Pressão imperialista na guerra do gás
Os EUA forçam, a contra-relógio, a adesão de Kiev à NATO
O tratamento da recente «guerra» do gás entre Rússia e Ucrânia nas páginas da imprensa e comunicação social da burguesia foi pródigo em fixar o superficial e o acessório para deixar escapar o essencial.
A nota dominante constituiu, naturalmente, a condenação da «chantagem» de Moscovo sobre a Ucrânia, não iludindo a estupefacção e rancor perante a «veleidade» russa de exigir a Kiev um preço de mercado para o fornecimento de gás. Analistas e profissionais da opinião, que, na defesa dos interesses de classe prevalecentes, fazem da vida a devoção ao «Deus-mercado», abandonaram as suas preces, logo que o assunto «cheirou» a gás para a Ucrânia.
A secretária de Estado dos EUA, em declarações da semana passada, pôs o dedo na ferida. Criticando a «falta de preparação de Moscovo para se comportar de forma responsável como fornecedor de recursos energéticos» e insistindo na necessidade de desmontar as antigas estruturas soviéticas, Condoleezza Rice advogou uma transição gradual para preços de mercado no fornecimento de gás russo à Ucrânia.
Anteriormente, já tinha deixado o aviso: se quer integrar-se na economia mundial, a Rússia tem que funcionar segundo as suas regras – isto é, submeter-se aos ditames de Washington.
Abstraindo os factores que marcam a conjuntura, da cisão nas hostes «laranjas» e as divisões na esfera do poder em Kiev, na véspera das importantes eleições legislativas de Março, marcadas pelo reordenamento constitucional que retira poderes ao presidente; passando pelo regabofe da redistribuição da propriedade, às infindáveis maquinações em torno do chorudo negócio do gás, aquilo que ressalta como aspecto central é a crescente apetência capitalista pelos abundantes recursos energéticos da Rússia e a renovada escalada do imperialismo para leste. A expansão da NATO e a deslocação de novas capacidades militares para perto das fronteiras russas, como recentemente comprovam o acordo de instalação de quatro bases militares dos EUA na Roménia e o anúncio da criação de uma força de intervenção da Europa de Leste (Eetaf) sediada neste país, conjugam-se com uma nova vaga de intervencionismo, já em território da ex-URSS, através da série de «revoluções coloridas».
O Estado da ucrainização imperialista que os Estados Unidos promovem e financiam activamente em Kiev - e que Moscovo «subsidiou» durante mais de 10 anos -, representa, indubitavelmente, uma plataforma chave da estratégia imperialista virada contra a própria Rússia capitalista.
Confrontados agora com o espectro do fracasso da «revolução laranja», e a ameaça de mudanças sensíveis no clima geopolítico que paira na C.E.I., os EUA forçam, a contra-relógio, a adesão de Kiev à NATO, passo que não conta com o apoio da maioria da população.
É em prol desta Ucrânia e do seu precário regime títere que Rice e os EUA clamam pela excepção, nos antípodas das terapias de choque prescritas nos anos 90, de um preço «acessível» para o gás…
O diferendo do gás, que o obscuro acordo entre a Rússia e a Ucrânia, anunciado há dias, dificilmente resolverá, veio relevar de forma clara, também no caso da Ucrânia, a condição insustentável e artificial dos verdadeiros «Estados párias» do Capital existentes em muitos dos países da região. O caso da fragmentada Geórgia, onde o regime nacionalista reaccionário hoje personificado por Saakashvili só sobrevive à custa da injecção financeira dos EUA, que chegam a pagar os salários dos ministros, é sempre recorrente.
Realidade que espelha as contradições e dificuldades com que se depara o processo de restauração e consolidação capitalistas na ex-URSS, confirmando o carácter profundamente retrógrado da sua divisão e desaparecimento.
Por outro lado, apenas 15 anos após a derrocada de 1991, a emergência de um capitalismo nacional na Rússia, país riquíssimo, apesar de globalmente enfraquecido, perspectiva a irrupção de atritos na imposição da nova ordem mundial pelos EUA.
O agravamento de novas contradições inter-capitalistas, que bate à porta, exigirá a mobilização e resposta adequada dos povos e trabalhadores.
A nota dominante constituiu, naturalmente, a condenação da «chantagem» de Moscovo sobre a Ucrânia, não iludindo a estupefacção e rancor perante a «veleidade» russa de exigir a Kiev um preço de mercado para o fornecimento de gás. Analistas e profissionais da opinião, que, na defesa dos interesses de classe prevalecentes, fazem da vida a devoção ao «Deus-mercado», abandonaram as suas preces, logo que o assunto «cheirou» a gás para a Ucrânia.
A secretária de Estado dos EUA, em declarações da semana passada, pôs o dedo na ferida. Criticando a «falta de preparação de Moscovo para se comportar de forma responsável como fornecedor de recursos energéticos» e insistindo na necessidade de desmontar as antigas estruturas soviéticas, Condoleezza Rice advogou uma transição gradual para preços de mercado no fornecimento de gás russo à Ucrânia.
Anteriormente, já tinha deixado o aviso: se quer integrar-se na economia mundial, a Rússia tem que funcionar segundo as suas regras – isto é, submeter-se aos ditames de Washington.
Abstraindo os factores que marcam a conjuntura, da cisão nas hostes «laranjas» e as divisões na esfera do poder em Kiev, na véspera das importantes eleições legislativas de Março, marcadas pelo reordenamento constitucional que retira poderes ao presidente; passando pelo regabofe da redistribuição da propriedade, às infindáveis maquinações em torno do chorudo negócio do gás, aquilo que ressalta como aspecto central é a crescente apetência capitalista pelos abundantes recursos energéticos da Rússia e a renovada escalada do imperialismo para leste. A expansão da NATO e a deslocação de novas capacidades militares para perto das fronteiras russas, como recentemente comprovam o acordo de instalação de quatro bases militares dos EUA na Roménia e o anúncio da criação de uma força de intervenção da Europa de Leste (Eetaf) sediada neste país, conjugam-se com uma nova vaga de intervencionismo, já em território da ex-URSS, através da série de «revoluções coloridas».
O Estado da ucrainização imperialista que os Estados Unidos promovem e financiam activamente em Kiev - e que Moscovo «subsidiou» durante mais de 10 anos -, representa, indubitavelmente, uma plataforma chave da estratégia imperialista virada contra a própria Rússia capitalista.
Confrontados agora com o espectro do fracasso da «revolução laranja», e a ameaça de mudanças sensíveis no clima geopolítico que paira na C.E.I., os EUA forçam, a contra-relógio, a adesão de Kiev à NATO, passo que não conta com o apoio da maioria da população.
É em prol desta Ucrânia e do seu precário regime títere que Rice e os EUA clamam pela excepção, nos antípodas das terapias de choque prescritas nos anos 90, de um preço «acessível» para o gás…
O diferendo do gás, que o obscuro acordo entre a Rússia e a Ucrânia, anunciado há dias, dificilmente resolverá, veio relevar de forma clara, também no caso da Ucrânia, a condição insustentável e artificial dos verdadeiros «Estados párias» do Capital existentes em muitos dos países da região. O caso da fragmentada Geórgia, onde o regime nacionalista reaccionário hoje personificado por Saakashvili só sobrevive à custa da injecção financeira dos EUA, que chegam a pagar os salários dos ministros, é sempre recorrente.
Realidade que espelha as contradições e dificuldades com que se depara o processo de restauração e consolidação capitalistas na ex-URSS, confirmando o carácter profundamente retrógrado da sua divisão e desaparecimento.
Por outro lado, apenas 15 anos após a derrocada de 1991, a emergência de um capitalismo nacional na Rússia, país riquíssimo, apesar de globalmente enfraquecido, perspectiva a irrupção de atritos na imposição da nova ordem mundial pelos EUA.
O agravamento de novas contradições inter-capitalistas, que bate à porta, exigirá a mobilização e resposta adequada dos povos e trabalhadores.