Batoteiro
Decidiu o director do Público vir acusar o PCP de «mau perder e intolerância» a propósito da posição assumida perante a designação dos cinco membros do Conselho de Estado que têm assento naquele órgão por escolha do Presidente da República. Perceber-se-á o sentido de serviço que leva José Manuel Fernandes a sair em defesa de Cavaco Silva ou o entusiasmo que o invade por ver finalmente a direita instalar-se naquele órgão de soberania. Mas descontados estes legítimos impulsos em defesa de um dos seus, a verdade é que quem faz batota é José Manuel Fernandes. A posição do PCP é não só politicamente coerente como absolutamente rigorosa: Cavaco Silva ao optar por uma escolha de cinco personalidades para integrar o Conselho de Estado, «assente num estreito critério de cumplicidades partidárias e de “circulo de amigos”, rompe deliberadamente com o anterior critério que garantia, através da conjugação dos representantes eleitos pela Assembleia da República e dos elementos designados pela Presidência, a representação dos principais partidos neste órgão».
A acusação de intolerância dirigida pelo director do Público ao PCP por este alegadamente «antes não se mostrar incomodado com a ausência de qualquer representante do CDS» é, a partir de uma deliberada mentira, uma intolerável atitude de manipulação da opinião pública. José Manuel Fernandes sabe, como nós sabemos, que se o CDS não teve assento no Conselho de Estado isso não se deveu a nenhuma atitude sectária ou preferencial do anterior Presidente da República, ditada pelo critério dos que ganharam ou perderam, mas tão só porque Manuel Monteiro, então líder daquele partido, declinou o convite dirigido por Jorge Sampaio.
Citando o próprio, o que José Manuel Fernandes fez «não vem nos livros» — ou seja, receber um comunicado com um comentário público sobre matéria de actualidade política, e não só ignorar a sua divulgação como atrever-se a remetê-lo, truncado e envolto em falsidades, para a sua coluna de opinião.
Como o director do Público devia saber o PCP não mente. Bom seria que o princípio da reciprocidade tivesse aqui aplicação. Pela nossa parte mantemos o que dissemos. A sectária decisão de Cavaco Silva prejudica «uma desejável observação de factores de representatividade e diversidade política que as competências e funções do Conselho de Estado necessariamente recomendam». E revela nesta sua primeira decisão uma esclarecedora, mas perigosa, opção por uma postura de presidente, não de todos, como procura por palavras fazer acreditar, mas apenas daqueles portugueses que com ele estiveram e o apoiaram.
Compreende-se o denodo posto por José Manuel Fernandes na defesa de Cavaco. E afirme-se que, com inteira justiça, teria sido credor de escolha pelo actual Presidente da República. Nada que o deva desanimar. Sabendo quanto reduzido é o número dos «eleitos» para aquele órgão de Estado servir-lhe-á de consolação saber que nem o barbeiro nem o alfaiate de Cavaco Silva puderam também ser bafejados com a devida contrapartida.
A acusação de intolerância dirigida pelo director do Público ao PCP por este alegadamente «antes não se mostrar incomodado com a ausência de qualquer representante do CDS» é, a partir de uma deliberada mentira, uma intolerável atitude de manipulação da opinião pública. José Manuel Fernandes sabe, como nós sabemos, que se o CDS não teve assento no Conselho de Estado isso não se deveu a nenhuma atitude sectária ou preferencial do anterior Presidente da República, ditada pelo critério dos que ganharam ou perderam, mas tão só porque Manuel Monteiro, então líder daquele partido, declinou o convite dirigido por Jorge Sampaio.
Citando o próprio, o que José Manuel Fernandes fez «não vem nos livros» — ou seja, receber um comunicado com um comentário público sobre matéria de actualidade política, e não só ignorar a sua divulgação como atrever-se a remetê-lo, truncado e envolto em falsidades, para a sua coluna de opinião.
Como o director do Público devia saber o PCP não mente. Bom seria que o princípio da reciprocidade tivesse aqui aplicação. Pela nossa parte mantemos o que dissemos. A sectária decisão de Cavaco Silva prejudica «uma desejável observação de factores de representatividade e diversidade política que as competências e funções do Conselho de Estado necessariamente recomendam». E revela nesta sua primeira decisão uma esclarecedora, mas perigosa, opção por uma postura de presidente, não de todos, como procura por palavras fazer acreditar, mas apenas daqueles portugueses que com ele estiveram e o apoiaram.
Compreende-se o denodo posto por José Manuel Fernandes na defesa de Cavaco. E afirme-se que, com inteira justiça, teria sido credor de escolha pelo actual Presidente da República. Nada que o deva desanimar. Sabendo quanto reduzido é o número dos «eleitos» para aquele órgão de Estado servir-lhe-á de consolação saber que nem o barbeiro nem o alfaiate de Cavaco Silva puderam também ser bafejados com a devida contrapartida.