Ajuste de contas
Os candidatos independentes às autarquias locais, apresentados primeiro como o expoente máximo da democracia participativa quando se tratou de alterar a lei eleitoral, afinal agora já não prestam.
É pelo menos o que diz o truculento Jorge Coelho, responsável do PS pelas autárquicas 2005, que num debate na SIC-Notícias advogou a eliminação de tais candidaturas porque mais não servem para ajustes de contas com os antigos partidos a que estiveram vinculados.
Para o PCP, que sempre considerou que as candidaturas ditas independentes - algumas sem dúvida bem intencionadas - são terreno fértil para encapotar caciquismos e interesses espúrios, dado permitirem o recurso a testas de ferro para esconderem quem de facto maneja na sombra os cordelinhos para ganhar a autarquia, para o PCP, dizia, este volte face não podia ser mais esclarecedor.
Afinal, o que o PS defendia nas candidaturas «independentes» não era a independência dos candidatos em relação às forças políticas, como argumentava, nem tão pouco a alegada maior participação dos cidadãos na vida política, mas tão só o facto de por essa via incentivar, onde lhe desse jeito, a velha máxima do «dividir para reinar».
Ora sucede que, por vezes, a realidade se encarrega de virar o feitiço contra o feiticeiro, e lá se vão por água abaixo os planos tão laboriosamente traçados. Parece ser este o caso, como demonstram os recentes exemplos de Fátima Felgueiras, Isaltino Morais, Valentim Loureiro e Avelino Ferreira Torres. Estes personagens, todos a contas com a justiça e à beira de trocarem as presidenciais cadeiras autárquicas pelo banco dos réus, não aceitaram de bom grado que os respectivos partidos os deixassem cair. Vai daí, recorreram à legislação que os seus próprios partidos aprovaram e aí estão, como candidatos «independentes», ameaçando fazer estragos na contabilidade eleitoral dos antigos patronos.
A isto chama Jorge Coelho ajuste de contas.
Sucede que esta contabilidade está mal contada. É que em qualquer dos casos acima mencionados têm os partidos envolvidos - PS, PSD e CDS - pesadas responsabilidades, já que todos eles alimentaram e ajudaram a engordar os caciques, que hoje se dizem independentes, sem se atreverem a levantar a voz em devido tempo contra métodos de exercício do poder que envergonham qualquer democracia. Sempre era mais uma Câmara a juntar ao rol! Bem vistas as coisas, merecem-se uns aos outros.
É pelo menos o que diz o truculento Jorge Coelho, responsável do PS pelas autárquicas 2005, que num debate na SIC-Notícias advogou a eliminação de tais candidaturas porque mais não servem para ajustes de contas com os antigos partidos a que estiveram vinculados.
Para o PCP, que sempre considerou que as candidaturas ditas independentes - algumas sem dúvida bem intencionadas - são terreno fértil para encapotar caciquismos e interesses espúrios, dado permitirem o recurso a testas de ferro para esconderem quem de facto maneja na sombra os cordelinhos para ganhar a autarquia, para o PCP, dizia, este volte face não podia ser mais esclarecedor.
Afinal, o que o PS defendia nas candidaturas «independentes» não era a independência dos candidatos em relação às forças políticas, como argumentava, nem tão pouco a alegada maior participação dos cidadãos na vida política, mas tão só o facto de por essa via incentivar, onde lhe desse jeito, a velha máxima do «dividir para reinar».
Ora sucede que, por vezes, a realidade se encarrega de virar o feitiço contra o feiticeiro, e lá se vão por água abaixo os planos tão laboriosamente traçados. Parece ser este o caso, como demonstram os recentes exemplos de Fátima Felgueiras, Isaltino Morais, Valentim Loureiro e Avelino Ferreira Torres. Estes personagens, todos a contas com a justiça e à beira de trocarem as presidenciais cadeiras autárquicas pelo banco dos réus, não aceitaram de bom grado que os respectivos partidos os deixassem cair. Vai daí, recorreram à legislação que os seus próprios partidos aprovaram e aí estão, como candidatos «independentes», ameaçando fazer estragos na contabilidade eleitoral dos antigos patronos.
A isto chama Jorge Coelho ajuste de contas.
Sucede que esta contabilidade está mal contada. É que em qualquer dos casos acima mencionados têm os partidos envolvidos - PS, PSD e CDS - pesadas responsabilidades, já que todos eles alimentaram e ajudaram a engordar os caciques, que hoje se dizem independentes, sem se atreverem a levantar a voz em devido tempo contra métodos de exercício do poder que envergonham qualquer democracia. Sempre era mais uma Câmara a juntar ao rol! Bem vistas as coisas, merecem-se uns aos outros.