Incidente Royal
O Irão é acusado de, a 23 de Março, ter preso sem nenhum motivo 15 militares britânicos da Royal Navy. O caso, ainda em desenvolvimento no encerramento desta edição, poderá ter como consequência algo muito mais grave do que a escalada do preço do petróleo.
Com a mesma veemência com que garantiu aos britânicos dispor de provas irrefutáveis da existência de armas de destruição maciça no Iraque, Tony Blair afirmou no domingo, em Berlim, que «simplesmente não é verdade que eles [os militares da Royal Navy] entraram em águas territoriais iranianas» e esperar que o governo iraniano «entenda quão fundamental» é para os britânicos uma «questão como esta».
Diferente é a versão iraniana que, segundo a imprensa local, diz dispor de registos de «dados geográficos» dos navios apresados, os quais confirmariam que os militares britânicos «entraram conscientemente nas águas territoriais iranianas e ali permaneceram», o que motivou a sua prisão.
A questão óbvia que se coloca é a de saber quem «ganha» com este incidente. O Irão não será certamente, pressionado como está a ser pelos EUA via Conselho de Segurança, já que é pouco plausível que possa retirar outros dividendos deste imbróglio que não um aumento da tensão, da pressão e das crescentes ameaças que lhe são feitas.
Já no respeitante à Grã-Bretanha, conhecida como aliada incondicional dos EUA, o caso muda de figura, pois não é absurdo admitir que se tenha prestado a levar a cabo uma provocação que sirva de pretexto ao objectivo de «legitimar» um ataque ao Irão.
A hipótese está há muito em aberto e é reconhecida por destacadas figuras da política norte-americana, como Zbigniew Brzezinski, antigo conselheiro de Segurança Nacional, que a 1 de Fevereiro último, numa audição no Comité de Relações Externas do Senado, admitiu como «cenário plausível para um ataque ao Irão» uma «provocação no Iraque ou um acto terrorista nos EUA» de que o Irão seria acusado. A generalidade dos média, curiosamente, não se interessou pelo depoimento, apesar da sua gravidade.
Blair ameaça que o processo para a libertação dos militares entrará numa «nova fase» caso fracassem os esforços diplomáticos. É muita coincidência junta para ser só coincidência.
Com a mesma veemência com que garantiu aos britânicos dispor de provas irrefutáveis da existência de armas de destruição maciça no Iraque, Tony Blair afirmou no domingo, em Berlim, que «simplesmente não é verdade que eles [os militares da Royal Navy] entraram em águas territoriais iranianas» e esperar que o governo iraniano «entenda quão fundamental» é para os britânicos uma «questão como esta».
Diferente é a versão iraniana que, segundo a imprensa local, diz dispor de registos de «dados geográficos» dos navios apresados, os quais confirmariam que os militares britânicos «entraram conscientemente nas águas territoriais iranianas e ali permaneceram», o que motivou a sua prisão.
A questão óbvia que se coloca é a de saber quem «ganha» com este incidente. O Irão não será certamente, pressionado como está a ser pelos EUA via Conselho de Segurança, já que é pouco plausível que possa retirar outros dividendos deste imbróglio que não um aumento da tensão, da pressão e das crescentes ameaças que lhe são feitas.
Já no respeitante à Grã-Bretanha, conhecida como aliada incondicional dos EUA, o caso muda de figura, pois não é absurdo admitir que se tenha prestado a levar a cabo uma provocação que sirva de pretexto ao objectivo de «legitimar» um ataque ao Irão.
A hipótese está há muito em aberto e é reconhecida por destacadas figuras da política norte-americana, como Zbigniew Brzezinski, antigo conselheiro de Segurança Nacional, que a 1 de Fevereiro último, numa audição no Comité de Relações Externas do Senado, admitiu como «cenário plausível para um ataque ao Irão» uma «provocação no Iraque ou um acto terrorista nos EUA» de que o Irão seria acusado. A generalidade dos média, curiosamente, não se interessou pelo depoimento, apesar da sua gravidade.
Blair ameaça que o processo para a libertação dos militares entrará numa «nova fase» caso fracassem os esforços diplomáticos. É muita coincidência junta para ser só coincidência.