O elogio
Numa entrevista saída no Público, Maria José Nogueira Pinto afirmou o seguinte: «É preciso perceber que [a oposição] saiu muito esfrangalhada das legislativas e que apanhou com um primeiro-ministro que, depois de ter feito uma campanha muito medíocre, se revelou de repente um super pragmático e que vem dizer as coisas desagradáveis que antes não se tinha a coragem de dizer. Tudo isso complicou a vida da oposição».
Acontece que Maria José Nogueira Pinto não é uma «tia» qualquer a adejar pelas páginas das fofocas (mesmo que não desdenhe tal universo), constituindo um dos esteios políticos que têm aguentado à tona o reaccionarismo militante do CDS/PP, onde já foi quase tudo e agora é presidente do Conselho Nacional.
Aliás, as posições que defende na entrevista não deixam lugar a dúvidas sobre o carácter reaccionário e de direita do seu pensamento, seja a dizer que «o país está farto dos partidos» ou que são precisas «reformas» nos sistemas sociais para «salvaguarda da equidade, que é muito mais importante do que a igualdade», dando como exemplo de «equidade» o seu apoio ao encerramento de maternidades em curso, ao mesmo tempo que propõe o regresso aos «bons tempos» em que «a Alfredo da Costa cobria todo o Sul do país, com o apoio de ambulâncias bem equipadas» (só se foi noutra encarnação, mas adiante).
O que é certo é que Maria José Nogueira Pinto, com a tradicional desfaçatez da direita e um contentamento que não se dá ao trabalho de disfarçar, elogia sem tergiversações a governação de José Sócrates assinalando-lhe o feito de «dizer as coisas desagradáveis que antes não se tinha a coragem de dizer».
É curioso como a direita – à semelhança, aliás, do que faz o actual discurso governamental – reconhece como «coisas desagradáveis» as medidas governamentais que, por outro lado, reputa de «inadiáveis», «indispensáveis» e «fundamentais» para «dinamizar a economia» e «equilibrar as contas do Estado».
Não é por acaso: tais medidas dirigem-se minuciosamente contra um vasto leque de direitos que a Revolução de Abril e a construção do Estado democrático proporcionaram ao povo português ao longo destas décadas e, na implementação dessas medidas, este Governo está a exceder as melhores expectativas dos senhores do dinheiro e do poder actualmente em Portugal. Aliás, não é por acaso que Sócrates está sendo tão acarinhado pela generalidade da Comunicação Social, toda nas mãos do capital…
Instalado numa arrogante maioria absoluta, o Governo PS de José Sócrates parece de facto apostado em não deixar pedra sobre pedra em relação ao quadro de direitos proporcionado pelo regime democrático, atacando meticulosa e descaradamente as reformas e a idade de as pedir, os funcionários públicos ao tratá-los como relapsos, os trabalhadores do sector privado ao manter o essencial da vergonhosa revisão do Código Laboral imposta pela anterior coligação de direita, os postos médicos espalhados pelo País, os serviços de urgência, as maternidades, os hospitais, as escolas primárias ou, ainda, a coberto de uma «reforma do Estado» desarticulando direitos e retirando meios a polícias, tribunais e funcionários judiciais, a pretexto de «moralizar os impostos» esmifrando até ao tutano quem trabalha por conta de outrem ou até quem aufere reformas miseráveis, enquanto mantém privilégios a uma legião de «escolhidos» e, sobretudo, cumpre servilmente as exigências capitalistas.
Os elogios de Maria José Nogueira Pinto são, afinal, um certificado da prática neoliberal deste Governo. Para grande vergonha do PS/Sócrates e a desgraça do País.
Acontece que Maria José Nogueira Pinto não é uma «tia» qualquer a adejar pelas páginas das fofocas (mesmo que não desdenhe tal universo), constituindo um dos esteios políticos que têm aguentado à tona o reaccionarismo militante do CDS/PP, onde já foi quase tudo e agora é presidente do Conselho Nacional.
Aliás, as posições que defende na entrevista não deixam lugar a dúvidas sobre o carácter reaccionário e de direita do seu pensamento, seja a dizer que «o país está farto dos partidos» ou que são precisas «reformas» nos sistemas sociais para «salvaguarda da equidade, que é muito mais importante do que a igualdade», dando como exemplo de «equidade» o seu apoio ao encerramento de maternidades em curso, ao mesmo tempo que propõe o regresso aos «bons tempos» em que «a Alfredo da Costa cobria todo o Sul do país, com o apoio de ambulâncias bem equipadas» (só se foi noutra encarnação, mas adiante).
O que é certo é que Maria José Nogueira Pinto, com a tradicional desfaçatez da direita e um contentamento que não se dá ao trabalho de disfarçar, elogia sem tergiversações a governação de José Sócrates assinalando-lhe o feito de «dizer as coisas desagradáveis que antes não se tinha a coragem de dizer».
É curioso como a direita – à semelhança, aliás, do que faz o actual discurso governamental – reconhece como «coisas desagradáveis» as medidas governamentais que, por outro lado, reputa de «inadiáveis», «indispensáveis» e «fundamentais» para «dinamizar a economia» e «equilibrar as contas do Estado».
Não é por acaso: tais medidas dirigem-se minuciosamente contra um vasto leque de direitos que a Revolução de Abril e a construção do Estado democrático proporcionaram ao povo português ao longo destas décadas e, na implementação dessas medidas, este Governo está a exceder as melhores expectativas dos senhores do dinheiro e do poder actualmente em Portugal. Aliás, não é por acaso que Sócrates está sendo tão acarinhado pela generalidade da Comunicação Social, toda nas mãos do capital…
Instalado numa arrogante maioria absoluta, o Governo PS de José Sócrates parece de facto apostado em não deixar pedra sobre pedra em relação ao quadro de direitos proporcionado pelo regime democrático, atacando meticulosa e descaradamente as reformas e a idade de as pedir, os funcionários públicos ao tratá-los como relapsos, os trabalhadores do sector privado ao manter o essencial da vergonhosa revisão do Código Laboral imposta pela anterior coligação de direita, os postos médicos espalhados pelo País, os serviços de urgência, as maternidades, os hospitais, as escolas primárias ou, ainda, a coberto de uma «reforma do Estado» desarticulando direitos e retirando meios a polícias, tribunais e funcionários judiciais, a pretexto de «moralizar os impostos» esmifrando até ao tutano quem trabalha por conta de outrem ou até quem aufere reformas miseráveis, enquanto mantém privilégios a uma legião de «escolhidos» e, sobretudo, cumpre servilmente as exigências capitalistas.
Os elogios de Maria José Nogueira Pinto são, afinal, um certificado da prática neoliberal deste Governo. Para grande vergonha do PS/Sócrates e a desgraça do País.