O desastre
Em apenas cinco anos, a direita instalou o caos na Câmara Municipal de Lisboa: abriu buracos insolúveis na cidade com a dimensão do pesadelo do túnel do Marquês, endividou astronomicamente o município (já se fala num aumento da dívida na ordem de umas alucinantes dez vezes mais...), desarticulou o vasto e consistente trabalho instalado em 12 anos pela coligação de esquerda em áreas fulcrais e diversificadas e, como se não bastasse, atolou a capital num pântano de negociatas e corrupções de tal ordem que, no caso Parque Mayer/Feira Popular, transformou literalmente a actual gestão camarária num caso de polícia, com buscas da Judiciária, a constituição de vereadores em arguidos e a instauração de um processo de corrupção.
Pela sua gravidade e dimensão, o caso Parque Mayer/Feira Popular impõe-se na opinião pública e, sobretudo, desencadeia consequências tão inevitáveis como desastrosas para a equipa de Carmona Rodrigues.
O caso desenrola-se entre o executivo camarário do PSD (aliado ao PP) com a BragaParques, uma empresa de construção de Braga que, na última década, se foi notabilizando e crescendo com negócios e projectos também crescentemente envolvidos em polémicas e suspeitas, e começou logo que a equipa de Santana Lopes se instalou nos Paços do Concelho lisboeta, altura em que se envolveu numa barafunda que pretendia, de uma assentada, «recuperar» o Parque Mayer e nele instalar um casino, com a BragaParques já pelo meio, como «interessada» no negócio. Os vereadores do PCP na câmara de Lisboa denunciaram formalmente todo o processo, que acusaram de estar eivado de ilegalidades (com participações ao Ministério Público, ao IGAT e ao Tribunal Central Administrativo), o que conduziu à anulação destes projectos e ao lançamento da segunda parte da «operação», que se consumaria em 1 de Março de 2005 (já com Carmona na presidência), através da aprovação na AML de uma «permuta de terrenos» entre a Câmara e a BragaParques envolvendo o Parque Mayer e a Feira Popular em Entre-Campos, com esta última empresa a ganhar muitos milhões no negócio pela simples valorização artificial do Parque e concomitante desvalorização da Feira, tudo isto, sublinhe-se, graças aos votos favoráveis do PS e do Bloco de Esquerda, que assim viabilizaram a tranquibérnia, e os votos contra do PCP e do PEV. A machadada final surgiu quatro meses depois com a adjudicação à BragaParques, em hasta pública, da parte sobrante dos terrenos municipais da Feira sob invocação de um suposto «direito de preferência», desembocando tudo isto na actual investigação da Judiciária, instauração de um processo por suspeitas de corrupção, constituição em arguida da vereadora do Urbanismo, que na sequência se viu compelida a suspender o mandato, e ameaças de acontecer o mesmo ao vice-presidente.
Isto para não falar de outros desastres, como as alterações simplificadas ao PDM (também com os votos do PS), que abriram caminho à especulação imobiliária em toda a cidade, as operações urbanísticas em Alcântara, Boavista, Vale de Santo António ou em torno dos Estádios do Benfica e do Sporting, a falta de plano nas Olaias ou o pesadelo do Túnel do Marquês.
Notoriamente, o executivo liderado por Carmona Rodrigues está em maus-lençóis. Mas muito pior está Lisboa, e isso é que é realmente grave.
Pela sua gravidade e dimensão, o caso Parque Mayer/Feira Popular impõe-se na opinião pública e, sobretudo, desencadeia consequências tão inevitáveis como desastrosas para a equipa de Carmona Rodrigues.
O caso desenrola-se entre o executivo camarário do PSD (aliado ao PP) com a BragaParques, uma empresa de construção de Braga que, na última década, se foi notabilizando e crescendo com negócios e projectos também crescentemente envolvidos em polémicas e suspeitas, e começou logo que a equipa de Santana Lopes se instalou nos Paços do Concelho lisboeta, altura em que se envolveu numa barafunda que pretendia, de uma assentada, «recuperar» o Parque Mayer e nele instalar um casino, com a BragaParques já pelo meio, como «interessada» no negócio. Os vereadores do PCP na câmara de Lisboa denunciaram formalmente todo o processo, que acusaram de estar eivado de ilegalidades (com participações ao Ministério Público, ao IGAT e ao Tribunal Central Administrativo), o que conduziu à anulação destes projectos e ao lançamento da segunda parte da «operação», que se consumaria em 1 de Março de 2005 (já com Carmona na presidência), através da aprovação na AML de uma «permuta de terrenos» entre a Câmara e a BragaParques envolvendo o Parque Mayer e a Feira Popular em Entre-Campos, com esta última empresa a ganhar muitos milhões no negócio pela simples valorização artificial do Parque e concomitante desvalorização da Feira, tudo isto, sublinhe-se, graças aos votos favoráveis do PS e do Bloco de Esquerda, que assim viabilizaram a tranquibérnia, e os votos contra do PCP e do PEV. A machadada final surgiu quatro meses depois com a adjudicação à BragaParques, em hasta pública, da parte sobrante dos terrenos municipais da Feira sob invocação de um suposto «direito de preferência», desembocando tudo isto na actual investigação da Judiciária, instauração de um processo por suspeitas de corrupção, constituição em arguida da vereadora do Urbanismo, que na sequência se viu compelida a suspender o mandato, e ameaças de acontecer o mesmo ao vice-presidente.
Isto para não falar de outros desastres, como as alterações simplificadas ao PDM (também com os votos do PS), que abriram caminho à especulação imobiliária em toda a cidade, as operações urbanísticas em Alcântara, Boavista, Vale de Santo António ou em torno dos Estádios do Benfica e do Sporting, a falta de plano nas Olaias ou o pesadelo do Túnel do Marquês.
Notoriamente, o executivo liderado por Carmona Rodrigues está em maus-lençóis. Mas muito pior está Lisboa, e isso é que é realmente grave.