A propósito de caetanismo
O centenário de Marcelo Caetano foi ocasião de várias evocações da sua personalidade. Mais do que a sua personalidade interessa todavia reflectir sobre as razões do seu fracasso político. Até por certos revivalismos em curso.
A missão confiada a Marcelo Caetano foi salvar os interesses essenciais das camadas sociais e das estruturas económicas do capital monopolista de que o salazarismo foi expressão e instrumento.
Caetano iniciou a sua missão lançando uma operação de «demagogia liberalizante». Mas os factos desmentiram rapidamente as concepções oportunistas que viam na «primavera marcelista» uma expressão do que chamavam o capital «empreendedor» ou «progressista» português.
A demagogia começou rapidamente a fracassar ante o inevitável agravamento da luta de sectores cada vez mais vastos da população contra a agudização da situação económica, social, política e militar resultante de uma completa subordinação aos interesses do capital monopolista. A repressão atingiu dimensões de massas. E a desesperada tentativa de manter o embuste do «império colonial» que escondia a exploração do próprio povo português, levou inevitavelmente ao agravamento das guerras coloniais.
O marcelismo confirmou que a instauração do capitalismo monopolista de Estado sem um correspondente desenvolvimento das forças produtivas, só pela força podia impor-se, tornando inviável em Portugal, como afirmava o PCP, uma «democracia burguesa» e exigindo que se associasse à liberdade uma democracia social e económica.
A «política de desenvolvimento» e o «Estado Social» anunciados por Caetano morreram antes de nascer. Mesmo com a desenfreada exploração dos trabalhadores, o grande capital não conseguiu, por virtude do atraso técnico da economia portuguesa, o ritmo de acumulação que ambicionava. A caça às poupanças passou a ser uma dominante da sua actividade. Entrou numa política de especulação em que envolveu o conjunto da economia portuguesa. Esta evolução, depois de criar una aparência de prosperidade, revelou nos generalizados défices as consequências de uma base produtiva cada vez mais frágil, que conduzia inevitavelmente a uma ruptura de todo o sistema.
O 25 de Abril interrompeu e paralisou essa dinâmica especulativa. Sem ele, a economia portuguesa teria caído numa crise profunda, com um dramático agravamento da miséria geral.
Mas as concepções do marcelismo não morreram com a queda do governo fascista. Estiveram na base do projecto de Spínola, que procurou instaurar um marcelismo sem Marcelo Caetano. Foram o guião político de todas as ofensivas contra as realizações, conquistas e transformações sociais e económicas que o 25 de Abril trouxe. E são o suporte da «coabitação» da coligação Sócrates-Cavaco.
O «marcelismo», numa fase crucial do capitalismo português, foi a prova não só da contradição insanável do capital monopolista com os interesses e problemas do país, como da sua incapacidade para os resolver.
Tal como agora acontece.
A missão confiada a Marcelo Caetano foi salvar os interesses essenciais das camadas sociais e das estruturas económicas do capital monopolista de que o salazarismo foi expressão e instrumento.
Caetano iniciou a sua missão lançando uma operação de «demagogia liberalizante». Mas os factos desmentiram rapidamente as concepções oportunistas que viam na «primavera marcelista» uma expressão do que chamavam o capital «empreendedor» ou «progressista» português.
A demagogia começou rapidamente a fracassar ante o inevitável agravamento da luta de sectores cada vez mais vastos da população contra a agudização da situação económica, social, política e militar resultante de uma completa subordinação aos interesses do capital monopolista. A repressão atingiu dimensões de massas. E a desesperada tentativa de manter o embuste do «império colonial» que escondia a exploração do próprio povo português, levou inevitavelmente ao agravamento das guerras coloniais.
O marcelismo confirmou que a instauração do capitalismo monopolista de Estado sem um correspondente desenvolvimento das forças produtivas, só pela força podia impor-se, tornando inviável em Portugal, como afirmava o PCP, uma «democracia burguesa» e exigindo que se associasse à liberdade uma democracia social e económica.
A «política de desenvolvimento» e o «Estado Social» anunciados por Caetano morreram antes de nascer. Mesmo com a desenfreada exploração dos trabalhadores, o grande capital não conseguiu, por virtude do atraso técnico da economia portuguesa, o ritmo de acumulação que ambicionava. A caça às poupanças passou a ser uma dominante da sua actividade. Entrou numa política de especulação em que envolveu o conjunto da economia portuguesa. Esta evolução, depois de criar una aparência de prosperidade, revelou nos generalizados défices as consequências de uma base produtiva cada vez mais frágil, que conduzia inevitavelmente a uma ruptura de todo o sistema.
O 25 de Abril interrompeu e paralisou essa dinâmica especulativa. Sem ele, a economia portuguesa teria caído numa crise profunda, com um dramático agravamento da miséria geral.
Mas as concepções do marcelismo não morreram com a queda do governo fascista. Estiveram na base do projecto de Spínola, que procurou instaurar um marcelismo sem Marcelo Caetano. Foram o guião político de todas as ofensivas contra as realizações, conquistas e transformações sociais e económicas que o 25 de Abril trouxe. E são o suporte da «coabitação» da coligação Sócrates-Cavaco.
O «marcelismo», numa fase crucial do capitalismo português, foi a prova não só da contradição insanável do capital monopolista com os interesses e problemas do país, como da sua incapacidade para os resolver.
Tal como agora acontece.