Aliados…

Ângelo Alves

São esses mesmos «ali­ados» que es­pe­zi­nham a de­mo­cracia e o di­reito in­ter­na­ci­onal

20 de Março de 2003. Há três anos, às 05:35 (hora de Bagdad) os caças-bombardeiros norte-americanos e uma chuva de mísseis «cruise» iniciavam o inferno em que se transformou aquela madrugada do povo iraquiano e, até hoje, o seu dia a dia. Nessa noite o mundo assistia pela TV ao crime e à triste figura de George Bush, ensaiando a pose para anunciar a invasão. Para trás ficava toda a preparação política, ideológica e psicológica para a guerra assente na mentira e hipocrisia. Para trás ficava a célebre Cimeira dos Açores com Durão Barroso no papel de mordomo dos criminosos. Mas ficariam também na memória as poderosas manifestações contra a guerra, em Portugal e em todo o mundo.
Passados três anos a História e a luta já se encarregaram de desmascarar as mentiras que sofisticadamente foram propagadas por todo o mundo. Na memória de todos residirá certamente a mais comentada delas: a das armas de destruição massiva. Esse é um importante exemplo da capacidade da máquina de desinformação do imperialismo e que devemos ter em conta na avaliação do momento actual no Médio Oriente, mas não o único.
Durão Barroso, que hoje hipocritamente afirma ter envolvido Portugal na guerra com base em «informações não confirmadas», dizia em Março de 2003, na Assembleia da República, estar «muito orgulhoso por estar ao lado dos nossos aliados», aludindo à sua participação na cimeira da guerra. Afirmava então que «um País mais seguro constrói-se com um Mundo mais seguro, um Mundo com menos armas de destruição maciça, um Mundo sem a ameaça do terrorismo» afirmando pretender, com a guerra iminente, «libertar o povo iraquiano das malhas da opressão» e «apoiar o estabelecimento no Iraque de um regime democrático». Sempre ao lado dos «aliados».

Mas a realidade aí está para mostrar que os tais «aliados» (que o agora governo socialista diz serem também os seus) são os que mais contribuem para a insegurança do mundo; os que mais patrocinam, financiam e montam actos de terrorismo, seja de Estado ou de outra índole; os que assassinam selectivamente professores, sindicalistas e dirigentes políticos, entre outros; os que mais investem em armas de destruição massiva - sejam os «amigos americanos» que podem estar a preparar uma guerra nuclear «cirúrgica» contra o Irão ou que massacram populações com urânio empobrecido ou com fósforo branco, sejam os «colegas» britânicos ou franceses que vão afirmando poder usar a arma nuclear.
São esses «aliados» que reprimem, espiam, escutam, prendem e torturam aqueles que não se submetem aos seus ditames; que se lançam em acções de perseguição política a todos aqueles que se lhes opõem, com destaque para os comunistas.
São esses mesmos «aliados» que espezinham a democracia e o direito internacional e que apoiam governos verdadeiramente párias, como o de Israel, que, num criminoso acto de provocação, levou a cabo o assalto à prisão de Jericó na Cisjordânia, em conluio com os «aliados» norte-americanos e britânicos, desautorizando a Autoridade Palestiniana, prendendo altos dirigentes da Frente Popular de Libertação da Palestina, e tentando assim acirrar a tensão que possa dar vantagem eleitoral à direita e extrema-direita israelitas nas próximas eleições de 28 de Março.

Esses não são os nossos aliados! Os verdadeiros aliados do nosso povo e de todos os povos são aqueles que estão a mostrar ao mundo as duas verdades fundamentais destes três anos de guerra. A primeira é que a guerra imperialista é sempre contra a democracia, a verdade, a legalidade e a segurança aos povos. A segunda é que, como nos confirmou Al Kubaysi, o Presidente da Frente Patriótica Iraquiana, a dignidade de um povo e o seu amor à sua pátria não se vendem, não se compram e não se destroem com bombas. No Médio Oriente essa dignidade, essa determinação reforça-se em cada madrugada que adivinha mais um dia de luta contra a ocupação e a guerra. A sua luta, a luta do povo norte-americano e a nossa luta contra a ocupação do Iraque e da Palestina, são a mesma luta. Por isso em cada madrugada, em cada dia os nossos verdadeiros aliados podem contar com a solidariedade dos comunistas portugueses.


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