Protestos prosseguem
Militantes da oposição de direita e muitos populares revoltados com as medidas de austeridade e com as mentiras do primeiro-ministro socialista, Ferenc Gyurcsany, continuaram no início da semana a manifestar-se diariamente frente ao parlamento exigindo a demissão do Governo.
Na noite de sábado para domingo, mais de 20 mil pessoas participaram na maior manifestação registada desde o início dos protestos (segunda-feira, dia 17), após a transmissão da gravação de uma conversa privada, entre o primeiro-ministro e o seu grupo parlamentar, onde assumia ter enganado deliberadamente o povo húngaro para ganhar as legislativas realizadas em Abril passado.
Depois de reconhecer a autenticidade da gravação, Gyurcsany tem-se mostrado insensível à onda de indignação, afirmando que não se demitirá e que os manifestantes acabarão pode ir para casa.
Entretanto, o programa de cortes sociais, habilmente escondido do eleitorado, já se traduziu em aumentos de impostos e diminuição dos abonos de família. Mesmo neste período de grande turbulência, e em vésperas de eleições municipais (marcadas para domingo próximo), Gyurcsany não pretende abrandar o ritmo das suas reformas.
Ainda na quinta-feira da passada semana, o parlamento do país aprovou um plano de redução maciça de postos de trabalho no sector público, ao mesmo tempo que decretava a diminuição das subvenções do Estado ao preço da energia, em particular do gás natural.
Estas medidas têm sido justificadas com a necessidade de reduzir a despesa pública e preparar o país para a adesão ao euro. No entanto, nem mesmo nesta área Gyurcsany pode apresentar resultados positivos, já que, apesar da dolorosa factura que obriga o povo a pagar, o défice público irá atingir 10,1 por cento no final deste ano, cifrando-se como o mais elevado da União Europeia.
Manobra eleitoralista
Em 2004, Gyurcsany chega à chefia do governo, substituindo o anterior primeiro-ministro, Peter Medgyssey, de quem era até então conselheiro. Apostado em legitimar o seu poder nas urnas, toma um conjunto de medidas de carácter social que lhe granjeiam popularidade. Aumenta as reformas e os salários e reduz o IVA. Já em plena campanha eleitoral desfaz-se em promessas que sabe de antemão que não irá cumprir.
Já após o triunfo eleitoral, numa reunião realizada nas margens do lago Balaton, Gyurcsany declara aos deputados socialistas:
«Fizemos tudo para, em fim de campanha eleitoral, guardar segredo sobre o que o país verdadeiramente precisava e que cotávamos fazer após a vitória. Sabíamos todos após a vitória que era preciso lançarmo-nos ao trabalho, uma vez que nunca tinhamos conhecido problemas desta envergadura. (...)
«Andámos mal, não apenas um pouco, muito. Ninguém na Europa fez tais asneiras como nós [referência aos gastos públicos] (...) É evidente que mentimos ao longo dos últimos 18 meses. É claro que o que dizíamos não era verdade» (...)
«Chegou o momento da verdade. A ajuda divina, os fluxos financeiros internacionais, as centenas de astúcias contabilísticas, cuja existência deverão ignorar, ajudaram-nos a sobreviver. Mas isso acabou. Não podemos ir mais longe.
«Temos de revelar logo no primeiro dia o que devemos fazer para reduzir o défice já este ano e aplicar as alterações fiscais a partir do mês de Setembro».
Na noite de sábado para domingo, mais de 20 mil pessoas participaram na maior manifestação registada desde o início dos protestos (segunda-feira, dia 17), após a transmissão da gravação de uma conversa privada, entre o primeiro-ministro e o seu grupo parlamentar, onde assumia ter enganado deliberadamente o povo húngaro para ganhar as legislativas realizadas em Abril passado.
Depois de reconhecer a autenticidade da gravação, Gyurcsany tem-se mostrado insensível à onda de indignação, afirmando que não se demitirá e que os manifestantes acabarão pode ir para casa.
Entretanto, o programa de cortes sociais, habilmente escondido do eleitorado, já se traduziu em aumentos de impostos e diminuição dos abonos de família. Mesmo neste período de grande turbulência, e em vésperas de eleições municipais (marcadas para domingo próximo), Gyurcsany não pretende abrandar o ritmo das suas reformas.
Ainda na quinta-feira da passada semana, o parlamento do país aprovou um plano de redução maciça de postos de trabalho no sector público, ao mesmo tempo que decretava a diminuição das subvenções do Estado ao preço da energia, em particular do gás natural.
Estas medidas têm sido justificadas com a necessidade de reduzir a despesa pública e preparar o país para a adesão ao euro. No entanto, nem mesmo nesta área Gyurcsany pode apresentar resultados positivos, já que, apesar da dolorosa factura que obriga o povo a pagar, o défice público irá atingir 10,1 por cento no final deste ano, cifrando-se como o mais elevado da União Europeia.
Manobra eleitoralista
Em 2004, Gyurcsany chega à chefia do governo, substituindo o anterior primeiro-ministro, Peter Medgyssey, de quem era até então conselheiro. Apostado em legitimar o seu poder nas urnas, toma um conjunto de medidas de carácter social que lhe granjeiam popularidade. Aumenta as reformas e os salários e reduz o IVA. Já em plena campanha eleitoral desfaz-se em promessas que sabe de antemão que não irá cumprir.
Já após o triunfo eleitoral, numa reunião realizada nas margens do lago Balaton, Gyurcsany declara aos deputados socialistas:
«Fizemos tudo para, em fim de campanha eleitoral, guardar segredo sobre o que o país verdadeiramente precisava e que cotávamos fazer após a vitória. Sabíamos todos após a vitória que era preciso lançarmo-nos ao trabalho, uma vez que nunca tinhamos conhecido problemas desta envergadura. (...)
«Andámos mal, não apenas um pouco, muito. Ninguém na Europa fez tais asneiras como nós [referência aos gastos públicos] (...) É evidente que mentimos ao longo dos últimos 18 meses. É claro que o que dizíamos não era verdade» (...)
«Chegou o momento da verdade. A ajuda divina, os fluxos financeiros internacionais, as centenas de astúcias contabilísticas, cuja existência deverão ignorar, ajudaram-nos a sobreviver. Mas isso acabou. Não podemos ir mais longe.
«Temos de revelar logo no primeiro dia o que devemos fazer para reduzir o défice já este ano e aplicar as alterações fiscais a partir do mês de Setembro».