A advertência
Esta semana, finalmente, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior decidiu tomar uma atitude perante a escandaleira que há um mês galopa na Universidade Independente: produziu uma «advertência formal» à Sides – empresa instituidora desta universidade privada – avisando-a que ou repõe a «normalidade institucional e académica» ou fecha.
Os jornais interpretaram com presteza o acto, publicando que «Mariano Gago dá mais uma oportunidade à Independente». Quanto a nós, a «advertência» do ministro lembra-nos também a frase de Lampedusa no Leopardo, quando diz ser preciso «mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma».
Na verdade, o paradoxo desta «advertência» é que, mau grado a aparente imposição contida na ameaça de fecho da Independente, não se estabelece um único prazo ou se aponta o mais vago calendário para a tal reposição da «normalidade institucional e académica», o que embaraça inevitavelmente a credibilidade do acto.
Não será por acaso que o resultado imediato e visível da «advertência» tenha sido o cancelamento de uma manifestação dos estudantes da instituição que, no meio da inevitável desorientação em que se encontram, decidiram assim apostar na boa vontade do ministro, cujo até lhes terá garantido que os alunos seriam transferidos para outras escolas caso a Independente fosse mesmo fechada.
O certo é que o escândalo rebentou há um mês e, de lá para cá, tem evoluído como bola de neve em avalanche.
Tudo começou com uma briga entre o reitor, Luís Arouca, e o vice-reitor, Rui Verde, com o primeiro a demitir e a expulsar o segundo, de cambulhada com vários dirigentes e professores, ao mesmo tempo que cancelava o normal funcionamento das aulas durante uma semana. Rui Verde – que até ali fora uma espécie de delfim de Arouca e o homem das finanças da instituição – contra-ataca com um assalto à direcção da Sides, demitindo por sua vez o reitor e nomeando um novo conselho reitoral, coisa que Luís Arouca não aceita, pelo que não reconhece a nova equipa e mantém-se no lugar, o que conduziu à extraordinária situação de passar a haver na Universidade Independente duas direcções e dois corpos docentes, com ambas a reivindicar legitimidade e a acusar a outra de «ilegal», tudo isto com corpos de segurança privados à bulha, piquetes da polícia a restabelecer alguma ordem e suspeitas e acusações de branqueamento de capitais e tráfico de diamantes na instituição, desembocando-se na prisão preventiva de Rui Verde no quadro de investigações levadas a cabo pela Polícia Judiciária e, à hora a que escrevemos, na detenção para averiguações do próprio reitor Luís Arouca e na audição, como testemunhas, de mais dois administradores da Sides.
Recordamos que a Universidade Independente é a tal onde o Primeiro-Ministro José Sócrates diz ter terminado a licenciatura, num processo nebuloso onde, na altura, trocava correspondência com o próprio Luís Arouca em papel timbrado da secretaria de Estado de que era titular num governo de Guterres, para obter equivalências em diversas disciplinas.
Esperemos que isso nada tenha a ver com o alheamento que o ministro Mariano Gago aparentemente usou com o assunto, limitando-se a ordenar à inspecção-geral da tutela para que desencadeasse «investigações no terreno», enquanto, durante um mês, se desenrolava esta vergonhosa barafunda em mais uma universidade privada.
Daí o País estar particularmente atento ao que, de concreto, vai resultar da «advertência» esta semana lançada por Mariano Gago à Universidade Independente.
Os jornais interpretaram com presteza o acto, publicando que «Mariano Gago dá mais uma oportunidade à Independente». Quanto a nós, a «advertência» do ministro lembra-nos também a frase de Lampedusa no Leopardo, quando diz ser preciso «mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma».
Na verdade, o paradoxo desta «advertência» é que, mau grado a aparente imposição contida na ameaça de fecho da Independente, não se estabelece um único prazo ou se aponta o mais vago calendário para a tal reposição da «normalidade institucional e académica», o que embaraça inevitavelmente a credibilidade do acto.
Não será por acaso que o resultado imediato e visível da «advertência» tenha sido o cancelamento de uma manifestação dos estudantes da instituição que, no meio da inevitável desorientação em que se encontram, decidiram assim apostar na boa vontade do ministro, cujo até lhes terá garantido que os alunos seriam transferidos para outras escolas caso a Independente fosse mesmo fechada.
O certo é que o escândalo rebentou há um mês e, de lá para cá, tem evoluído como bola de neve em avalanche.
Tudo começou com uma briga entre o reitor, Luís Arouca, e o vice-reitor, Rui Verde, com o primeiro a demitir e a expulsar o segundo, de cambulhada com vários dirigentes e professores, ao mesmo tempo que cancelava o normal funcionamento das aulas durante uma semana. Rui Verde – que até ali fora uma espécie de delfim de Arouca e o homem das finanças da instituição – contra-ataca com um assalto à direcção da Sides, demitindo por sua vez o reitor e nomeando um novo conselho reitoral, coisa que Luís Arouca não aceita, pelo que não reconhece a nova equipa e mantém-se no lugar, o que conduziu à extraordinária situação de passar a haver na Universidade Independente duas direcções e dois corpos docentes, com ambas a reivindicar legitimidade e a acusar a outra de «ilegal», tudo isto com corpos de segurança privados à bulha, piquetes da polícia a restabelecer alguma ordem e suspeitas e acusações de branqueamento de capitais e tráfico de diamantes na instituição, desembocando-se na prisão preventiva de Rui Verde no quadro de investigações levadas a cabo pela Polícia Judiciária e, à hora a que escrevemos, na detenção para averiguações do próprio reitor Luís Arouca e na audição, como testemunhas, de mais dois administradores da Sides.
Recordamos que a Universidade Independente é a tal onde o Primeiro-Ministro José Sócrates diz ter terminado a licenciatura, num processo nebuloso onde, na altura, trocava correspondência com o próprio Luís Arouca em papel timbrado da secretaria de Estado de que era titular num governo de Guterres, para obter equivalências em diversas disciplinas.
Esperemos que isso nada tenha a ver com o alheamento que o ministro Mariano Gago aparentemente usou com o assunto, limitando-se a ordenar à inspecção-geral da tutela para que desencadeasse «investigações no terreno», enquanto, durante um mês, se desenrolava esta vergonhosa barafunda em mais uma universidade privada.
Daí o País estar particularmente atento ao que, de concreto, vai resultar da «advertência» esta semana lançada por Mariano Gago à Universidade Independente.