A torto e a direito...
Por diversas vezes esta crónica sublinhou as profundas ligações entre as exigências e políticas preconizadas pelo grande patronato na Europa e as orientações e políticas promovidas e realizadas ao nível da União Europeia (UE), facto fundamental para percebermos quem ganha (o grande capital) e quem perde (os trabalhadores) com a integração capitalista europeia. Ou seja, para compreendermos o seu carácter de classe.
Não por acaso, antecedendo a cimeira de chefes de Estado e de governo dos países da UE que hoje se inicia, realizou-se, na semana passada, o que se poderia designar como uma «assembleia» do grande patronato na Europa.
Neste espaço, apelidado de «número 1» do diálogo entre o grande patronato e responsáveis governamentais e da Comissão Europeia, participaram nada mais nada menos que: a actual Presidência austríaca do Conselho, o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso e os comissários responsáveis pelas áreas das empresas e da indústria, do ambiente, da concorrência, da ciência e da investigação e da sociedade da informação e meios de comunicação. Participaram ainda os responsáveis governamentais dos chamados «programas nacionais de reforma» de cada país – presume-se que igualmente do Governo PS/Sócrates –, assim como um representante do governo dos Estados Unidos.
O encontro foi concluído com mais uma apresentação do caderno de encargos do grande patronato, tendo em conta a cimeira.
O saque gigantesco
Escondendo mal a sua satisfação com os aspectos essenciais das políticas promovidas na UE e realizadas nos diferentes países, o grande patronato na Europa exige mais e mais depressa. Apenas dois exemplos: a liberalização dos serviços e a sua concretização no caso da energia.
Valorizando o avanço no processo de adopção da directiva que liberaliza os serviços, incluindo serviços públicos, ao nível da UE, o grande patronato usa o que está escrito nos Tratados – e sublinha que desde de Roma, em 1957 –, exigindo que nada deverá obstaculizar a sua «liberdade» de vender serviços, de explorar a torto e a direito e de ultrapassar a soberania dos Estados, reforçando o papel do Tribunal Europeu de Justiça, assegurando assim a promoção da liberalização dos serviços a partir de orientações e normas definidas ao nível supranacional, utilizando um quadro jurídico que lhe é favorável, que dá primado à concorrência capitalista.
Quanto à energia, o grande patronato procura ultrapassar as actuais contradições quanto ao controlo deste sector público estratégico para o desenvolvimento de um país. Os grandes grupos económico-financeiros dos países com maior poder económico – veja-se o caso da França ou da Espanha – querem liberalizar e privatizar as empresas públicas do sector de energia dos respectivos (e dos outros) países, desde que seja garantido o seu domínio relativamente a estas. Isto é, apesar de todos os grandes grupos económico-financeiros promoverem este autêntico assalto e saque gigantesco do património público, não deixam de competir entre si pelo controlo do processo de concentração do sector da energia.
Os trabalhadores conhecem o real significado destas políticas, aliás, sentem bem as suas consequências: o desemprego, a precarização do trabalho e a perda de valor dos salários, a degradação premeditada dos serviços públicos, para sua posterior liberalização (mais ou menos rápida), que acabará com a sua privatização.
Seguramente...
Seguramente, em torno desta nova cimeira europeia, assistiremos ao desenrolar de mais um sem número de «boas intenções» (de que o inferno...) e de objectivos de criação de milhões de empregos (como aquando da criação do mercado interno, da criação do euro,... lembram-se?) e de mais umas quantas ideias muito bem «embrulhadas».
Seguramente, assistiremos novamente ao desfilar de uns quantos responsáveis do Governo PS/Sócrates e de extremosos «especialistas», «comentadores independentes» e «entendidos na matéria» que procurarão justificar desta forma as medidas e políticas aí maquilhadas, procurando escamotear que estas tiveram e têm como consequências exactamente o contrário do que os seus promotores propagandearam durante anos e anos e continuam a propagandear, alimentando um ciclo de mais e mais do mesmo, ou seja, mais e uma vez mais a política de direita.
Também seguramente, cada um de nós, cada homem e mulher que vive do seu trabalho, não deixará de confrontar tudo o que lhe irão procurar impingir com a sua experiência vivida, seja no local de trabalho, seja quanto ao real (des)valor do seu salário, quanto a todas as medidas concretas (e de direita) que farão com que trabalhe mais horas e anos e tenha menos acesso à saúde, à educação, à segurança social, à cultura e ao lazer. Com a consciência de que a luta é o único caminho!
Não por acaso, antecedendo a cimeira de chefes de Estado e de governo dos países da UE que hoje se inicia, realizou-se, na semana passada, o que se poderia designar como uma «assembleia» do grande patronato na Europa.
Neste espaço, apelidado de «número 1» do diálogo entre o grande patronato e responsáveis governamentais e da Comissão Europeia, participaram nada mais nada menos que: a actual Presidência austríaca do Conselho, o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso e os comissários responsáveis pelas áreas das empresas e da indústria, do ambiente, da concorrência, da ciência e da investigação e da sociedade da informação e meios de comunicação. Participaram ainda os responsáveis governamentais dos chamados «programas nacionais de reforma» de cada país – presume-se que igualmente do Governo PS/Sócrates –, assim como um representante do governo dos Estados Unidos.
O encontro foi concluído com mais uma apresentação do caderno de encargos do grande patronato, tendo em conta a cimeira.
O saque gigantesco
Escondendo mal a sua satisfação com os aspectos essenciais das políticas promovidas na UE e realizadas nos diferentes países, o grande patronato na Europa exige mais e mais depressa. Apenas dois exemplos: a liberalização dos serviços e a sua concretização no caso da energia.
Valorizando o avanço no processo de adopção da directiva que liberaliza os serviços, incluindo serviços públicos, ao nível da UE, o grande patronato usa o que está escrito nos Tratados – e sublinha que desde de Roma, em 1957 –, exigindo que nada deverá obstaculizar a sua «liberdade» de vender serviços, de explorar a torto e a direito e de ultrapassar a soberania dos Estados, reforçando o papel do Tribunal Europeu de Justiça, assegurando assim a promoção da liberalização dos serviços a partir de orientações e normas definidas ao nível supranacional, utilizando um quadro jurídico que lhe é favorável, que dá primado à concorrência capitalista.
Quanto à energia, o grande patronato procura ultrapassar as actuais contradições quanto ao controlo deste sector público estratégico para o desenvolvimento de um país. Os grandes grupos económico-financeiros dos países com maior poder económico – veja-se o caso da França ou da Espanha – querem liberalizar e privatizar as empresas públicas do sector de energia dos respectivos (e dos outros) países, desde que seja garantido o seu domínio relativamente a estas. Isto é, apesar de todos os grandes grupos económico-financeiros promoverem este autêntico assalto e saque gigantesco do património público, não deixam de competir entre si pelo controlo do processo de concentração do sector da energia.
Os trabalhadores conhecem o real significado destas políticas, aliás, sentem bem as suas consequências: o desemprego, a precarização do trabalho e a perda de valor dos salários, a degradação premeditada dos serviços públicos, para sua posterior liberalização (mais ou menos rápida), que acabará com a sua privatização.
Seguramente...
Seguramente, em torno desta nova cimeira europeia, assistiremos ao desenrolar de mais um sem número de «boas intenções» (de que o inferno...) e de objectivos de criação de milhões de empregos (como aquando da criação do mercado interno, da criação do euro,... lembram-se?) e de mais umas quantas ideias muito bem «embrulhadas».
Seguramente, assistiremos novamente ao desfilar de uns quantos responsáveis do Governo PS/Sócrates e de extremosos «especialistas», «comentadores independentes» e «entendidos na matéria» que procurarão justificar desta forma as medidas e políticas aí maquilhadas, procurando escamotear que estas tiveram e têm como consequências exactamente o contrário do que os seus promotores propagandearam durante anos e anos e continuam a propagandear, alimentando um ciclo de mais e mais do mesmo, ou seja, mais e uma vez mais a política de direita.
Também seguramente, cada um de nós, cada homem e mulher que vive do seu trabalho, não deixará de confrontar tudo o que lhe irão procurar impingir com a sua experiência vivida, seja no local de trabalho, seja quanto ao real (des)valor do seu salário, quanto a todas as medidas concretas (e de direita) que farão com que trabalhe mais horas e anos e tenha menos acesso à saúde, à educação, à segurança social, à cultura e ao lazer. Com a consciência de que a luta é o único caminho!