Juízes em causa própria
Não se soubesse por experiência feita que a «melhor defesa está no ataque», a atitude que, em comovente comunhão, uniu o embaixador do regime ditatorial colombiano à legião de anticomunistas domésticos a propósito da presença na Festa do Avante de representantes de organizações revolucionárias da Colômbia, seria por si prova de que assim é.
As intoleráveis declarações do embaixador da Colômbia, designadamente as insinuações por si dirigidas contra o PCP são, não apenas um inadmissível acto de ingerência, mas sobretudo expressão de uma conduta assente na impunidade e arbitrariedade a que o regime que representa, e o terrorismo de Estado que suporta a sua existência, o habituou. Um país onde os sucessivos governos contabilizando no seu activo com o assassínio dos que se lhe opõem (entre os quais milhares de camponeses, democratas da União Patriótica, sindicalistas e activistas comunistas) ou com a prática de sequestro em países estrangeiros de membros da oposição, se vê hoje desmascarado pelas noticias que dão como seguro, e já confirmadas pelo próprio regime, que os recentes atentados terroristas ocorridos contra alvos civis em Bogotá atribuídos pelo regime colombiano às FARC foram obra do exército da Colômbia.
A nível interno, a violenta campanha anticomunista desencadeada pela presença do Partido Comunista da Colômbia e da revista «Resistência» na Festa do Avante tem outras, e não inocentes, motivações. Desde logo, expressão do indisfarçável incómodo que o êxito da Festa e a sua crescente afirmação na vida do país suscita em todos quantos têm no PCP, e no que ele representa, o seu principal alvo. Depois, pretexto para a partir desta questão, artificial mas oportunamente remeter para plano secundário o envolvimento e cumplicidades do governo português no uso do território nacional por voos da CIA para transporte ilegal de prisioneiros em direcção a prisões secretas em países terceiros. E finalmente, expediente para reanimar e avivar preconceitos anticomunistas na base dos padrões dominantes que tem por objectivo anatemizar e criminalizar todos quantos ousam resistir e opor-se à nova ordem imperialista de dominação mundial.
O terrorismo, — seja ele associado a actos isolados, fundamentalismos exacerbados ou promovidos pelos Estados — não se define pelo que dele a Administração Bush entende mas, sim, pela sua natureza e prática. Primeiro, porque nesta matéria Bush é juiz em causa própria. E também porque conhecidos são de há muito os critérios que classificaram como tal os movimento de libertação e os seus principais líderes (fossem eles Arafat, Mandela ou Agostinho Neto). Na verdade, pelo património de crimes que transporta nos seus ombros Bush e alguns dos seus principais aliados (a começar por Israel) bem poderiam, como todo a justeza, encimar a lista dedicada ao terrorismo real.
As intoleráveis declarações do embaixador da Colômbia, designadamente as insinuações por si dirigidas contra o PCP são, não apenas um inadmissível acto de ingerência, mas sobretudo expressão de uma conduta assente na impunidade e arbitrariedade a que o regime que representa, e o terrorismo de Estado que suporta a sua existência, o habituou. Um país onde os sucessivos governos contabilizando no seu activo com o assassínio dos que se lhe opõem (entre os quais milhares de camponeses, democratas da União Patriótica, sindicalistas e activistas comunistas) ou com a prática de sequestro em países estrangeiros de membros da oposição, se vê hoje desmascarado pelas noticias que dão como seguro, e já confirmadas pelo próprio regime, que os recentes atentados terroristas ocorridos contra alvos civis em Bogotá atribuídos pelo regime colombiano às FARC foram obra do exército da Colômbia.
A nível interno, a violenta campanha anticomunista desencadeada pela presença do Partido Comunista da Colômbia e da revista «Resistência» na Festa do Avante tem outras, e não inocentes, motivações. Desde logo, expressão do indisfarçável incómodo que o êxito da Festa e a sua crescente afirmação na vida do país suscita em todos quantos têm no PCP, e no que ele representa, o seu principal alvo. Depois, pretexto para a partir desta questão, artificial mas oportunamente remeter para plano secundário o envolvimento e cumplicidades do governo português no uso do território nacional por voos da CIA para transporte ilegal de prisioneiros em direcção a prisões secretas em países terceiros. E finalmente, expediente para reanimar e avivar preconceitos anticomunistas na base dos padrões dominantes que tem por objectivo anatemizar e criminalizar todos quantos ousam resistir e opor-se à nova ordem imperialista de dominação mundial.
O terrorismo, — seja ele associado a actos isolados, fundamentalismos exacerbados ou promovidos pelos Estados — não se define pelo que dele a Administração Bush entende mas, sim, pela sua natureza e prática. Primeiro, porque nesta matéria Bush é juiz em causa própria. E também porque conhecidos são de há muito os critérios que classificaram como tal os movimento de libertação e os seus principais líderes (fossem eles Arafat, Mandela ou Agostinho Neto). Na verdade, pelo património de crimes que transporta nos seus ombros Bush e alguns dos seus principais aliados (a começar por Israel) bem poderiam, como todo a justeza, encimar a lista dedicada ao terrorismo real.