio das farmácias.
O líder parlamentar comunista demonstrou, igualmente, como se comprova pelo próprio discurso de Correia de Campos, que esta iniciativa do Executivo não visa resolver nenhum problema de saúde pública. «É uma singularidade jurídica» que o Governo diz que é preciso eliminar, mas que comporta perigos como o da «verticalização do sector» ao permitir que quem produz tenha também a distribuição e a venda a retalho.
O presidente da bancada comunista lembrou ainda que a maioria dos países reserva a propriedade aos farmacêuticos, alertando para o facto de nos países onde a mudança ocorreu ter havido uma má experiência, dado que ocorreram fenómenos de «grande concentração».


Mais artigos de: Assembleia da República

Respeitar a vontade popular

A ratificação de futuras alterações aos tratados europeus deve passar por um referendo, sustenta o PCP, ao contrário do que defendeu o Presidente da República em declarações proferidas na passada semana em Riga, na Letónia. Este afirmou que é contra a realização de um referendo em Portugal sobre a próxima revisão do...

Pôr termo à promiscuidade

A Assembleia da República aprovou, na generalidade, projectos de lei do PCP e do BE que alargam aos deputados regionais o regime de incompatibilidades vigente no continente. Impedir que os parlamentares tenham negócios com o governo é o objectivo central dos diplomas, que contaram com os votos favoráveis, para além dos...

Preocupação pelo futuro

É com legítima inquietação que os trabalhadores da Maconde encaram o seu futuro e o da empresa. Na origem do actual clima de insegurança na empresa estão notícias dando conta de declarações do seu responsável sobre alegadas negociações com três empresas chinesas para a subcontratação na produção de peças de...

Consciencializar para prevenir

O Parlamento aprovou, por unanimidade e aclamação, um projecto comum de combate à violência doméstica, nomeadamente contra mulheres. Inserido numa campanha europeia visando esse objectivo, este projecto conjunto pretende «avaliar o enquadramento jurídico» existente no nosso País «relativo à violência doméstica, com o...