O fim escola pública
Meia centena de deputados trabalhistas opuseram-se ao projecto do governo de Tony Blair de privatização das escolas públicas. Os conservadores vieram em seu socorro e garantiram a aprovação da medida.
Governo britânico quer privatizar escolas públicas
Em 2003, o governo trabalhista impôs um forte aumento das propinas das universidades, que chegam a atingir os três mil euros por ano, obrigando os estudantes a endividarem-se para iniciar ou prosseguir os estudos.
Na semana passada, um projecto de diploma aprovado na generalidade pretende autorizar as escolas públicas a autonomizarem-se do Estado e das autoridades locais. Para tanto poderão passar a ser geridas por uma fundação independente e procurar financiamentos privados junto de todo tipo de entidades, desde associações religiosas, famílias de alunos, empresas ou universidades.
Designadas de forma reveladora como trust schools, (trust é a designação de um monopólio capitalista) a criação destas futuras «instituições» é contestada pela maioria dos militantes trabalhistas. Segundo uma sondagem YouGov, publicada dia 13, apenas 25 por cento são favoráveis à reforma, embora destes só 16 por cento vejam como positivo o financiamento privado das escolas.
A polémica atingiu o próprio grupo parlamentar da maioria, onde 50 deputados decidiram rebelar-se contra esta visão utraliberal do primeiro-ministro, votando contra o projecto.
Valeu a Blair o apoio da oposição conservadora. Com 453 votos a favor e 115 contra, o texto passou folgadamente à Comissão, onde será discutido antes de regressar ao plenário.
Mas mesmo sem conhecerem a versão definitiva da lei, vários «parceiros» já anunciaram que não deixarão escapar esta oportunidade. Entre eles, estão empresas como a Microsoft, grandes firmas de auditoria como a KPMG ou mesmo a igreja anglicana.
As razões do seu interesse estão bem de ver. Para além da publicidade fácil, estes «parceiros» obtêm a possibilidade de moldar as novas gerações de acordo com os seus interesses, introduzindo novos programas e critérios de selecção que inevitavelmente alargarão as franjas de excluídos na sociedade britânica.
Por outro lado, esta reforma é um convite às instituições religiosas para recuperarem o controlo do sistema, o que conduzirá à sua desagregação e guetização.
Mas os deputados trabalhistas opositores colocam outras objecções ao projecto, como seja a liberdade dada aos trust schools para recrutarem o pessoal docente, alertando que muitos professores correrão o risco de serem discriminados, designadamente em função de convicções políticas ou religiosas. Porém, ainda mais grave é o facto de estas escolas poderem também escolher os seus alunos, o que põe em causa um direito básico até inquestionável no sistema público.
Na semana passada, um projecto de diploma aprovado na generalidade pretende autorizar as escolas públicas a autonomizarem-se do Estado e das autoridades locais. Para tanto poderão passar a ser geridas por uma fundação independente e procurar financiamentos privados junto de todo tipo de entidades, desde associações religiosas, famílias de alunos, empresas ou universidades.
Designadas de forma reveladora como trust schools, (trust é a designação de um monopólio capitalista) a criação destas futuras «instituições» é contestada pela maioria dos militantes trabalhistas. Segundo uma sondagem YouGov, publicada dia 13, apenas 25 por cento são favoráveis à reforma, embora destes só 16 por cento vejam como positivo o financiamento privado das escolas.
A polémica atingiu o próprio grupo parlamentar da maioria, onde 50 deputados decidiram rebelar-se contra esta visão utraliberal do primeiro-ministro, votando contra o projecto.
Valeu a Blair o apoio da oposição conservadora. Com 453 votos a favor e 115 contra, o texto passou folgadamente à Comissão, onde será discutido antes de regressar ao plenário.
Mas mesmo sem conhecerem a versão definitiva da lei, vários «parceiros» já anunciaram que não deixarão escapar esta oportunidade. Entre eles, estão empresas como a Microsoft, grandes firmas de auditoria como a KPMG ou mesmo a igreja anglicana.
As razões do seu interesse estão bem de ver. Para além da publicidade fácil, estes «parceiros» obtêm a possibilidade de moldar as novas gerações de acordo com os seus interesses, introduzindo novos programas e critérios de selecção que inevitavelmente alargarão as franjas de excluídos na sociedade britânica.
Por outro lado, esta reforma é um convite às instituições religiosas para recuperarem o controlo do sistema, o que conduzirá à sua desagregação e guetização.
Mas os deputados trabalhistas opositores colocam outras objecções ao projecto, como seja a liberdade dada aos trust schools para recrutarem o pessoal docente, alertando que muitos professores correrão o risco de serem discriminados, designadamente em função de convicções políticas ou religiosas. Porém, ainda mais grave é o facto de estas escolas poderem também escolher os seus alunos, o que põe em causa um direito básico até inquestionável no sistema público.