Eles andam por aí
Exemplo de acto censório, com todos os matadores e à boa maneira de qualquer ditadura que se preze, é a decisão tomada por um tal Marcel Bozonnet – director da Comédie Française e certamente democrata de primeira água - de proibir a representação de uma peça do dramaturgo austríaco Peter Handke. A notícia veio no Público e as razões da proibição não têm a ver com eventual falta de qualidade da peça - da qual o director do Berliner Ensemble louva «o valor humanista» e que considera «um manifesto pela não-violência» e que o prórpio ministro francês da Cultura diz que «levanta questões de alcance universal aos nossos contemporâneos, que, nos tempos conturbados que vivemos, teriam sido úteis ao público».
Então, qual a razão que levou o tal Bozonnet a puxar do seu lápis azul e proibir a peça? Simples: segundo o coronel, Peter Handke cometeu dois crimes, qual deles o mais grave e ambos passíveis de castigo: o primeiro foi ter estado presente no funeral de Slobodan Milosevic - de cuja morte, recorde-se, foi responsável o Tribunal Penal Internacional, um tribunal concebido desde o início para julgar e condenar dirigentes sérvios e composto por fantoches, mascarados de juizes, ao serviço do imperialismo norte-americano; o segundo crime do dramaturgo austríaco foi ter dito, no elogio fúnebre que pronunciou, que se sentia «feliz por estar ao lado Milosevic, um homem que defendeu o seu povo».
Qual juiz do TPI, o coronel Bozonnet declamou: «Na minha alma e consciência era-me impossível acolher esta pessoa no meu teatro». E toca de expulsar a peça do seu teatro - não estando confirmado se , sim ou não, à semelhança de antepassados seus, mandou apreender todos os exemplares do livro e os queimou numa imensa fogueira.
O acto censório provocou manifestações de repulsa por parte de diversos intelectuais franceses, que denunciaram este «restabelecimento, em França, de uma forma de censura» e acusaram o censor «Bozonnet de se enganar no tribunal». E é bem provável que todos os que ousaram criticar o coronel tenham já os seus nomes inscritos numa extensa lista negra e um dia destes sejam chamados a depor numa qualquer secção francesa de uma qualquer comissão de actividades anti-americanas.
Tanto mais que - sinais dos tempos... – outros intelectuais correram a apoiar o coronel censor, também eles com as almas e as consciências a pedir sangue.
Atenção: eles andam por aí.
Então, qual a razão que levou o tal Bozonnet a puxar do seu lápis azul e proibir a peça? Simples: segundo o coronel, Peter Handke cometeu dois crimes, qual deles o mais grave e ambos passíveis de castigo: o primeiro foi ter estado presente no funeral de Slobodan Milosevic - de cuja morte, recorde-se, foi responsável o Tribunal Penal Internacional, um tribunal concebido desde o início para julgar e condenar dirigentes sérvios e composto por fantoches, mascarados de juizes, ao serviço do imperialismo norte-americano; o segundo crime do dramaturgo austríaco foi ter dito, no elogio fúnebre que pronunciou, que se sentia «feliz por estar ao lado Milosevic, um homem que defendeu o seu povo».
Qual juiz do TPI, o coronel Bozonnet declamou: «Na minha alma e consciência era-me impossível acolher esta pessoa no meu teatro». E toca de expulsar a peça do seu teatro - não estando confirmado se , sim ou não, à semelhança de antepassados seus, mandou apreender todos os exemplares do livro e os queimou numa imensa fogueira.
O acto censório provocou manifestações de repulsa por parte de diversos intelectuais franceses, que denunciaram este «restabelecimento, em França, de uma forma de censura» e acusaram o censor «Bozonnet de se enganar no tribunal». E é bem provável que todos os que ousaram criticar o coronel tenham já os seus nomes inscritos numa extensa lista negra e um dia destes sejam chamados a depor numa qualquer secção francesa de uma qualquer comissão de actividades anti-americanas.
Tanto mais que - sinais dos tempos... – outros intelectuais correram a apoiar o coronel censor, também eles com as almas e as consciências a pedir sangue.
Atenção: eles andam por aí.