Violência nas farmacêuticas
O clima laboral na Astellas Farma (ex-Yamanouchi) começou a degradar-se acentuadamente após uma reunião em que o director-geral esgrimiu um chicote, fazendo-o estalar ameaçadoramente perante os trabalhadores.
Importa é pôr termo aos desmandos que atingem vezes de mais os profissionais de informação médica
A denúncia é feita pelo Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do Centro Sul e Ilhas, que prepara uma tomada de posição pública.
Álvaro Rana, do Sinquifa/CGTP-IN, referiu ao Avante! que «o degradado e intolerável clima de trabalho que se vem arrastando, nos últimos três anos», naquela multinacional – sediada em Paço d’ Arcos e que emprega cerca de 80 pessoas, a maioria das quais são profissionais de informação médica – assume «uma dimensão preocupante, entre os muitos casos» que são do conhecimento do sindicato.
Lembrou, a propósito, que os antigos delegados de propaganda médica sofreram múltiplas restrições, por via legal, «a maior parte delas demonstrando que quem fez as leis não conhece as condições em que é exercida a nossa profissão». Além disso, têm surgido pseudo-regulamentos, que, «mais do que estabelecerem normas éticas e disciplinares, só têm servido para satisfazer velhas aspirações de poder das empresas farmacêuticas», sector onde predominam multinacionais.
Em praticamente todas as unidades «é enorme a pressão para aumentar as vendas», refere Álvaro Rana, realçando o facto de que, apesar de todas as dificuldades, «os trabalhadores resistem», como sucede actualmente na Novartis, onde nem todos os 18 atingidos aceitaram o despedimento colectivo.
Nas empresas, «nem pensar» em reuniões sindicais. Nestas condições, «são os trabalhadores que vêm ao sindicato, expor os seus problemas e reunir».
O brainstorming
No dia 11 de Setembro de 2003 – relata o sindicalista – teve lugar num hotel do Estoril uma reunião extraordinária sobre os resultados da informação médica da ainda Yamanouchi (a fusão com a Fujisawa, de que resultou a Astellas Farma, ocorreu a partir de Abril de 2005), com o director-geral, «um belga de nome Piet Dury, que falou uma meia hora sobre a intolerável quebra nas vendas do principal produto, no trimestre anterior».
Para ultrapassar esta situação, conta Álvaro Rana, o director-geral propôs a realização de um brainstorming (reunião informal para «agitar cérebros»). Aquilo que fora apresentado como a preparação de uma nova estratégia, reduziu-se, «no fundamental, a decorar um discurso, que todos os delegados repetiriam nos seus contactos profissionais». Foi-se gerando «um ambiente bastante tenso e intimidatório», extravasando o programa anunciado previamente.
Depois de uma última hora, desse brainstorming, em que foi exigido que cada trabalhador elaborasse um plano de acção para a sua zona, o director-geral «tomou a palavra, reafirmou o discurso ameaçador com que começara a reunião e, a dada altura, de debaixo da mesa onde se sentava, e que estava coberta por um pano até ao chão, retirou um enorme chicote, parecido ao que usam os domadores no circo, agitou-o várias vezes no ar, fazendo-o estalar, ao mesmo tempo que gritava coisas do género “isto é o que vos espera, se não dermos a volta à situação das vendas”».
Esta violenta experiência «deu origem a uma série de conflitos e demissões» e vários profissionais tiveram, ou que recorrer aos tribunais, ou que recorrer à baixa médica, por desequilíbrios físicos e psicológicos.
Ao denunciar este caso, explica Álvaro Rana, «o nosso objectivo principal é alertar a opinião, para que compreenda que é demasiado frequente os profissionais de informação médica sofrerem terríveis perseguições e violências inadmissíveis». «Importa é combater estas situações e pôr termo aos desmandos», conclui.
Álvaro Rana, do Sinquifa/CGTP-IN, referiu ao Avante! que «o degradado e intolerável clima de trabalho que se vem arrastando, nos últimos três anos», naquela multinacional – sediada em Paço d’ Arcos e que emprega cerca de 80 pessoas, a maioria das quais são profissionais de informação médica – assume «uma dimensão preocupante, entre os muitos casos» que são do conhecimento do sindicato.
Lembrou, a propósito, que os antigos delegados de propaganda médica sofreram múltiplas restrições, por via legal, «a maior parte delas demonstrando que quem fez as leis não conhece as condições em que é exercida a nossa profissão». Além disso, têm surgido pseudo-regulamentos, que, «mais do que estabelecerem normas éticas e disciplinares, só têm servido para satisfazer velhas aspirações de poder das empresas farmacêuticas», sector onde predominam multinacionais.
Em praticamente todas as unidades «é enorme a pressão para aumentar as vendas», refere Álvaro Rana, realçando o facto de que, apesar de todas as dificuldades, «os trabalhadores resistem», como sucede actualmente na Novartis, onde nem todos os 18 atingidos aceitaram o despedimento colectivo.
Nas empresas, «nem pensar» em reuniões sindicais. Nestas condições, «são os trabalhadores que vêm ao sindicato, expor os seus problemas e reunir».
O brainstorming
No dia 11 de Setembro de 2003 – relata o sindicalista – teve lugar num hotel do Estoril uma reunião extraordinária sobre os resultados da informação médica da ainda Yamanouchi (a fusão com a Fujisawa, de que resultou a Astellas Farma, ocorreu a partir de Abril de 2005), com o director-geral, «um belga de nome Piet Dury, que falou uma meia hora sobre a intolerável quebra nas vendas do principal produto, no trimestre anterior».
Para ultrapassar esta situação, conta Álvaro Rana, o director-geral propôs a realização de um brainstorming (reunião informal para «agitar cérebros»). Aquilo que fora apresentado como a preparação de uma nova estratégia, reduziu-se, «no fundamental, a decorar um discurso, que todos os delegados repetiriam nos seus contactos profissionais». Foi-se gerando «um ambiente bastante tenso e intimidatório», extravasando o programa anunciado previamente.
Depois de uma última hora, desse brainstorming, em que foi exigido que cada trabalhador elaborasse um plano de acção para a sua zona, o director-geral «tomou a palavra, reafirmou o discurso ameaçador com que começara a reunião e, a dada altura, de debaixo da mesa onde se sentava, e que estava coberta por um pano até ao chão, retirou um enorme chicote, parecido ao que usam os domadores no circo, agitou-o várias vezes no ar, fazendo-o estalar, ao mesmo tempo que gritava coisas do género “isto é o que vos espera, se não dermos a volta à situação das vendas”».
Esta violenta experiência «deu origem a uma série de conflitos e demissões» e vários profissionais tiveram, ou que recorrer aos tribunais, ou que recorrer à baixa médica, por desequilíbrios físicos e psicológicos.
Ao denunciar este caso, explica Álvaro Rana, «o nosso objectivo principal é alertar a opinião, para que compreenda que é demasiado frequente os profissionais de informação médica sofrerem terríveis perseguições e violências inadmissíveis». «Importa é combater estas situações e pôr termo aos desmandos», conclui.