Aprender para o exame
Arrancaram nesta semana e prolongam-se até ao dia 3 de Julho, os exames nacionais de acesso ao ensino superior e de conclusão do ensino secundário para mais de 170.000 estudantes. Esta realidade, há muito implantada no 12º ano, por força da restrição quantitativa global de acesso ao ensino superior -conhecida por numerus clausus-, tem vindo a ser estendida a outros níveis de ensino. Actualmente a realização de provas e exames nacionais percorre todo o percurso estudantil do 4º ao 12º ano, no quadro de uma profunda negação do processo de avaliação contínua que o PCP defende.
Trata-se, sem dúvida, de uma concepção ideológica para um modelo de ensino e aprendizagem que tem no exame o elemento central do processo de aquisição de conhecimentos e que constitui um sistema de barreiras na progressão dos estudantes, convergente com a selecção de classe e elitização dos mais elevados graus de ensino.
Os programas, os livros, os manuais escolares, os exercícios, as aulas, os horários, o calendário escolar, as explicações (para quem pode pagar naturalmente) estão programados e organizados com o objectivo primeiro de «passar no exame». A realidade do ano escolar vivida dentro das salas de aula, quer por professores, quer pelos estudantes, tem como pano de fundo o exame, sendo que, mais importante do que a aquisição de conhecimentos, ferramentas ou competências (como agora se lhe quer chamar), o que conta é o desempenho obtido naquelas duas horas de «avaliação» onde se decide o futuro.
A pressão exercida junto dos estudantes, pais, professores e das próprias escolas (que posteriormente são ordenadas num ranking de acordo com a média das classificações obtidas) é tremenda e, para o Governo, quanto mais cedo se começar a exercer esta pressão junto da comunidade educativa melhor.
A instituição da tese e da prática de que apenas se ensina e aprende aquilo que virá a sair no exame é, por si só, castradora das potencialidades emancipadoras que a educação pode ter na nossa sociedade e que de certa forma foi projectada pela Revolução de Abril.
É por isso natural que, para este modelo de ensino, não sejam necessários mais professores, nem professores com direitos, não seja necessária a gestão democrática das escolas, não sejam necessárias mais e melhores condições materiais e humanas, enfim, nem tão pouco se encontra grande utilidade na escola pública. Para este Governo, que aliás se vangloriou de tão gigantesca operação, são sim precisos mais polícias, em concreto 508 agentes da PSP e 238 viaturas e 14 mil militares da GNR para fazerem o transporte dos exames, não fosse um estudante mais abelhudo entrar para o ensino superior.
Trata-se, sem dúvida, de uma concepção ideológica para um modelo de ensino e aprendizagem que tem no exame o elemento central do processo de aquisição de conhecimentos e que constitui um sistema de barreiras na progressão dos estudantes, convergente com a selecção de classe e elitização dos mais elevados graus de ensino.
Os programas, os livros, os manuais escolares, os exercícios, as aulas, os horários, o calendário escolar, as explicações (para quem pode pagar naturalmente) estão programados e organizados com o objectivo primeiro de «passar no exame». A realidade do ano escolar vivida dentro das salas de aula, quer por professores, quer pelos estudantes, tem como pano de fundo o exame, sendo que, mais importante do que a aquisição de conhecimentos, ferramentas ou competências (como agora se lhe quer chamar), o que conta é o desempenho obtido naquelas duas horas de «avaliação» onde se decide o futuro.
A pressão exercida junto dos estudantes, pais, professores e das próprias escolas (que posteriormente são ordenadas num ranking de acordo com a média das classificações obtidas) é tremenda e, para o Governo, quanto mais cedo se começar a exercer esta pressão junto da comunidade educativa melhor.
A instituição da tese e da prática de que apenas se ensina e aprende aquilo que virá a sair no exame é, por si só, castradora das potencialidades emancipadoras que a educação pode ter na nossa sociedade e que de certa forma foi projectada pela Revolução de Abril.
É por isso natural que, para este modelo de ensino, não sejam necessários mais professores, nem professores com direitos, não seja necessária a gestão democrática das escolas, não sejam necessárias mais e melhores condições materiais e humanas, enfim, nem tão pouco se encontra grande utilidade na escola pública. Para este Governo, que aliás se vangloriou de tão gigantesca operação, são sim precisos mais polícias, em concreto 508 agentes da PSP e 238 viaturas e 14 mil militares da GNR para fazerem o transporte dos exames, não fosse um estudante mais abelhudo entrar para o ensino superior.