Caminho indispensável e possível
Nesta edição do Avante! é-nos contado o processo de criação de um colectivo de jovens comunistas numa empresa onde, até à altura, não existia um só militante do Partido.
A organização de um núcleo de comunistas numa empresa deveria ser vista como coisa normal
À primeira vista, este não seria tema a exigir abordagem circunstanciada: em democracia, a criação e organização de um núcleo de comunistas (ou de membros de qualquer outro partido), deveria ser vista como coisa normal e não constituir assunto digno de realce especial. No entanto, lendo o texto acima referido facilmente nos apercebemos de que as coisas não são exactamente assim, muito longe disso, e que a democracia em que vivemos integra, já, espaços onde a ausência de liberdades fundamentais é que passou a ser normal.
Com efeito, este relato dos passos dados, dos métodos utilizados, dos caminhos seguidos para alcançar o objectivo de construir um colectivo de jovens comunistas numa dada empresa, é bem elucidativo do tempo que vivemos e do conteúdo da democracia reinante. Em vários sentidos: é elucidativo do estado a que chegou a democracia em Portugal, por efeito das machadadas desferidas contra o conteúdo do regime democrático de Abril ao longo de mais de três décadas de política de direita; é elucidativo do poder de que dispõe e da impunidade total de que goza o grande capital, ao serviço exclusivo do qual têm funcionado os sucessivos governos PS e PSD (com o CDS/PP atrelado, quando disso têm necessidade); é elucidativo das semelhanças com o antigamente que têm vindo a ser introduzidas no nosso quotidiano por essa política e por esses governos.
Semelhanças com o passado de má memória
De tal forma assim é que, com ligeiras alterações – ligeiríssimas alterações, sublinhe-se - este relato podia reportar-se à criação de uma célula comunista no tempo do fascismo: ali encontramos os mesmos cuidados conspirativos desse tempo; os mesmos métodos para iludir a vigilância de que são alvo os seus protagonistas (até com o velho recurso a desviar a conversa para o futebol…); a mesma necessidade sentida de defender os novos militantes da sanha repressiva dos que os exploram e oprimem. E também a mesma determinação por parte dos militantes comunistas, neste caso jovens comunistas, em assumir os riscos necessários, em vencer barreiras e obstáculos, em prosseguir no objectivo de ligar o Partido às massas trabalhadoras, em tirar de cada experiência concreta os devidos ensinamentos, sabido que é não haver receitas acabadas para nada em matéria de trabalho revolucionário - com a consciência da importância decisiva da criação de organizações de comunistas em empresas e locais de trabalho, condição essencial para a defesa organizada dos direitos, interesses e anseios dos trabalhadores, que o mesmo é dizer para a defesa da democracia. E, ainda, com a consciência de que «onde há JCP, há Partido».
Tudo isto espelha liminarmente o conteúdo de classe e os objectivos da política de direita: uma política ao serviço dos interesses do grande capital e, portanto, contrária aos interesses de quem trabalha e vive do seu trabalho; uma política de violação constante dos direitos dos trabalhadores conquistados com a revolução de Abril e consagrados na Constituição; uma política cada vez mais afastada dos valores e princípios da democracia em todas as suas vertentes; uma política de desrespeito pela independência e pela soberania nacional - uma política que, por tudo isso, assume crescentes contornos antidemocráticos e da qual emergem iniludíveis sinais do passado fascista. E basta olhar para as leis laborais e para a chamada reforma do sistema político – designadamente para leis como as dos partidos e do seu financiamento – para termos a noção da dimensão e da gravidade da ofensiva em curso contra o regime democrático.
Pelo que, lutar contra esta política, derrotá-la e substitui-la por uma política de esquerda, constitui o nosso objectivo maior nos tempos actuais. E para o alcançar, o reforço da ligação do Partido aos trabalhadores é caminho indispensável. E possível: como vemos pelo exemplo dos jovens comunistas aqui relatado.
Com efeito, este relato dos passos dados, dos métodos utilizados, dos caminhos seguidos para alcançar o objectivo de construir um colectivo de jovens comunistas numa dada empresa, é bem elucidativo do tempo que vivemos e do conteúdo da democracia reinante. Em vários sentidos: é elucidativo do estado a que chegou a democracia em Portugal, por efeito das machadadas desferidas contra o conteúdo do regime democrático de Abril ao longo de mais de três décadas de política de direita; é elucidativo do poder de que dispõe e da impunidade total de que goza o grande capital, ao serviço exclusivo do qual têm funcionado os sucessivos governos PS e PSD (com o CDS/PP atrelado, quando disso têm necessidade); é elucidativo das semelhanças com o antigamente que têm vindo a ser introduzidas no nosso quotidiano por essa política e por esses governos.
Semelhanças com o passado de má memória
De tal forma assim é que, com ligeiras alterações – ligeiríssimas alterações, sublinhe-se - este relato podia reportar-se à criação de uma célula comunista no tempo do fascismo: ali encontramos os mesmos cuidados conspirativos desse tempo; os mesmos métodos para iludir a vigilância de que são alvo os seus protagonistas (até com o velho recurso a desviar a conversa para o futebol…); a mesma necessidade sentida de defender os novos militantes da sanha repressiva dos que os exploram e oprimem. E também a mesma determinação por parte dos militantes comunistas, neste caso jovens comunistas, em assumir os riscos necessários, em vencer barreiras e obstáculos, em prosseguir no objectivo de ligar o Partido às massas trabalhadoras, em tirar de cada experiência concreta os devidos ensinamentos, sabido que é não haver receitas acabadas para nada em matéria de trabalho revolucionário - com a consciência da importância decisiva da criação de organizações de comunistas em empresas e locais de trabalho, condição essencial para a defesa organizada dos direitos, interesses e anseios dos trabalhadores, que o mesmo é dizer para a defesa da democracia. E, ainda, com a consciência de que «onde há JCP, há Partido».
Tudo isto espelha liminarmente o conteúdo de classe e os objectivos da política de direita: uma política ao serviço dos interesses do grande capital e, portanto, contrária aos interesses de quem trabalha e vive do seu trabalho; uma política de violação constante dos direitos dos trabalhadores conquistados com a revolução de Abril e consagrados na Constituição; uma política cada vez mais afastada dos valores e princípios da democracia em todas as suas vertentes; uma política de desrespeito pela independência e pela soberania nacional - uma política que, por tudo isso, assume crescentes contornos antidemocráticos e da qual emergem iniludíveis sinais do passado fascista. E basta olhar para as leis laborais e para a chamada reforma do sistema político – designadamente para leis como as dos partidos e do seu financiamento – para termos a noção da dimensão e da gravidade da ofensiva em curso contra o regime democrático.
Pelo que, lutar contra esta política, derrotá-la e substitui-la por uma política de esquerda, constitui o nosso objectivo maior nos tempos actuais. E para o alcançar, o reforço da ligação do Partido aos trabalhadores é caminho indispensável. E possível: como vemos pelo exemplo dos jovens comunistas aqui relatado.