Indústria da morte continua a crescer
As despesas militares no mundo devem ascender em 2006 a 835 000 milhões de euros, 15 vezes mais do que o total da ajuda humanitária internacional.
Em 2005, os maiores consumidores de armamento foram os EUA
Os dados foram revelados há dias pela ONG britânica Intermón-Oxfam, enquanto na Assembleia Geral das Nações Unidas um grupo de sete países, entre os quais a Grã-Bretanha, procurava o apoio da ONU para proibir a venda de armas a países que violem os direitos humanos, os embargos de armas ou cometem genocídio.
O estudo levado a cabo pela Intermón-Oxfam, com dados do presente ano, completa o elaborado em Junho último pelo Instituto Internacional de Investigação para a Paz (SIPRI), com sede em Estocolmo, e comprova que a indústria da morte está mais florescente do que nunca.
Segundo a ONG britânica, as 100 maiores empresas de armamentos aumentaram as suas vendas em 60 por cento, em apenas quatro anos: de 157 000 milhões de dólares (123 800 milhões de euros) em 2000 passaram para 268 000 milhões de dólares (211 300 milhões de euros) em 2004.
Arian Arpa, directora-geral da ONG, em declarações à Cadena Ser, garante que são estas armas que alimentam os conflitos que são, por sua vez, a principal causa da fome em todo o mundo: 35 por cento das emergências alimentares registadas nos últimos anos foram provocadas por guerras. Enquanto isso, a despesa militar global continua a aumentar, prevendo-se que este ano ultrapassará os máximos históricos alcançados nos últimos anos da chamada Guerra Fria.
Segundo Arpa, os primeiros responsáveis por esta situação são os governos ocidentais «que permitem que os fabricantes de armas aumentem constantemente as suas vendas», o que não iliba os particulares de responsabilidades, já que a cada minuto morre uma pessoa vítima de arma de fogo «que na maior parte dos casos não está nas mãos de forças regulares».
Regular o comércio de armas
Para a responsável da ONG britânica, é fundamental que a ONU aprove um tratado internacional regulamentando o comércio de armas, de forma a garantir que o armamento esteja sob controlo «de forças regulares de estados democráticos». O problema está em assegurar que os ditos «estados democráticos» não sejam eles próprios agentes do que se diz pretender evitar: violação de direitos humanos, genocídios, embargos.
Os sete países que levantaram a questão na Assembleia Geral da ONU – Grã-Bretanha, Argentina, Austrália, costa Rica, Finlândia, Japão e Quénia – estão longe de inspirar confiança. Basta lembrar que a Grã-Bretanha, para além de enfrentar acusações de genocídio no Iraque, é um dos grandes exportadores de armas, pelo que a sua suposta ética na matéria é no mínimo duvidosa.
O mesmo se pode dizer, e com acrescidas razões, em relação aos EUA.
No seu relatório anual sobre a produção armamentista e o desarmamento, divulgado em Junho último e citado na edição online do Gara, o SIPRI revela que os gastos mundiais em armamento aumentaram 34 por cento em relação a 2004, equivalendo o montante despendido a 173 dólares per capita.
O documento indica ainda que cerca de 80 por cento dos gastos militares adicionais em 2005 são da responsabilidade dos EUA. As despesas norte-americanas nesta matéria registaram um aumento de um por cento em relação a 2004, representando o orçamento da defesa qualquer coisa como 1604 dólares por habitante.
Top mais da guerra
Segundo dados do SIPRI relativos a 2005, os maiores consumidores de armamento foram os EUA, com 48 por cento do investido a nível mundial. Na lista seguem-se, a grande distância, a Grã-Bretanha, França, Japão e China, com gastos entre 4 e 5 por cento do total registado a nível mundial.
No respeitante às exportações de armas, o SIPRI refere que continua a tendência para o crescimento com um volume entre 44 000 e 53 000 milhões de dólares, mantendo-se como principais exportadores, desde 2001, os EUA e a Rússia, cada um com uma quota de mercado da ordem dos 30 por cento. Seguem-se a França, Alemanha e Grã-Bretanha com cerca de 20 por cento no seu conjunto.
O estudo levado a cabo pela Intermón-Oxfam, com dados do presente ano, completa o elaborado em Junho último pelo Instituto Internacional de Investigação para a Paz (SIPRI), com sede em Estocolmo, e comprova que a indústria da morte está mais florescente do que nunca.
Segundo a ONG britânica, as 100 maiores empresas de armamentos aumentaram as suas vendas em 60 por cento, em apenas quatro anos: de 157 000 milhões de dólares (123 800 milhões de euros) em 2000 passaram para 268 000 milhões de dólares (211 300 milhões de euros) em 2004.
Arian Arpa, directora-geral da ONG, em declarações à Cadena Ser, garante que são estas armas que alimentam os conflitos que são, por sua vez, a principal causa da fome em todo o mundo: 35 por cento das emergências alimentares registadas nos últimos anos foram provocadas por guerras. Enquanto isso, a despesa militar global continua a aumentar, prevendo-se que este ano ultrapassará os máximos históricos alcançados nos últimos anos da chamada Guerra Fria.
Segundo Arpa, os primeiros responsáveis por esta situação são os governos ocidentais «que permitem que os fabricantes de armas aumentem constantemente as suas vendas», o que não iliba os particulares de responsabilidades, já que a cada minuto morre uma pessoa vítima de arma de fogo «que na maior parte dos casos não está nas mãos de forças regulares».
Regular o comércio de armas
Para a responsável da ONG britânica, é fundamental que a ONU aprove um tratado internacional regulamentando o comércio de armas, de forma a garantir que o armamento esteja sob controlo «de forças regulares de estados democráticos». O problema está em assegurar que os ditos «estados democráticos» não sejam eles próprios agentes do que se diz pretender evitar: violação de direitos humanos, genocídios, embargos.
Os sete países que levantaram a questão na Assembleia Geral da ONU – Grã-Bretanha, Argentina, Austrália, costa Rica, Finlândia, Japão e Quénia – estão longe de inspirar confiança. Basta lembrar que a Grã-Bretanha, para além de enfrentar acusações de genocídio no Iraque, é um dos grandes exportadores de armas, pelo que a sua suposta ética na matéria é no mínimo duvidosa.
O mesmo se pode dizer, e com acrescidas razões, em relação aos EUA.
No seu relatório anual sobre a produção armamentista e o desarmamento, divulgado em Junho último e citado na edição online do Gara, o SIPRI revela que os gastos mundiais em armamento aumentaram 34 por cento em relação a 2004, equivalendo o montante despendido a 173 dólares per capita.
O documento indica ainda que cerca de 80 por cento dos gastos militares adicionais em 2005 são da responsabilidade dos EUA. As despesas norte-americanas nesta matéria registaram um aumento de um por cento em relação a 2004, representando o orçamento da defesa qualquer coisa como 1604 dólares por habitante.
Top mais da guerra
Segundo dados do SIPRI relativos a 2005, os maiores consumidores de armamento foram os EUA, com 48 por cento do investido a nível mundial. Na lista seguem-se, a grande distância, a Grã-Bretanha, França, Japão e China, com gastos entre 4 e 5 por cento do total registado a nível mundial.
No respeitante às exportações de armas, o SIPRI refere que continua a tendência para o crescimento com um volume entre 44 000 e 53 000 milhões de dólares, mantendo-se como principais exportadores, desde 2001, os EUA e a Rússia, cada um com uma quota de mercado da ordem dos 30 por cento. Seguem-se a França, Alemanha e Grã-Bretanha com cerca de 20 por cento no seu conjunto.