A estratégia da bifana
Os apoios às diferentes candidaturas presidenciais continuam a revelar-se e, ao mesmo tempo, a revelar quem apoia quem e o quê, e o que estará por detrás de cada apoio. Alguns dos apoios, se não surpreendem ninguém – apesar dos protestos de fidelidade aos «princípios e valores» que ouvimos no passado da boca de certos apoiantes – não deixam eventualmente de chocar os menos preparados para reviravoltas, embora estas tenham o tempo suficiente para não serem consideradas vertiginosas mas bastante «diferidas» e com a lentidão das travessias dos respectivos desertos.
Não foi, pois, grande surpresa, ver o nome de um ex-dirigente partidário e antigo responsável por uma das maiores iniciativas do PCP – a Festa do Avante – no séquito de Mário Soares. Antes de abandonar a tarefa, já ele dava entrevistas a coloridos semanários burgueses onde desdenhava desse grande convívio político, cultural e popular, apontando-lhe o defeito – aliás inexistente – de se haver transformado numa festa «da bifana», com a gente a pensar se o desejo dele se aproximava mais do caviar e do champanhe.
Também não foi surpresa apanharmos no rol de apoiantes de Manuel Alegre o nome de um «renovador» de primeiríssima água, que apenas veio mostrar mais uma vez para que lado pendem as suas inclinações políticas, disfarçadas muito tempo de literárias, como quem, mascarado de fantasma, retira o lençol da cabeça e se revela à luz do dia como parceiro de um anticomunista com provas dadas.
Do outro lado do espectro – deixemos em paz Louçã e o seu saco de trânsfugas arrependidos – Cavaco Silva soma agora o apoio de um major autarca, o homem que se zangou com o PSD mas conserva o coração tão à direita como o partido que o apadrinhou e hoje surge na esteira das declarações do patrão da Sonae, considerando também ele que Sócrates é o melhor e só Cavaco o supera.
Estas escolhas serôdias são mesmo assim. Comanda-as a vontade e não a inteligência nem os princípios. Nestes momentos de preparação para o terçar das armas da campanha que aí vem e onde podem resolver-se, segundo os posteriores resultados, questões fundas para o País, há opções que visam em primeiro lugar os umbigos dos que as tomam. Há até prognósticos que não passam de meros desejos. Como os que José António Saraiva fez no Expresso, dizendo que a fé lhe faz crer que Cavaco vencerá à primeira volta, Soares e Alegre empatam e Louçã virá à frente de Jerónimo de Sousa. Nem sequer se trata de uma sondagem. É apenas uma vontadinha. Todos estes apoios não passam de um obscuro apetite de morder na bifana certa.
Não foi, pois, grande surpresa, ver o nome de um ex-dirigente partidário e antigo responsável por uma das maiores iniciativas do PCP – a Festa do Avante – no séquito de Mário Soares. Antes de abandonar a tarefa, já ele dava entrevistas a coloridos semanários burgueses onde desdenhava desse grande convívio político, cultural e popular, apontando-lhe o defeito – aliás inexistente – de se haver transformado numa festa «da bifana», com a gente a pensar se o desejo dele se aproximava mais do caviar e do champanhe.
Também não foi surpresa apanharmos no rol de apoiantes de Manuel Alegre o nome de um «renovador» de primeiríssima água, que apenas veio mostrar mais uma vez para que lado pendem as suas inclinações políticas, disfarçadas muito tempo de literárias, como quem, mascarado de fantasma, retira o lençol da cabeça e se revela à luz do dia como parceiro de um anticomunista com provas dadas.
Do outro lado do espectro – deixemos em paz Louçã e o seu saco de trânsfugas arrependidos – Cavaco Silva soma agora o apoio de um major autarca, o homem que se zangou com o PSD mas conserva o coração tão à direita como o partido que o apadrinhou e hoje surge na esteira das declarações do patrão da Sonae, considerando também ele que Sócrates é o melhor e só Cavaco o supera.
Estas escolhas serôdias são mesmo assim. Comanda-as a vontade e não a inteligência nem os princípios. Nestes momentos de preparação para o terçar das armas da campanha que aí vem e onde podem resolver-se, segundo os posteriores resultados, questões fundas para o País, há opções que visam em primeiro lugar os umbigos dos que as tomam. Há até prognósticos que não passam de meros desejos. Como os que José António Saraiva fez no Expresso, dizendo que a fé lhe faz crer que Cavaco vencerá à primeira volta, Soares e Alegre empatam e Louçã virá à frente de Jerónimo de Sousa. Nem sequer se trata de uma sondagem. É apenas uma vontadinha. Todos estes apoios não passam de um obscuro apetite de morder na bifana certa.