O Natal
Já se sabe que em época de Natal se multiplicam os apelos ao consumo. Cada vez mais cedo se montam as iluminações de Natal nas ruas, se repetem os anúncios dos brinquedos irresistíveis e das iguarias da época. E cada vez mais cedo se começam a incluir nos noticiários reportagens sobre «os que não têm Natal»: ou porque trabalham, ou porque a pobreza os empurrou para uma terrível exclusão de miséria, fome e solidão.
Já se sabe que se procura transformar a época das Festas e a vontade genuína de estar com a família e os amigos num lucrativo negócio. O que este ano se tornou mais difícil foi esconder as dificuldades por que passam os portugueses: mesmo para quem não as sinta, bastaria abrir os olhos e passear na rua, vendo as ginásticas que são necessárias para pôr na mesa e debaixo da árvore aquilo que se espera que alegre as pessoas de quem se gosta.
Sintomáticas desta dificuldade de esconder a crise foram também as campanhas que os meios de comunicação social escolheram lançar. Multiplicaram-se os programas especial-Natal: do clássico Natal dos Hospitais (a que nem faltaram o ministro da Saúde e Maria Cavaco Silva, podia lá ser!) a adaptações de tudo e mais alguma coisa. A “maratona” do Dança Comigo da RTP foi dedicada à recolha de fundos para a pediatria do Instituto Português de Oncologia de Lisboa e para o Fundo de Apoio à População das Nações Unidas. A Rádio Renascença abriu uma conta para que os ouvintes depositassem dinheiro para comprar enxovais às famílias pobres. Na TVI, O Você na TV fez outra «maratona» para recolher mantas, e no Canta por Mim mais ou menos famosos cantaram para «ajudar» a resolver dramas da pobreza do nosso país. A RTP promoveu um almoço para os sem-abrigo da cidade. E por aí fora.
O objectivo destes programas é mais largo do que as audiências que consigam nestes dias. O objectivo maior é levar a pensar que afinal a vida não está tão má como isso, que há gente em situação muito pior e que mais vale agradecer o que temos. É levar-nos a pensar que centenas de milhares de chamadas de valor acrescentado podem substituir as verbas que os sucessivos Governos cortaram aos hospitais. É fazer com que se interiorize a ideia de que a solução para uma vida melhor vem num cabaz entregue por uma estrela da televisão, ou no Euro-milhões, ou num golpe de sorte semelhante. Quando o que a vida nos mostra todos os dias é que a realização dos sonhos se constrói hoje, na luta.
Já se sabe que se procura transformar a época das Festas e a vontade genuína de estar com a família e os amigos num lucrativo negócio. O que este ano se tornou mais difícil foi esconder as dificuldades por que passam os portugueses: mesmo para quem não as sinta, bastaria abrir os olhos e passear na rua, vendo as ginásticas que são necessárias para pôr na mesa e debaixo da árvore aquilo que se espera que alegre as pessoas de quem se gosta.
Sintomáticas desta dificuldade de esconder a crise foram também as campanhas que os meios de comunicação social escolheram lançar. Multiplicaram-se os programas especial-Natal: do clássico Natal dos Hospitais (a que nem faltaram o ministro da Saúde e Maria Cavaco Silva, podia lá ser!) a adaptações de tudo e mais alguma coisa. A “maratona” do Dança Comigo da RTP foi dedicada à recolha de fundos para a pediatria do Instituto Português de Oncologia de Lisboa e para o Fundo de Apoio à População das Nações Unidas. A Rádio Renascença abriu uma conta para que os ouvintes depositassem dinheiro para comprar enxovais às famílias pobres. Na TVI, O Você na TV fez outra «maratona» para recolher mantas, e no Canta por Mim mais ou menos famosos cantaram para «ajudar» a resolver dramas da pobreza do nosso país. A RTP promoveu um almoço para os sem-abrigo da cidade. E por aí fora.
O objectivo destes programas é mais largo do que as audiências que consigam nestes dias. O objectivo maior é levar a pensar que afinal a vida não está tão má como isso, que há gente em situação muito pior e que mais vale agradecer o que temos. É levar-nos a pensar que centenas de milhares de chamadas de valor acrescentado podem substituir as verbas que os sucessivos Governos cortaram aos hospitais. É fazer com que se interiorize a ideia de que a solução para uma vida melhor vem num cabaz entregue por uma estrela da televisão, ou no Euro-milhões, ou num golpe de sorte semelhante. Quando o que a vida nos mostra todos os dias é que a realização dos sonhos se constrói hoje, na luta.