Outra Naqbah?
Os crimes do Estado Sionista de Israel são diários
O dia 29 de Novembro é, por decisão da ONU em 1977, Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da Palestina. É o dia que os palestinos designam por «Naqbah», a catástrofe. É o dia em que, em 1947 a ONU decidiu dividir a Palestina e criar dois Estados, um judaico e um árabe-palestino. Seguiu-se a limpeza étnica que criou milhões de refugiados palestinos. Quase 60 anos depois, o Estado Sionista expande-se muito para lá das fronteiras que a Resolução da ONU lhe atribuiu. A promessa de um Estado Palestino continua letra morta.
Há poucos dias foi anunciado um «cessar-fogo» e mais uma retirada israelita da Faixa de Gaza. A história recente e menos recente não dá motivos para esperanças. Israel cometeu uma enorme chacina nestes últimos meses em Gaza. Apenas entre 12 de Outubro e 22 de Novembro foram mortos 172 palestinianos, dos quais 29 crianças (Centro Palestino para os Direitos Humanos, www.pchrgaza.ps ). Em média, mais de 4 mortos por dia. A auto-proclamada «comunidade internacional» - dos EUA à União Europeia - sempre ocupada a pedir «tribunais internacionais» e a lançar guerras contra quem não cumpra as suas ordens, não apenas deixa os assassinos impunes: castiga as vítimas, continuando a impor um férreo bloqueio que deixa os habitantes dos territórios ocupados, e em particular da Faixa de Gaza, numa gravíssima situação de emergência humanitária. Castiga-se um povo por continuar a resistir e a lutar pela promessa não cumprida da «comunidade internacional»: o direito a uma pátria.
Os crimes do Estado Sionista de Israel são diários. As ameaças dos seus dirigentes ultrapassam tudo aquilo que seria aceite nas bocas de outros dirigentes, mesmo nos tempos que correm. Dois anos após a misteriosa morte do Presidente Arafat, nunca foi feito um diagnóstico oficial de causa de morte, nem uma autópsia (será que encontrariam polónio-210?). Convém relembrar as ameaças públicas de execução que lhe foram feitas em comunicado oficial do governo israelita (11.9.03): «Yasser Arafat é um obstáculo completo a qualquer processo de reconciliação [...] Israel agirá para remover esse obstáculo da maneira, no momento e das formas que decidirá em tempo oportuno». Para que não ficassem dúvidas, o então vice, e actual primeiro-ministro Olmert veio esclarecer que «o assassinato de Arafat era um dos meios de concretizar a ameaça de o “remover”» (Guardian, 15.9.03). E o jornal Jerusalem Post desse mesmo dia escrevia um editorial de título singelo «Matar Arafat»: «Devemos matar tantos dirigentes do Hamas e da Jihad Islâmica quanto possível, tão depressa quanto possível [...] E devemos matar Yasser Arafat, porque o mundo não nos deixa outra alternativa. [...] Matar Arafat, mais do que qualquer outro acto, demonstrará que a arma do terror é inaceitável» [!!]. A escalada fascizante do Estado Sionista prossegue agora com a ascensão a vice-primeiro ministro de Avigdor Lieberman, dirigente do partido Yisrael Beitein, defensor de novas limpezas étnicas. «Não há nada anti-democrático em transferências [de populações]. [...] A separação, tal como a cirurgia, ajuda à cura» declarou ao jornal Haaretz (19.4.02). Em Afrikaans, a palavra para “separação” é “apartheid”. O seu colega de partido Aharonovitch já apelou a «assassinar» o primeiro ministro palestino, Haniyeh ( ynetnews.com ,18.11.06). O pacifista israelita Uri Avneri compara os perigos, e a ausência de reacção pública, com os «últimos dias da República de Weimar» na Alemanha de 1933, antes da subida ao poder de Hitler (Gush Shalom, 6.11.06).
Três factos a reter: (i) o Partido Trabalhista de Israel, colega do PS na Internacional Socialista, faz parte do governo com Lieberman; (ii) a reacção da União Europeia (através da porta-voz oficial de Javier Solana, Cristina Gallach) à entrada de Lieberman para o Governo é que «compreenderão que não podemos interferir na constituição de um governo estrangeiro»; (iii) Israel possui centenas de armas nucleares e Lieberman é também «Ministro de Assuntos Estratégicos» com responsabilidade pelo dossier Irão.
Há poucos dias foi anunciado um «cessar-fogo» e mais uma retirada israelita da Faixa de Gaza. A história recente e menos recente não dá motivos para esperanças. Israel cometeu uma enorme chacina nestes últimos meses em Gaza. Apenas entre 12 de Outubro e 22 de Novembro foram mortos 172 palestinianos, dos quais 29 crianças (Centro Palestino para os Direitos Humanos, www.pchrgaza.ps ). Em média, mais de 4 mortos por dia. A auto-proclamada «comunidade internacional» - dos EUA à União Europeia - sempre ocupada a pedir «tribunais internacionais» e a lançar guerras contra quem não cumpra as suas ordens, não apenas deixa os assassinos impunes: castiga as vítimas, continuando a impor um férreo bloqueio que deixa os habitantes dos territórios ocupados, e em particular da Faixa de Gaza, numa gravíssima situação de emergência humanitária. Castiga-se um povo por continuar a resistir e a lutar pela promessa não cumprida da «comunidade internacional»: o direito a uma pátria.
Os crimes do Estado Sionista de Israel são diários. As ameaças dos seus dirigentes ultrapassam tudo aquilo que seria aceite nas bocas de outros dirigentes, mesmo nos tempos que correm. Dois anos após a misteriosa morte do Presidente Arafat, nunca foi feito um diagnóstico oficial de causa de morte, nem uma autópsia (será que encontrariam polónio-210?). Convém relembrar as ameaças públicas de execução que lhe foram feitas em comunicado oficial do governo israelita (11.9.03): «Yasser Arafat é um obstáculo completo a qualquer processo de reconciliação [...] Israel agirá para remover esse obstáculo da maneira, no momento e das formas que decidirá em tempo oportuno». Para que não ficassem dúvidas, o então vice, e actual primeiro-ministro Olmert veio esclarecer que «o assassinato de Arafat era um dos meios de concretizar a ameaça de o “remover”» (Guardian, 15.9.03). E o jornal Jerusalem Post desse mesmo dia escrevia um editorial de título singelo «Matar Arafat»: «Devemos matar tantos dirigentes do Hamas e da Jihad Islâmica quanto possível, tão depressa quanto possível [...] E devemos matar Yasser Arafat, porque o mundo não nos deixa outra alternativa. [...] Matar Arafat, mais do que qualquer outro acto, demonstrará que a arma do terror é inaceitável» [!!]. A escalada fascizante do Estado Sionista prossegue agora com a ascensão a vice-primeiro ministro de Avigdor Lieberman, dirigente do partido Yisrael Beitein, defensor de novas limpezas étnicas. «Não há nada anti-democrático em transferências [de populações]. [...] A separação, tal como a cirurgia, ajuda à cura» declarou ao jornal Haaretz (19.4.02). Em Afrikaans, a palavra para “separação” é “apartheid”. O seu colega de partido Aharonovitch já apelou a «assassinar» o primeiro ministro palestino, Haniyeh ( ynetnews.com ,18.11.06). O pacifista israelita Uri Avneri compara os perigos, e a ausência de reacção pública, com os «últimos dias da República de Weimar» na Alemanha de 1933, antes da subida ao poder de Hitler (Gush Shalom, 6.11.06).
Três factos a reter: (i) o Partido Trabalhista de Israel, colega do PS na Internacional Socialista, faz parte do governo com Lieberman; (ii) a reacção da União Europeia (através da porta-voz oficial de Javier Solana, Cristina Gallach) à entrada de Lieberman para o Governo é que «compreenderão que não podemos interferir na constituição de um governo estrangeiro»; (iii) Israel possui centenas de armas nucleares e Lieberman é também «Ministro de Assuntos Estratégicos» com responsabilidade pelo dossier Irão.