Em Guarda, pois!

Aurélio Santos
Domingo passado participei na Assembleia da Organização Regional da Guarda. Encontrei nela uma informação concreta e actualizada do efeito devastador das medidas tomadas pelo governo de Sócrates, demagogicanemte apresentadas sob o rótulo de «modernidade» e «eficiência».
Como observou um dos intervenientes da Assembleia «a interioridade tem sido ao longo de décadas um dos motivos do nosso atraso mas apesar disso mantínhamos uma série de serviços públicos que nos permitiam usufruir de um certo nível de vida».
Muitos desse serviços públicos só nas últimas décadas tinham chegado ao distrito da Guarda, com a onda de política social do 25 de Abril e os direitos que assegurou às populações. Mas o governo de Sócrates, indiferente ás consequências para a vida de milhares de pessoas, avança medidas de miseribilização que atingem com particular gravidade vastos sectores do país. Oiçamos alguns dos alertas que chegam da Guarda.
Em Almeida, um concelho com 29 freguesias, apenas 12 têm escola do 1° Ciclo. Como se isto não bastasse foi decisão do Governo manter abertas apenas 8 para o próximo ano lectivo. Mas não é apenas no sector do ensino
que esta fúria desmanteladora se exerce. Já foi anunciado o encerramento da maternidade da Guarda. Os Centros de Saúde estão a fechar os serviços de urgência da meia-noite às oito da manhã por todo o distrito. Encerram estações de correio. Algumas das já poucas ligações ferroviárias entre Vilar Formoso e a Guarda, estão ameaçadas de encerramento. E já se prevê o encerramento da maioria dos tribunais do distrito. Crescem o desemprego e a desertificação.
Mas da Guarda não chegam apenas denúncias, protestos, apreensões. A Assembleia foi também uma comprovação da lufada de confiança e reforço que percorre o PCP. Novos e velhos quadros desenvolvem com convicção, criatividade e empenho a intervenção dos comunistas nos vários aspectos da vida nacional. Analisam e apresentam reflexão sobre os problemas concretos da região e das populações. Apresentam medidas que comprovam outro facto da maior importância actual: é o PCP a força que em cada região do país se mostra capaz de enfrentar as realidades da vida nacional, dar reposta aos problemas, defender os direitos e interesses das pessoas, apontar os caminhos para Portugal sair do beco para onde nos empurram as políticas de direita, agora em acelerada aplicação pelo governo PS de Sócrates.
As vozes que chegam da Guarda reflectem também a indignação e revolta que crescem no país não já só contra as ameaças e atentados aos seus direitos, mas ante o perigo real e presente do desfazer apressado do tecido económico, social, jurídico – que fomos construindo no Portugal pós-fascista.
O tempo é de dizer, e em voz bem alta, não
«ó da guarda» mas sim «em guarda!».
Por que essa gente está a..escavacar-nos.


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