Angela Merkel contra Guantanamo
A chanceler alemã Angela Merkel criticou a existência do campo de prisioneiros de Guantanamo e defendeu o encerramento, em declarações ao Der Spiegel.
«É preciso encontrar outras formas de lidar com prisioneiros»
«Uma instituição como Guantanamo não pode nem deve existir assim. É preciso encontrar outras formas de lidar com prisioneiros», afirmou a chanceler na entrevista à edição de sábado do semanário.
Angela Merkel garantiu que irá abordar este tema no seu encontro com o presidente norte-americano George W. Bush, que se realiza amanhã, em Washington. Mas a chefe do governo alemão especificou que não se trata de «fazer exigências», mas simplesmente de «trocar opiniões». Afinal, a sua visita aos Estados Unidos tem como objectivo melhorar as relações bilaterais entre Washington e Berlim.
Na edição de segunda-feira, o Der Spiegel noticiou que a Alemanha e a Turquia pretendem liderar uma iniciativa a favor da libertação do germano-turco Murat Kurnaz, preso em Guantanamo há quatro anos. O governo de Ancara reagiu dizendo que Kurnaz deverá ser libertado em Março.
Recentemente o governo alemão, então liderado por Gerhard Schroeder, interveio junto das autoridades dos EUA, mas estas responderam que só a Turquia estava mandatada para fazer diligências diplomáticas em nome de Kunatz.
Supõe-se que esta iniciativa do governo alemão não vise a entrada do prisioneiro no seu território já que em 2004 notificou os países signatários do Tratado de Schengen para impedirem a entrada de Kurnaz no espaço europeu, com o argumento de que este «é um perigo para a segurança e a ordem pública». As autoridades germânicas receavam que a prisão em Guantanamo durante vários anos tenha servido para tornar Kurnaz um radical islâmico.
Estão presas pelo menos 500 pessoas na base militar de Guantanamo, controlada pelos EUA. O governo norte-americano afirma que as considera suspeitas de pertencerem à Al Qaida, ou às milícias talibãs do Afeganistão. Muitos dos prisioneiros permanecem em Guantanamo desde 2002 sem queixa formada e sem poderem recorrer a advogados, em desrespeito dos direitos dos presos internacionais e da Convenção de Genebra. Os relatos e denúncias de maus tratos e torturas sucedem-se desde então.
Refém seria espia
O jornal alemão Die Welt noticiou que a ex-refém Susanne Osthoff trabalhou «ocasionalmente» para os serviços secretos alemães (BND) até Maio de 2005. Na edição de sábado, a publicação refere que Osthoff, raptada em 2005 no Iraque pelo grupo Abu Musab al-Zarqaui, recebeu «pequenas somas em dinheiro» num total de três mil euros pelas informações que forneceu aos agentes secretos.
Susanne Osthoff nega as acusações de espionagem, embora admitindo que em algumas ocasiões informou membros da embaixada alemã no Iraque sobre a situação no país, mas apenas a título pessoal e por amizade.
«Quando se vive num país como o Iraque e se sabe que uma determinada estrada está cortada, naturalmente que se faz um telefonema para os amigos que querem viajar, a avisá-los. Não interessa saber para quem eles trabalham. É pura protecção e um dever», afirmou em entrevista à televisão ARD, citada pela Lusa.
Susanne Osthoff esteve no Iraque supostamente integrada numa organização de ajuda humanitária e foi raptada em Maio passado.
Angela Merkel garantiu que irá abordar este tema no seu encontro com o presidente norte-americano George W. Bush, que se realiza amanhã, em Washington. Mas a chefe do governo alemão especificou que não se trata de «fazer exigências», mas simplesmente de «trocar opiniões». Afinal, a sua visita aos Estados Unidos tem como objectivo melhorar as relações bilaterais entre Washington e Berlim.
Na edição de segunda-feira, o Der Spiegel noticiou que a Alemanha e a Turquia pretendem liderar uma iniciativa a favor da libertação do germano-turco Murat Kurnaz, preso em Guantanamo há quatro anos. O governo de Ancara reagiu dizendo que Kurnaz deverá ser libertado em Março.
Recentemente o governo alemão, então liderado por Gerhard Schroeder, interveio junto das autoridades dos EUA, mas estas responderam que só a Turquia estava mandatada para fazer diligências diplomáticas em nome de Kunatz.
Supõe-se que esta iniciativa do governo alemão não vise a entrada do prisioneiro no seu território já que em 2004 notificou os países signatários do Tratado de Schengen para impedirem a entrada de Kurnaz no espaço europeu, com o argumento de que este «é um perigo para a segurança e a ordem pública». As autoridades germânicas receavam que a prisão em Guantanamo durante vários anos tenha servido para tornar Kurnaz um radical islâmico.
Estão presas pelo menos 500 pessoas na base militar de Guantanamo, controlada pelos EUA. O governo norte-americano afirma que as considera suspeitas de pertencerem à Al Qaida, ou às milícias talibãs do Afeganistão. Muitos dos prisioneiros permanecem em Guantanamo desde 2002 sem queixa formada e sem poderem recorrer a advogados, em desrespeito dos direitos dos presos internacionais e da Convenção de Genebra. Os relatos e denúncias de maus tratos e torturas sucedem-se desde então.
Refém seria espia
O jornal alemão Die Welt noticiou que a ex-refém Susanne Osthoff trabalhou «ocasionalmente» para os serviços secretos alemães (BND) até Maio de 2005. Na edição de sábado, a publicação refere que Osthoff, raptada em 2005 no Iraque pelo grupo Abu Musab al-Zarqaui, recebeu «pequenas somas em dinheiro» num total de três mil euros pelas informações que forneceu aos agentes secretos.
Susanne Osthoff nega as acusações de espionagem, embora admitindo que em algumas ocasiões informou membros da embaixada alemã no Iraque sobre a situação no país, mas apenas a título pessoal e por amizade.
«Quando se vive num país como o Iraque e se sabe que uma determinada estrada está cortada, naturalmente que se faz um telefonema para os amigos que querem viajar, a avisá-los. Não interessa saber para quem eles trabalham. É pura protecção e um dever», afirmou em entrevista à televisão ARD, citada pela Lusa.
Susanne Osthoff esteve no Iraque supostamente integrada numa organização de ajuda humanitária e foi raptada em Maio passado.