Paridade salarial no Reino Unido

Nivelamento por baixo

A pretexto de acabar com as disparidades salariais entre homens e mulheres na administração pública, o Governo de Tony Blair pretende impor, já a partir de 1 de Abril, reduções nos vencimentos dos funcionários masculinos que podem atingir os 40 por cento.
A surpreendente notícia foi publicada, na segunda-feira, 12, pelo jornal The Times, que explica tratar-se de uma medida acordada com os sindicatos em 2004 e que serviu de base para a elaboração da lei da equiparação salarial.
O diploma foi preparado para travar a vaga de acções judiciais individuais apresentadas por funcionárias contra autarquias e diferentes ministérios, que foram condenados a pagar avultadas indemnizações pela prática de discriminação salarial.
De resto, entre os 25 países da União Europeia, o Reino Unido é um dos que apresenta maiores desigualdades salariais, que penalizam gravemente as mulheres, cujos vencimentos são em média 30 por cento inferiores aos dos homens.
Afirmando querer acabar de vez com estas discriminações, o governo trabalhista anunciou que os vencimentos das cerca de 700 mil funcionárias da administração local serão equiparados aos dos homens, tendo ainda direito a retroactivos relativos aos seis últimos anos.
Contudo, a melhoria é ilusória uma vez que resulta, em grande parte, da diminuição dos salários dos funcionários masculinos, que correm o risco de perder entre 15 e 40 por cento da sua remuneração mensal, consoante os montantes auferidos.
Noutros sectores da administração pública, como é o caso da Segurança Social, o governo prevê congelar os salários de 50 mil funcionários masculinos durante os próximos três ou quatro anos, até que os vencimentos femininos alcancem o seu actual nível.
Apesar de não haver nenhum dispositivo legal que impeça o executivo trabalhista de reduzir salários, a polémica lei está a provocar uma profunda revolta entre os funcionários públicos e os sindicatos mostram-se já dão sinais de alarme.
O T&G (Transport and General Workers' Union), o maior sindicato do país, avisa que vem aí uma maré de greves e protestos sem precedentes e aconselha agora o governo a assumir os custos da equiparação salarial, abstendo-se de os reflectir sobre os funcionários.


Mais artigos de: Europa

Partilhar o poder

Nove anos após os acordos de paz, os irlandeses reforçaram o apoio eleitoral dos dois principais partidos – o Sinn Fein (republicano e católico) e o Partido Unionista Democrático (DUP, protestante).

Obsessão revanchista

A direita polaca, no poder, lançou uma nova ofensiva anticomunista para branquear o fascismo e a apagar o nome dos que o combateram sacrificando a própria vida.

Dois meses de greves contra reforma educativa

O parlamento grego aprovou na semana passada, dia 8, o contestado projecto de reforma da educação, contra o qual, estudantes e professores estão em luta há mais de dois meses.O dia da votação ficou marcado por uma poderosa manifestação, em Atenas, com mais de 20 mil jovens de todo o país. Já frente à assembleia dos...

A Primavera do capital

Com os olhos postos na declaração de Berlim do próximo dia 25 de Marco (no 50. Aniversário do Tratado de Roma que instituiu a Comunidade Económica Europeia), realizou-se a 8 e 9 de Março o chamado Conselho Europeu da Primavera. Da agenda da cimeira constava, como tema principal, a Estratégia de Lisboa, ou seja,...