PROTESTO GERAL

Uma grande participação

Provenientes de todas as regiões do continente e até da Madeira e dos Açores, a participação dos funcionários da administração central e local, na concentração nacional de dia 12, junto ao Ministério das Finanças ultrapassou todas as previsões iniciais das organizações sindicais, até em localidades tradicionalmente de direita.
Grande foi a imaginação demonstrada em cartazes, placas, panos e muitas caricaturas alusivas à má governação de José Sócrates e do seu Governo, apelidando-o de «mentiroso».
Ao som de bombos, a marcha partiu em direcção ao Rossio, onde se juntou aos restantes sectores em luta.
Muitos trouxeram os filhos em carrinhos de bebé ou aos ombros e, numa caminhada que durou quase horas, deram largas ao seu protesto, não apenas pelo seu futuro.
Do Algarve, trabalhadores do Estado vestiram camisolas vermelhas, com um funcionário púbico enforcado numa corda e a legenda «Lutar para vencer, contra o aumento da idade de reforma, pela Constituição de Abril ao serviço do povo».
Enforcado passou também um boneco simulando um enfermeiro, numa carrinha do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, a denunciar a precariedade e as vergonhosas condições de vida e de trabalho a que estão sujeitos.
Auxiliares de acção educativa de Ferreiras, Albufeira, exigiram salários e aposentações dignas, porque auferem de 478 euros.
Uma trabalhadora informava, num pendão, ter 14 anos de serviço e um salário de 515 euros, como coordenadora de pessoal. Ironicamente, pedia desculpa «por ter contribuído para o actual estado das finanças do País».
Braga lembrou a José Sócrates que «os trabalhadores da Administração Pública são enxovalhados e roubados!».
Funcionários públicos denunciaram a proposta da Convenção do Beato para eliminar mais 200 mil empregos públicos e referiram que os 75 mil despedimentos pretendidos pelo Governo são «a mesma provocação».
Em painéis com fotos de todos os ministros, foram-lhes atribuídos apelidos adequados. O dos Negócios Estrangeiros, por exemplo, era o «Amigo de Guantánamo», o das Finanças, «O carrasco», o da Saúde, «O coveiro» e aos restantes também não faltaram epítetos.

A luta de todos

Os Sapadores Bombeiros de Lisboa exigiram o ingresso e as promoções na carreira, as progressões de categoria, os direitos de aposentação e uma política diferente.
Educadoras licenciadas denunciaram que auferem de salários entre os 460 e os 600 euros.
Trabalhadores do Hospital de São João, no Porto, reivindicaram o pagamento das horas extraordinárias e a reclassificação das carreiras.
Milhares de funcionários da região Centro marcharam, «em defesa dos utentes» e dos serviços públicos. Muitos deles, de instituições particulares de solidariedade social e de misericórdias.
Da EB2+3 D. João II, de Santarém, veio a exigência de estabilidade, mas no emprego.
De Portalegre, um pano com tartarugas desenhadas tinha a legenda «A caminho dos salários da União Europeia».
Os funcionários públicos do Sul exigiram o fim da precariedade.
Ameaçados pelo PRACE, os trabalhadores do INETI marcaram presença, à semelhança de professores e de todas as regiões.

O PRACE ameaça o INETI

Em declarações ao Avante!, o membro da Comissão de Trabalhadores do INETI, António Manuel, fez saber que os trabalhadores continuam a lutar para evitar o encerramento e salvaguardar os seus direitos, caso sejam transferidos para outras instituições. Os ministérios da Economia e da Ciência e Tecnologia «nunca reuniram com a CT, que continua a solicitar o encontro».
«Estão em causa cerca de mil empregos, entre efectivos e bolseiros», e «não foi feita qualquer análise a cada uma das competências do INETI e das restantes instituições, no sentido de as reestruturar correctamente, em vez de “cortar pela rama”, como estão a fazer». «Por isso, vamos continuar a lutar», garantiu.


Mais artigos de: Em Foco

Luta de massas <br>é factor de transformação

O Comité Central do PCP, reunido a 16 de Outubro de 2006, procedeu a uma análise da situação política nacional e às consequências da intensificação da ofensiva do Governo do PS contra direitos e conquistas sociais, designadamente com o agravamento económico e das condições de vida daí decorrentes, tendo decidido convocar para o final do segundo semestre de 2007 a realização de uma «Conferência Nacional sobre a Situação Económica e Social», destinada a proceder a uma avaliação circunstanciada da situação e a apresentar a política alternativa indispensável ao País e ao seu futuro. O Comité Central examinou o desenvolvimento da luta dos trabalhadores e do povo português em geral, e sublinhou a importância e significado do grandioso Protesto Geral do dia 12 de Outubro. Avaliou ainda a concretização da acção de reforço da organização do Partido e definiu as principais linhas de trabalho para a sua actividade no futuro imediato.

Protesto crescente exige mudança

Muitos milhares de trabalhadores da Administração Pública e do sector empresarial desfilaram, no dia 12, durante quase quatro horas, da baixa de Lisboa para a Assembleia da República, fazendo do «protesto geral pela mudança de políticas, convocado pela CGTP-IN, a maior manifestação laboral desde há duas décadas. Nas palavras de ordem gritadas pelos manifestantes e nas intervenções dos dirigentes sindicais sobressaiu a determinação de prosseguir a luta, com o ênfase colocado na defesa da Segurança Social pública, universal e solidária.

Ampliar o protesto e a luta

O protesto dos trabalhadores «tem que ser cada vez mais amplo, tem que assumir dimensões de luta profissional, de empresa ou serviços, de nível sub-sectorial, sectorial, regional e nacional numa grande unidade e de convergência de esforços no sentido de dar mais força à luta mais geral», apela a CGTP-IN, na moção aclamada frente à Assembleia da República, no dia 12.

Os direitos defendem-se agora!

Depois do sério aviso ao Governo, no dia 12, os trabalhadores do Estado vão para a greve a 9 e 10 de Novembro, porque a luta não pode parar.

«Um grande êxito»

«Foi um grande êxito e um marco importante na luta dos trabalhadores portugueses», considerou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, cumprimentado e saudado entusiasticamente por muitos dos manifestantes, durante a marcha de protesto.«Esta manifestação significa a derrota dos arautos do conformismo e das...

Saudação da FSM

«Queremos que saibam que estamos do vosso lado, que apoiamos a vossa luta em defesa dos interesses dos trabalhadores, tal como apoiamos as vossas reivindicações» - afirma a Federação Sindical Mundial, numa saudação enviada à CGTP-IN no dia 12 de Outubro. «Vivemos num período em que os direitos básicos da humanidade estão...

A manhã da construção

No dia 12, trabalhadores do sector da construção civil começaram os protestos ainda antes de se integrarem na grande manifestação, em Lisboa.Junto ao Ministério do Trabalho, na Praça de Londres, os trabalhadores da Pereira da Costa Construçõse exigiram do ministro Vieira da Silva uma intervenção pronta, para repor a...