Apelo à consciência dos povos

O PCP, considerando estar-se perante «um crescendo de irracionalidade brutal, cuja principal origem não reside, como afirma a ideologia dominante, na violência inata de grupos humanos atrasados e fanatizados, mas sim no sistema globalizado de exploração, domínio e opressão», lançou um apelo à consciência dos povos (que se transcreve), assinado por um conjunto de personalidades que, «independentemente de diferentes apreciações individuais sobre várias das matérias em causa», entendem não deixar, com o seu silêncio, que se repitam actos e tragédias que marcaram a horror e a fogo a face dos povos.
Por diversas vezes, na história, intelectuais têm assumido o dever, entendido simultaneamente como direito, de lançar um grito de alerta.
O momento actual clama por um veemente apelo à consciência dos povos. Estamos perante um crescendo de irracionalidade brutal, cuja principal origem não reside, como afirma a ideologia dominante, na violência inata de grupos humanos atrasados e fanatizados, mas sim no sistema globalizado de exploração, domínio e opressão que espalha à escala planetária violência, agressão, atraso e miséria.
Foi num ambiente semelhante que, há menos de um século, germinaram as ideologias e os regimes fascistas e nazi-fascistas protagonistas das maiores tragédias que a humanidade viveu até hoje. É nesse ambiente que renascem e ganham fôlego novas expressões do mesmo flagelo.
Hoje, como então, avançam sob a capa do anticomunismo. Clamam pela criminalização, a perseguição, a proibição da existência e da acção dos comunistas. Mas o que pretendem de facto criminalizar, perseguir e reprimir é a liberdade, a democracia, o direito dos trabalhadores, dos cidadãos, dos povos à resistência e à luta por direitos humanos, pelo simples direito a sonhar, sequer, que outra sociedade é possível.
Não usam, hoje, camisas negras ou castanhas os porta vozes deste sombrio programa. Vestem fato e gravata e têm assento em importantes organismos internacionais.
Quiseram aprovar no Conselho da Europa uma resolução anticomunista que, se aplicada, teria como consequência uma implacável escalada persecutória, de repressão e de violência, não apenas contra os comunistas mas contra todos os que resistem e lutam contra o intolerável estado de coisas hoje dominante. Há muito que não era ouvida com tanta clareza, numa instituição europeia, a voz secular da opressão, do ódio à duríssima marcha da emancipação humana.
Conhecemos, por dolorosa memória histórica, o significado destes sinais.
Este é, por isso, o momento para exercermos o dever e o direito de lançar um vigoroso e urgente grito de alerta.
Independentemente de diferentes apreciações individuais sobre várias das matérias em causa, não deixaremos que, com o nosso silêncio, se repitam actos e tragédias que marcaram a horror e a fogo a face dos povos.
Não permitiremos, com o nosso silêncio, que a história se repita.
Assinam o apelo:
Álvaro Ma­ga­lhães, escritor; Álvaro Siza Vi­eira, arquitecto; Do­mingos Ta­vares, professor universitário; Edu­ardo Souto Moura, arquitecto; Fi­lipe Diniz, arquitecto; Fre­de­rico Car­valho, investigador; Hélder Costa, autor, encenador; Isabel Al­legro de Ma­ga­lhães, professora universitária; João Ar­sénio Nunes, historiador; João Fer­reira, bolseiro de investigação; José An­tónio Gomes, escritor; José Ba­rata Moura, reitor da Universidade de Lisboa; José Luís Borges Co­elho, músico; José Ro­dri­gues, artista plástico; José Sa­ra­mago, escritor, Prémio Nobel da Literatura; Ma­nuel Gusmão, escritor e professor universitário; Mi­guel Ur­bano Ro­dri­gues, jornalista e escritor; Óscar Lopes, escritor; Ro­gério Ri­beiro, artista plástico; Rui Na­mo­rado Rosa, professor universitário; Ur­bano Ta­vares Ro­dri­gues, escritor.


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