Mudança de Máscara!
O povo está proibido de se pronunciar sobre tudo aquilo que diga respeito ao poder
Numa intervenção recentemente proferida no Bundestag, a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel defendeu a necessidade de uma nova «justificação» (neue Begründung) para a União Europeia e não de uma «refundação» (neue Gründung) como alguns jornais franceses erradamente traduziram. De facto, as elites federalistas começam a aperceber-se do crescente descrédito do seu projecto imperialista e pensam resolver a situação com uma mudança de retórica, não de objectivo.
A ladainha inicial democrata-cristã da «preservação da paz» numa União Europeia que se arma até aos dentes e se assume cada vez mais como um bloco político e militar imperialista ou a cantilena social-democrata da defesa do chamado «modelo social europeu» já não convencem num tempo em que os trabalhadores e os povos se manifestam contra o militarismo, a desmontagem social, o desemprego e a miséria.
Mas é duvidoso que o credo neoliberal da «modernização», da «competição e das reformas» e a chamada «guerra contra o terrorismo» estejam mais aptos a «justificar» a estratégia opressora da oligarquia monopolista. Importantes forças políticas que têm estado no centro deste processo de liquidação da soberania dos povos e de concentração do poder nas mãos do grande capital têm vindo a sofrer pesadas derrotas eleitorais. Veja-se o que aconteceu e continua a acontecer a Köhl e Schröder, Jospin e Chirac, Berlusconi e Blair, Guterres e Barroso...
Apesar do «não» francês e holandês ao chamado «tratado constitucional» e da intensificação das lutas laborais, estudantis e populares, como na Grécia com a recente greve geral ou em França com a resistência contra o CPE, continua a existir na União Europeia um núcleo duro, conduzido pela Alemanha, que pretende a todo o custo sobrepor-se à vontade dos povos e continuar a aprofundar o projecto neoliberal, federalista e militarista. A insistência de Merkel, à semelhança de Schröder, em desenterrar a chamada «constituição europeia», deve-se fundamentalmente ao facto de Berlim ver na União Europeia um projecto revanchista de liquidação da ordem europeia e internacional resultante da derrota do nazismo em 1945 e identificar esse objectivo com a defesa dos chamados «interesses vitais» da Alemanha. Na continuação da linha defendida por ideólogos democratas-cristãos como Lamers ou Schäuble, também o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Schröder, Fischer, ao fazer, na Universidade Humboldt (2000), em Berlim, a apologia de uma «Federação Europeia», perguntava se finalmente a Alemanha receberia agora «o que a Europa e o mundo lhe tinham negado em duas grandes guerras, nomeadamente, uma espécie de suave hegemonia sobre a Europa, resultado da sua grandeza, força económica, situação geográfica e não do seu potencial estratégico-militar». A identificação de Fischer com os objectivos do imperialismo alemão é tão grande que não se coibe, embora de uma forma mais «suave», de exigir que seja concedido hoje à Alemanha aquilo que o imperador Guilherme (1918) e Hitler (1945) não conseguiram obter pela força das armas.
É nesta Alemanha, onde o povo está proibido de se pronunciar não só sobre a chamada «constituição europeia» mas sobre tudo aquilo que diga respeito ao poder e aos privilégios do grande capital, que os estados maiores do partido único europeu não se conformam que nalguns países se tenha permitido aos respectivos povos exprimirem-se sobre o «tratado constitucional». Um projecto autoritário e antidemocrático não se discute. Ainda recentemente, nos cinquenta anos da Fundacão Adenauer, o ex-chanceler Kohl vangloriava-se de não ter consultado o povo sobre a moeda única, uma vez que «70% dos eleitores teriam votado contra».
Perante uma tal concepção da «democracia», os trabalhadores e os povos devem preparar-se para resistir a todo o tipo de manobras. Ao insistir sobre a necessidade de «novas instituições» e de que a Alemanha não desiste do projecto de «constituição europeia», Merkel ameaça fazer vingar os aspectos fundamentais do «tratado» mesmo sem a sua aprovação. É necessário estar atento, até porque esse golpe como anunciou a chanceler alemã será acompanhado de uma nova «justificação», de uma mudança de máscara.
A ladainha inicial democrata-cristã da «preservação da paz» numa União Europeia que se arma até aos dentes e se assume cada vez mais como um bloco político e militar imperialista ou a cantilena social-democrata da defesa do chamado «modelo social europeu» já não convencem num tempo em que os trabalhadores e os povos se manifestam contra o militarismo, a desmontagem social, o desemprego e a miséria.
Mas é duvidoso que o credo neoliberal da «modernização», da «competição e das reformas» e a chamada «guerra contra o terrorismo» estejam mais aptos a «justificar» a estratégia opressora da oligarquia monopolista. Importantes forças políticas que têm estado no centro deste processo de liquidação da soberania dos povos e de concentração do poder nas mãos do grande capital têm vindo a sofrer pesadas derrotas eleitorais. Veja-se o que aconteceu e continua a acontecer a Köhl e Schröder, Jospin e Chirac, Berlusconi e Blair, Guterres e Barroso...
Apesar do «não» francês e holandês ao chamado «tratado constitucional» e da intensificação das lutas laborais, estudantis e populares, como na Grécia com a recente greve geral ou em França com a resistência contra o CPE, continua a existir na União Europeia um núcleo duro, conduzido pela Alemanha, que pretende a todo o custo sobrepor-se à vontade dos povos e continuar a aprofundar o projecto neoliberal, federalista e militarista. A insistência de Merkel, à semelhança de Schröder, em desenterrar a chamada «constituição europeia», deve-se fundamentalmente ao facto de Berlim ver na União Europeia um projecto revanchista de liquidação da ordem europeia e internacional resultante da derrota do nazismo em 1945 e identificar esse objectivo com a defesa dos chamados «interesses vitais» da Alemanha. Na continuação da linha defendida por ideólogos democratas-cristãos como Lamers ou Schäuble, também o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Schröder, Fischer, ao fazer, na Universidade Humboldt (2000), em Berlim, a apologia de uma «Federação Europeia», perguntava se finalmente a Alemanha receberia agora «o que a Europa e o mundo lhe tinham negado em duas grandes guerras, nomeadamente, uma espécie de suave hegemonia sobre a Europa, resultado da sua grandeza, força económica, situação geográfica e não do seu potencial estratégico-militar». A identificação de Fischer com os objectivos do imperialismo alemão é tão grande que não se coibe, embora de uma forma mais «suave», de exigir que seja concedido hoje à Alemanha aquilo que o imperador Guilherme (1918) e Hitler (1945) não conseguiram obter pela força das armas.
É nesta Alemanha, onde o povo está proibido de se pronunciar não só sobre a chamada «constituição europeia» mas sobre tudo aquilo que diga respeito ao poder e aos privilégios do grande capital, que os estados maiores do partido único europeu não se conformam que nalguns países se tenha permitido aos respectivos povos exprimirem-se sobre o «tratado constitucional». Um projecto autoritário e antidemocrático não se discute. Ainda recentemente, nos cinquenta anos da Fundacão Adenauer, o ex-chanceler Kohl vangloriava-se de não ter consultado o povo sobre a moeda única, uma vez que «70% dos eleitores teriam votado contra».
Perante uma tal concepção da «democracia», os trabalhadores e os povos devem preparar-se para resistir a todo o tipo de manobras. Ao insistir sobre a necessidade de «novas instituições» e de que a Alemanha não desiste do projecto de «constituição europeia», Merkel ameaça fazer vingar os aspectos fundamentais do «tratado» mesmo sem a sua aprovação. É necessário estar atento, até porque esse golpe como anunciou a chanceler alemã será acompanhado de uma nova «justificação», de uma mudança de máscara.