Solidariedade pelo emprego
Cerca de 25 mil pessoas manifestaram-se no sábado, 2, em Bruxelas, expressando solidariedade e apoio aos operários da fábrica da Volkswagen e exigindo uma Europa socialmente mais justa.
A luta dos trabalhadores já obrigou a VW a recuar parcialmente
No protesto, convocado uma semana antes pelo conjunto dos sindicatos da fábrica da VW de Bruxelas, no qual o PCP se fez representar, integraram-se delegações de vários países europeus que se deslocaram à capital belga para condenar a transferência da produção para a Alemanha e os despedimentos maciços anunciados no dia 21 pela direcção da multinacional alemã.
Inicialmente, a VW comunicou a decisão de suprimir quatro mil dos cerca de 5500 empregos directos até agora garantidos pela unidade belga, cuja actividade ficaria reduzida ao mínimo.
Contudo, a verdadeira onda de indignação e repúdio, que rapidamente se propagou dentro e fora de fronteiras, bem como a firmeza e determinação dos operários em greve há duas semanas foram factores que obrigaram a marca a fazer um recuo parcial.
O encontro realizado na sexta-feira, 1, véspera da manifestação internacional, entre o primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt, e dois responsáveis do construtor, Martin Winterkorn, futuro patrão da VW, e Ferdinand Piëch, presidente do conselho de vigilância, terminou com um compromisso de viabilização da fábrica.
A eventual produção do modelo Audi A1, a partir de 2009, foi apontada como a solução para garantir um total de três mil postos de trabalho. Todavia, nos dois anos que intermedeiam, aqueles que conservam o emprego ficam a cargo do governo belga enquanto esperam pela chegada do novo A1. Até lá, depreende-se, passada a fase aguda de contestação social, tudo poderá alterar-se de acordo com as imperiosas conveniências do grupo alemão.
Por isso, na manifestação de sábado, os operários belgas apelaram à continuação da luta, conscientes de que nada está garantido, nem poderá estar enquanto prevalecer a lógica capitalista, tão adversa que é à consigna inscrita num dos cartazes: «Primeiro, as pessoas, depois o lucro».
Provando que não enfrenta dificuldades económicas, o grupo VW anunciou, no dia 28, o investimento de 410 milhões de euros numa nova fábrica na Índia, onde irá produzir 110 mil veículos para o mercado local e criar 2500 postos de trabalho.
A indiferença do capital
Por iniciativa do Grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica, a situação na fábrica belga da VW foi debatida na sessão, de dia 29, do Parlamento Europeu.
Na presença de uma importante delegação de operários da unidade, o presidente do grupo, Francis Wurtz, frisou que a crise do sector automóvel não é de hoje e lembrou o encerramento da fábrica da Renault de Vilvorde, igualmente na Bélgica, que lançou para o desemprego milhares de trabalhadores em 1997.
Wurtz notou igualmente que a multinacional beneficiou de amplas ajudas públicas sob a forma de isenções e que registou nos últimos dois anos um assinalável crescimento dos lucros.
No mesmo dia, a deputada do PCP, Ilda Figueiredo, intervindo na Comissão do Emprego e Assuntos Sociais, afirmou que o caso da VW na Bélgica «demonstra que as multinacionais continuam a actuar com a maior irresponsabilidade, apenas movidas pela obtenção de cada vez maiores lucros, numa total indiferença com os problemas sociais e de desenvolvimento regional que provocam, considerando os trabalhadores meros números e peças de uma engrenagem que só interessam em função dos lucros que podem gerar»
A deputada considerou que esta situação «é parte integrante do processo de comércio internacional, de liberalização e de desregulamentação do mercado de trabalho apoiado e encorajado pela União Europeia» e que também tem atingido o nosso País.
Entre os casos mais recentes, Ilda Figueiredo chamou a atenção para o encerramento da OPEL/GM da Azambuja, da Johnson Controls, da Lear e tantas outras multinacionais que têm deslocalizado a produção, deixando um profundo rasto de desemprego.
Deputados visitam fábrica ocupada
Uma delegação do grupo GUE/NGL, em que se integrou o deputado do PCP, Pedro Guerreiro, visitou, no dia 28, a fábrica da VW em Bruxelas, ocupada pelos operários em greve. O grupo de eurodeputados de vários países encontrou-se com trabalhadores e representantes da Federação Geral dos Trabalhadores Belgas (FGTB) e da Central Cristã dos trabalhadores Metalúrgicos.
Para além de expressar solidariedade e apoio aos operários belgas, Pedro Guerreiro denunciou a estratégia predadora das multinacionais, sublinhando que a presente vaga de reestruturações e despedimentos, que também tem afectado duramente os trabalhadores portugueses, não decorre de quaisquer dificuldades económicas, mas sim da ganância do capital por lucros ainda maiores, objectivo facilitado e estimulado pelas orientações liberais da União Europeia.
Inicialmente, a VW comunicou a decisão de suprimir quatro mil dos cerca de 5500 empregos directos até agora garantidos pela unidade belga, cuja actividade ficaria reduzida ao mínimo.
Contudo, a verdadeira onda de indignação e repúdio, que rapidamente se propagou dentro e fora de fronteiras, bem como a firmeza e determinação dos operários em greve há duas semanas foram factores que obrigaram a marca a fazer um recuo parcial.
O encontro realizado na sexta-feira, 1, véspera da manifestação internacional, entre o primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt, e dois responsáveis do construtor, Martin Winterkorn, futuro patrão da VW, e Ferdinand Piëch, presidente do conselho de vigilância, terminou com um compromisso de viabilização da fábrica.
A eventual produção do modelo Audi A1, a partir de 2009, foi apontada como a solução para garantir um total de três mil postos de trabalho. Todavia, nos dois anos que intermedeiam, aqueles que conservam o emprego ficam a cargo do governo belga enquanto esperam pela chegada do novo A1. Até lá, depreende-se, passada a fase aguda de contestação social, tudo poderá alterar-se de acordo com as imperiosas conveniências do grupo alemão.
Por isso, na manifestação de sábado, os operários belgas apelaram à continuação da luta, conscientes de que nada está garantido, nem poderá estar enquanto prevalecer a lógica capitalista, tão adversa que é à consigna inscrita num dos cartazes: «Primeiro, as pessoas, depois o lucro».
Provando que não enfrenta dificuldades económicas, o grupo VW anunciou, no dia 28, o investimento de 410 milhões de euros numa nova fábrica na Índia, onde irá produzir 110 mil veículos para o mercado local e criar 2500 postos de trabalho.
A indiferença do capital
Por iniciativa do Grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica, a situação na fábrica belga da VW foi debatida na sessão, de dia 29, do Parlamento Europeu.
Na presença de uma importante delegação de operários da unidade, o presidente do grupo, Francis Wurtz, frisou que a crise do sector automóvel não é de hoje e lembrou o encerramento da fábrica da Renault de Vilvorde, igualmente na Bélgica, que lançou para o desemprego milhares de trabalhadores em 1997.
Wurtz notou igualmente que a multinacional beneficiou de amplas ajudas públicas sob a forma de isenções e que registou nos últimos dois anos um assinalável crescimento dos lucros.
No mesmo dia, a deputada do PCP, Ilda Figueiredo, intervindo na Comissão do Emprego e Assuntos Sociais, afirmou que o caso da VW na Bélgica «demonstra que as multinacionais continuam a actuar com a maior irresponsabilidade, apenas movidas pela obtenção de cada vez maiores lucros, numa total indiferença com os problemas sociais e de desenvolvimento regional que provocam, considerando os trabalhadores meros números e peças de uma engrenagem que só interessam em função dos lucros que podem gerar»
A deputada considerou que esta situação «é parte integrante do processo de comércio internacional, de liberalização e de desregulamentação do mercado de trabalho apoiado e encorajado pela União Europeia» e que também tem atingido o nosso País.
Entre os casos mais recentes, Ilda Figueiredo chamou a atenção para o encerramento da OPEL/GM da Azambuja, da Johnson Controls, da Lear e tantas outras multinacionais que têm deslocalizado a produção, deixando um profundo rasto de desemprego.
Deputados visitam fábrica ocupada
Uma delegação do grupo GUE/NGL, em que se integrou o deputado do PCP, Pedro Guerreiro, visitou, no dia 28, a fábrica da VW em Bruxelas, ocupada pelos operários em greve. O grupo de eurodeputados de vários países encontrou-se com trabalhadores e representantes da Federação Geral dos Trabalhadores Belgas (FGTB) e da Central Cristã dos trabalhadores Metalúrgicos.
Para além de expressar solidariedade e apoio aos operários belgas, Pedro Guerreiro denunciou a estratégia predadora das multinacionais, sublinhando que a presente vaga de reestruturações e despedimentos, que também tem afectado duramente os trabalhadores portugueses, não decorre de quaisquer dificuldades económicas, mas sim da ganância do capital por lucros ainda maiores, objectivo facilitado e estimulado pelas orientações liberais da União Europeia.