Nova lei do Conselho das Comunidades

Representação desvalorizada

O PS aprovou, sozinho, na generalidade, faz hoje uma semana, a proposta de lei sobre o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), o órgão de consulta do Governo para a emigração.

Governo desvaloriza o Conselho das Comunidades

O diploma teve os votos contra do PSD, PCP, BE e «Os Verdes», optando o CDS/PP pela abstenção.
Rejeitados foram, por sua vez, com os votos negativos do PS, os diplomas sobre a mesma matéria apresentados pelas bancadas comunista e «laranja».
Actualmente o CCP é composto por 100 conselheiros espalhados pelo mundo, divididos em secções regionais e locais, sob a tutela de um Conselho Permanente constituído por 15 membros. Os conselheiros são eleitos por sufrágio universal directo para um mandato de quatro anos.
A proposta de lei do governo propõe que o CCP passe a ser composto por 73 conselheiros, dos quais 63 são eleitos e 10 são representantes dos conselhos das comunidades açorianas e madeirenses, dos luso-eleitos nos países de acolhimento e do movimento associativo português no estrangeiro.
De acordo com a proposta de lei, os conselheiros passarão a ter um estatuto próprio, que define um conjunto de deveres, direitos e incompatibilidades.
O projecto de lei do PSD, por seu lado, propunha a transferência da tutela política do CCP para a Assembleia da República, passando aquele a ser um órgão de consulta do Parlamento para as questões da emigração.

Menor representatividade

Criticado pela bancada comunista nos diplomas do Governo e do PSD foi o facto de ambos apontarem para a desvalorização do Conselho das Comunidades em termos da sua representatividade das nossas comunidades emigrantes. O projecto de lei social-democrata previa, por exemplo, que 20 do total de 80 conselheiros que em sua opinião devem compor o CCP fossem eleitos pela Assembleia da República, partidarizando e diminuindo assim a representatividade dos emigrantes.
Verberado pelo líder parlamentar comunista no diploma governamental foi ainda o que o considerou ser o papel excessivo atribuído à tutela no funcionamento do Conselho das Comunidades.
Mas a principal crítica da bancada do PCP ao diploma governamental foi dirigida para a lógica nele subjacente
de pretender acabar com o nível regional, ainda que mantendo o plenário que cobre a totalidade do universo dos emigrantes.

Lógica de proximidade

A isto contrapôs o Grupo comunista, através do seu projecto de lei, uma filosofia assente na participação dos representantes do emigrantes aos variados níveis, ou seja, na organização de quatro órgãos representativos, a saber: as Comissões Consulares, os Conselhos de País, o Conselho Mundial e o Conselho Permanente.
Bernardino Soares colocou ainda a necessidade de ter em conta o aumento da emigração portuguesa, sobretudo para a Europa, enquanto a deputada Helena Pinto (BE) não regateou apoio ao diploma comunista, considerando-o como o que melhor «corresponde à política de proximidade» que deve existir entre os nossos compatriotas emigrantes e Portugal.
No debate, o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, assegurou que as próximas eleições do CCP serão já realizadas sob o signo da nova lei.


Mais artigos de: Assembleia da República

Governo por mau caminho

O PCP considerou «muito graves» as afirmações do Ministro da Defesa anunciando a intenção do Governo de alterar o Regulamento de Disciplina Militar para evitar que os tribunais civis interfiram nesta matéria.

Desprezo pelos emigrantes

Muito mal recebida pelos nossos emigrantes, a reestruturação consular aprovada pelo Conselho de Ministro foi igualmente alvo de críticas no Parlamento.Este é um plano economicista e que vai afastar as comunidades do País, considerou o deputado Jorge Machado, antes de partir para Paris onde participou na grandiosa...

Defesa do consumidor ou propaganda?

Foi aprovado pelo Parlamento um projecto de lei do PS que alarga os serviços públicos essenciais e proíbe a cobrança pelos contadores da água, electricidade e gás. Para o PCP, que se absteve, não é líquido que a medida venha a ter os efeitos positivos sobre «o bolso dos consumidores» que os seus autores anunciam, podendo...

Vida dos jovens mais difícil

O deputado comunista Miguel Tiago acusou o Governo de querer acabar com o programa de apoio ao arrendamento jovem. Lembrado foi o corte em 50 por cento das verbas destinadas este ano para esse efeito, em comparação com o que foi gasto em 2006.Falando na sessão de perguntas ao Governo realizada faz amanhã oito dias,...

Melhorar dispositivos

Foram aprovadas na generalidade, baixando à comissão, as iniciativas legislativas relativas à alteração ao Código do Processo Penal. Um desses diplomas tem a chancela da bancada comunista, para quem a resposta aos problemas estruturais do sistema de justiça – por terem a ver com a aguda crise social em que o País vive,...