Uma farsa dos nossos tempos
De Washington e Bruxelas decretam-se sanções contra Minsk
Os resultados das eleições de 19 de Março na Bielorússia deixaram os EUA e a UE no limiar de um acesso de histeria. A avaliação, pertencente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros bielorusso, não é exagerada. Tal como já ocorrera nas eleições de 2001, a tentativa de desestabilização golpista na Bielorrússia, decretada pelos EUA de «última ditadura da Europa», saldou-se num fiasco que importa assinalar.
Na capital da antiga república soviética, a escassez de participantes na tramóia pós-eleitoral pré-programada foi por demais evidente, apesar do alarido mediático que chegou até nós pela mão da comunicação social dominante, sequiosa de novas “revoluções coloridas” a Leste e, em particular, na Bielorrússia. Revelaram-se em vão os esforços de diligentes personagens do calibre de Javier Solana, o homem a quem, na qualidade de Secretário-Geral da NATO, coube há sete anos dar luz verde ao início da criminosa agressão contra a Jugoslávia e que é hoje o rosto da Política Externa e de Segurança Comum da UE. Segundo a agência RIA Novosti (26.03.06), que cita a televisão bielorrussa, Solana forneceu directamente indicações ao candidato opositor derrotado, Milinkevitch, sobre a organização de acções de protesto. Facto ilustrativo do gravíssimo rol de pressões e ingerências do imperialismo em todo o processo. E também do servilismo de uma «oposição democrática» apaparicada pelo grande capital e dependente do apoio externo.
Sobre um país soberano e independente, que se opõe ao alargamento da NATO e não manifesta desejo de aderir à UE, abate-se a torrente “democratizante” do imperialismo, que não ainda a “democratizadora” chuva de mísseis de que estas coisas se vão tornando precursoras na actual desordem mundial. Inquisitoriais, EUA e a UE não reconhecem os resultados eleitorais. Para a NATO, que também tem opinião na matéria, as eleições não foram democráticas. O parecer da OSCE, invariável, não destoa. O presidente do Conselho da Europa, de onde a Bielorrúsia foi «democraticamente» suspensa em 1997, multiplica-se em sentenças sobre a ilegitimidade do poder bielorrusso. De Washington e Bruxelas decretam-se sanções contra Minsk e ameaça-se com a criminalização da direcção bielorrussa. Dos contrafortes caucasianos ressoa o chamamento «democrático» de Saakashvili, prometendo a liberdade para a Bielorrússia. Não fosse o assunto sério, seria caso para rir. Não importa o estado de ruína social em que se encontra a Geórgia, nem as crescentes tentativas do seu presidente, através das bandeiras do fanatismo nacionalista e mercê do apoio e assistência directas dos EUA, de impor um regime militarista e repressivo. Não foi essa a ordem saída da aclamada “revolução das rosas” de 2003 ?
A campanha contra a Bielorrússia finge ignorar a realidade do país. E esta mostra que os direitos sociais da sua população são superiores à dos países vizinhos, o que se reflecte em níveis de pobreza e desigualdades anormalmente baixos para os tempos que correm, e ainda mais na região em causa. Ora, tal «proeza» foi conseguida precisamente contra o diktat das receitas neoliberais e os desígnios da dominação imperialista. O seu exemplo é na verdade inquietador para a acção, que une os EUA e a UE, apesar de tudo o que os divide, de consagrar mundialmente uma ordem exploradora e espoliadora. Um pingo de honestidade exigiria, no mínimo, o reconhecimento na experiência e curso bielorrussos dos esforços de reposição e defesa de direitos humanos básicos - ao trabalho, habitação, saúde, educação e cultura – que, precisamente, a ofensiva imperialista coloca hoje universalmente em causa. É bom não esquecer – como o confirmam vários relatórios da ONU – que a degradação social e a quebra da esperança de vida resultantes do fim da URSS e da restauração capitalista implicaram o desaparecimento de milhões de seres humanos. Trata-se de um autêntico genocídio a conta-gotas, ainda não terminado.
Mas isso, como se sabe, não faz parte das preocupações humanitárias da cada vez mais estafada «democracia» de classe do capital e da sua corte mediática.
Na capital da antiga república soviética, a escassez de participantes na tramóia pós-eleitoral pré-programada foi por demais evidente, apesar do alarido mediático que chegou até nós pela mão da comunicação social dominante, sequiosa de novas “revoluções coloridas” a Leste e, em particular, na Bielorrússia. Revelaram-se em vão os esforços de diligentes personagens do calibre de Javier Solana, o homem a quem, na qualidade de Secretário-Geral da NATO, coube há sete anos dar luz verde ao início da criminosa agressão contra a Jugoslávia e que é hoje o rosto da Política Externa e de Segurança Comum da UE. Segundo a agência RIA Novosti (26.03.06), que cita a televisão bielorrussa, Solana forneceu directamente indicações ao candidato opositor derrotado, Milinkevitch, sobre a organização de acções de protesto. Facto ilustrativo do gravíssimo rol de pressões e ingerências do imperialismo em todo o processo. E também do servilismo de uma «oposição democrática» apaparicada pelo grande capital e dependente do apoio externo.
Sobre um país soberano e independente, que se opõe ao alargamento da NATO e não manifesta desejo de aderir à UE, abate-se a torrente “democratizante” do imperialismo, que não ainda a “democratizadora” chuva de mísseis de que estas coisas se vão tornando precursoras na actual desordem mundial. Inquisitoriais, EUA e a UE não reconhecem os resultados eleitorais. Para a NATO, que também tem opinião na matéria, as eleições não foram democráticas. O parecer da OSCE, invariável, não destoa. O presidente do Conselho da Europa, de onde a Bielorrúsia foi «democraticamente» suspensa em 1997, multiplica-se em sentenças sobre a ilegitimidade do poder bielorrusso. De Washington e Bruxelas decretam-se sanções contra Minsk e ameaça-se com a criminalização da direcção bielorrussa. Dos contrafortes caucasianos ressoa o chamamento «democrático» de Saakashvili, prometendo a liberdade para a Bielorrússia. Não fosse o assunto sério, seria caso para rir. Não importa o estado de ruína social em que se encontra a Geórgia, nem as crescentes tentativas do seu presidente, através das bandeiras do fanatismo nacionalista e mercê do apoio e assistência directas dos EUA, de impor um regime militarista e repressivo. Não foi essa a ordem saída da aclamada “revolução das rosas” de 2003 ?
A campanha contra a Bielorrússia finge ignorar a realidade do país. E esta mostra que os direitos sociais da sua população são superiores à dos países vizinhos, o que se reflecte em níveis de pobreza e desigualdades anormalmente baixos para os tempos que correm, e ainda mais na região em causa. Ora, tal «proeza» foi conseguida precisamente contra o diktat das receitas neoliberais e os desígnios da dominação imperialista. O seu exemplo é na verdade inquietador para a acção, que une os EUA e a UE, apesar de tudo o que os divide, de consagrar mundialmente uma ordem exploradora e espoliadora. Um pingo de honestidade exigiria, no mínimo, o reconhecimento na experiência e curso bielorrussos dos esforços de reposição e defesa de direitos humanos básicos - ao trabalho, habitação, saúde, educação e cultura – que, precisamente, a ofensiva imperialista coloca hoje universalmente em causa. É bom não esquecer – como o confirmam vários relatórios da ONU – que a degradação social e a quebra da esperança de vida resultantes do fim da URSS e da restauração capitalista implicaram o desaparecimento de milhões de seres humanos. Trata-se de um autêntico genocídio a conta-gotas, ainda não terminado.
Mas isso, como se sabe, não faz parte das preocupações humanitárias da cada vez mais estafada «democracia» de classe do capital e da sua corte mediática.