Perigosas simpatias
Dificilmente se poderá ser peremptório na afirmação de que a deslocação do primeiro-ministro ao norte do país, — escassos dias após as eleições autárquicas, para na pessoa do major Valentim Loureiro depositar garantias quanto aos investimentos na rede do metro do Porto — seja mais do que uma mera coincidência. Mas que pelo acto em si, pelo momento escolhido e pelos rasgados elogios do recém reeleito presidente da câmara de Gondomar a José Sócrates dúvidas não haverá sobre o facto deste episódio se revestir de um incontornável significado político. Um significado que pode ir para além do mero facto de Sócrates não ter podido resistir à tentação de jogar Valentim Loureiro contra o PSD e alguns dos seus eleitos da região.
Coincidência ou não a opção do primeiro-ministro, particularmente pela escolha do momento, é no mínimo estranha. E sobretudo pouco edificante para a indispensável acção de credibilização política. Tanto mais que no PS não é difícil encontrar ligações e simpatias, no mínimo pouco inocentes, com casos vários que contribuem para a descredibilização da vida política. Não basta alguns responsáveis do PS agora se insurgirem com o uso feito, por alguns, das candidaturas de cidadãos eleitores, quando no passado foi esse partido que as instrumentalizou para prosseguir objectivos eleitorais. E não deixa de ser verdade que — apesar das páginas que faltarão para a história ficar melhor contada sobre Felgueiras e a recandidatura vitoriosa da actual presidente da câmara — não são poucas as nuvens por dissipar sobre o alegado conhecimento, por parte do PS, do regresso e dos episódios que o rodearam da sua ex-autarca. E mesmo que isso não possa ser tido como elemento de prova não se podem deixar de registar os reiterados elogios da Fátima Felgueiras a Sócrates e à direcção nacional do PS. Se a isto se adicionar a ostensiva e estranha desvalorização que o PS atribuiu à disputa eleitoral em Oeiras — onde a divisão do eleitorado do PSD lhe abria incontornáveis perspectivas de sucesso — mais parecem ganhar eco os rumores que atribuem esta opção e atitude à simpatia que sectores do PS nutririam por Isaltino Morais.
Somadas todas as parcelas bem se pode dizer que a adição delas obtida revelam uma excessiva coincidência de atitudes, que por acção ou omissão, revelam não poucas e inocentes ligações perigosas.
Coincidência ou não a opção do primeiro-ministro, particularmente pela escolha do momento, é no mínimo estranha. E sobretudo pouco edificante para a indispensável acção de credibilização política. Tanto mais que no PS não é difícil encontrar ligações e simpatias, no mínimo pouco inocentes, com casos vários que contribuem para a descredibilização da vida política. Não basta alguns responsáveis do PS agora se insurgirem com o uso feito, por alguns, das candidaturas de cidadãos eleitores, quando no passado foi esse partido que as instrumentalizou para prosseguir objectivos eleitorais. E não deixa de ser verdade que — apesar das páginas que faltarão para a história ficar melhor contada sobre Felgueiras e a recandidatura vitoriosa da actual presidente da câmara — não são poucas as nuvens por dissipar sobre o alegado conhecimento, por parte do PS, do regresso e dos episódios que o rodearam da sua ex-autarca. E mesmo que isso não possa ser tido como elemento de prova não se podem deixar de registar os reiterados elogios da Fátima Felgueiras a Sócrates e à direcção nacional do PS. Se a isto se adicionar a ostensiva e estranha desvalorização que o PS atribuiu à disputa eleitoral em Oeiras — onde a divisão do eleitorado do PSD lhe abria incontornáveis perspectivas de sucesso — mais parecem ganhar eco os rumores que atribuem esta opção e atitude à simpatia que sectores do PS nutririam por Isaltino Morais.
Somadas todas as parcelas bem se pode dizer que a adição delas obtida revelam uma excessiva coincidência de atitudes, que por acção ou omissão, revelam não poucas e inocentes ligações perigosas.