Propostas concretas em diplomas do PCP

Garantir o futuro da Segurança Social

O Grupo Parlamentar do PCP formalizou em dois diplomas (projecto de lei e projecto de resolução) um conjunto de propostas destinadas a aumentar as receitas da Segurança Social.

Governo quer reduzir direitos e reformas

Esta é uma iniciativa concreta em defesa do sistema público e universal que surge em resposta aos que, como o PS (que segue a linha de ataque encetada pela maioria PSD/CDS-PP), invocam uma pretensa «reforma» para reduzir os direitos dos reformados, desvalorizar as prestações familiares, reduzir as já baixas reformas e pensões e aumentar a idade da reforma.
Uma das medidas defendidas no projecto de lei é a criação de uma taxa sobre o Valor Acrescentado Bruto (VAB) das grandes empresas, designadamente as que auferem lucros superiores a 500 mil euros.
Bernardino Soares, líder parlamentar comunista, considerou que a criação desta taxa representa «uma medida de justiça», argumentando que há empresas com poucos trabalhadores que geram grandes lucros e pagam menos à Segurança Social do que empresas com muitos trabalhadores e com baixos lucros.

O consenso do capital

Entregues na passada semana no Parlamento, ambos os diplomas (o outro é um projecto de resolução) foram apresentados em conferência de imprensa no decorrer da qual os deputados comunistas acusaram a Presidência da República e o PSD de quererem um «consenso para a privatização» do sistema.
«Querem, PSD e Presidência da República, um consenso em matéria de Segurança Social. Mas não um consenso à volta de propostas em defesa do Sistema Público, aprofundando o actual modelo de repartição, assente na solidariedade geracional entre trabalhadores e na responsabilidade das entidades patronais e do Estado na realização das finalidades do sistema público, universal e solidário, como seria justo e o PCP defende», sublinham os deputados comunistas na nota preambular do seu projecto de lei.
E acrescentam: «não pretendem um consenso que procura o reforço do direito de todos à Segurança Social e do papel central do sistema público, conforme prevê a Constituição da República Portuguesa, com garantia de protecção social na doença, velhice, invalidez, viuvez, orfandade, desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade de trabalho».
Daí que este consenso signifique, para a bancada do PCP, o «accionar do bloco central de interesses em torno da Segurança Social, dando novos passos na destruição do sistema público e universal, um consenso à volta da privatização total, ou pelo menos de uma parte».
«O consenso procurado é para assegurar, no mais curto tempo possível, a introdução do modelo de capitalização na Segurança Social, isto é, a entrega das contribuições aos fundos de pensões privados», sublinham os deputados comunistas no seu projecto de lei.

Não à privatização

Criticado no diploma é igualmente o Governo PS por propor uma reforma que, num quadro em que 85 em cada 100 reformados recebem uma pensão inferior ao salário mínimo nacional, «vem exigir mais dos mesmos: quem menos pode e menos tem».
Por isso Bernardino Soares não hesitou em considerar que a proposta do PSD e as intenções do Governo «vão no mesmo sentido [da privatização] mas em velocidades diferentes».
O líder parlamentar comunista Bernardino Soares argumentou que «ao recusar-se a alterar a Lei da Bases da Segurança Social aprovada na anterior legislatura [maioria PSD/CDS-PP], que prevê a entrega de contribuições a fundos privados, o Governo mantém aberta a porta à privatização».
Depois de rejeitar a tese da alegada falência do sistema público de Segurança Social, Bernardino Soares criticou o primeiro-ministro, José Sócrates, por centrar a discussão apenas «nas propostas do PSD e do Governo».
«Não é verdade que não haja alternativas», afirmou, defendendo ainda mais eficácia no combate à evasão fiscal e às contribuições para a Segurança Social.

Taxar transacções em bolsa

Subscrito pelos deputados comunistas e igualmente entregue no Parlamento foi um outro diploma, sob a forma de projecto de resolução, no qual recomendada é ao Governo a adopção de várias medidas com o objectivo de diversificar as fontes de financiamento da Segurança Social e aumentar «a eficácia e eficiência das suas despesas».
Uma das medidas propostas é a criação de um imposto extraordinário de 0,25 por cento sobre todas as transacções realizadas na bolsa, cuja receita reverteria na íntegra para o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.
Outra medida preconizada no diploma é o reforço dos meios afectos ao combate à evasão e fraude no pagamento das contribuições à Segurança Social, sendo ainda sugerida a revisão do regime de contra-ordenações da segurança social e solidariedade, em ordem a evitar que a «dívida declarada à Segurança Social esteja a aumentar mais do que a dívida recuperada».
Destaque merecem também as recomendações no sentido de uma maior transparência da informação quer do Orçamento quer da Conta da Segurança Social.


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