Coerência e participação

José Catalino (Membro da Comissão Política do CC do PCP)
Estamos a chegar ao fim da primeira semana de campanha eleitoral, e há que afirmar que, como reiteradas vezes o vimos fazendo, votando na CDU no próximo dia 9 de Outubro, as populações sabem que podem contar com eleitos que se baterão pela concretização de uma gestão democrática participada e próxima das populações e que encontram também no trabalho eleitoral da CDU, na natureza e características das suas candidaturas, propostas e iniciativas, a confirmação (e, por esta via, a garantia da continuação) da realização de um trabalho democrático participado próximo das populações.

A preparação das eleições comprova a natureza do projecto da CDU

Apresentando-se sem embaraços junto dos eleitores do Alentejo, a CDU, força política que se vem batendo pelo progresso e o desenvolvimento desta Região, que tenazmente reivindicou a construção da Região Administrativa; a aprovação e envio para Bruxelas de candidaturas necessárias à infra estruturação do sector das águas e do saneamento, ignobilmente engavetadas por José Sócrates (na altura ministro do Ambiente) em 2001, essenciais à resolução dos problemas de abastecimento de água do Alentejo que, se concretizadas em tempo, teriam evitado inúmeras consequências do período de seca vivido nos últimos meses; a força política que, sem hesitações e tibiezas, sempre defendeu e lutou pela concretização de projectos estruturantes para o desenvolvimento Regional (Alqueva, porto de Sines e Aeroporto de Beja); reivindicou soluções, junto com as populações, sempre ignoradas pelos sucessivos governos de direita, para os problemas da Saúde e do Emprego da Região. A CDU é ainda responsável por um património de realizações no poder local que confirmam que com a CDU as populações do Alentejo vivem melhor.
Tal como no trabalho autárquico realizado, também no trabalho eleitoral, e com ele na preparação do novo mandato autárquico, a CDU comprova a natureza do seu projecto político.
No Alentejo como no resto do país onde somos poder, realizamos o presta-contas às populações, atestando que não só realizámos trabalho como não defraudámos expectativas, podendo as populações julgar esclarecida e convenientemente sobre a seriedade dos compromissos dos eleitos da CDU.
Da preparação e constituição de listas, em torno de processos de meses de auscultações, definição de critérios e de prioridades, garantido processos colectivos de apreciação e decisão, e não desta ou daquela «personalidade», resultando escolhas de candidatos reconhecidos pelas populações pela sua competência, trabalho realizado e conhecimento das realidades locais, saldaram-se na participação de mais independentes, mais mulheres e mais jovens das mais variadas profissões.
Uma vez mais, a preparação dos programas eleitorais contaram com amplas auscultações dos problemas e opiniões sentidas pelas populações, garantidas pelos candidatos da CDU em proximidade com estas, traduzindo-se em documentos que revelam o profundo conhecimento sobre a realidade da região e apresentando projectos próprios e coerentes para o seu desenvolvimento.
A insistência na realização de sessões de esclarecimento, em demorados e participados porta a porta, distribuindo e apresentando ampla e antecipadamente as nossas propostas, calcorreando quilómetros, sem prejuízo das mais variadas iniciativas de animação e da utilização de novas tecnologias, diversificando e encontrando as formas de intervenção e abordagem mais adequados às características das populações (SMS e Internet), constituem uma franca preocupação da CDU como condições de sucesso ao esclarecimento e conhecimento das populações das nossas propostas, elevando e credibilizando o debate político e assegurando as melhores condições a uma efectiva participação das populações no Poder local.

Cada voto conta!

Iniciámos, portanto, o período da campanha eleitoral na passada terça-feira com uma grande confiança no trabalho a desenvolver, certos que já ganhámos batalhas políticas decisivas, de participação e organização, situando a coligação eleitoral do PCP como a força que pelo seu projecto, pelas soluções de qualidade, a sua credibilidade e responsabilidade, pode continuar a assegurar o desenvolvimento regional e a melhorar as condições de vida das populações.
É neste contexto que aventais, isqueiros, canetas, bonés com a cara do candidato e outros adereços perdem força na campanha da CDU e apresentam-se como elementos essenciais dos restantes projectos políticos em presença na região – responsáveis pelos atrasos no seu desenvolvimento; pela manutenção de graves problemas sociais; pela desertificação das áreas rurais: elevado índice de envelhecimento da população; elevada taxa de desemprego, superior à média nacional, com especial expressão na sub-região Baixo Alentejo e particularmente marcante na população com baixos níveis de escolaridade, na população rural e na população feminina; baixos níveis de qualificações da população activa.
Em particular, como pode o Partido Socialista assumir compromissos com o povo trabalhador do Alentejo quando no Governo se encontra a preparar mais sacrifícios na elaboração da proposta do Orçamento de Estado (OE) para 2006, sendo de esperar novos ataques aos direitos dos trabalhadores da Função Pública, mais cortes no investimento e ataques aos sectores sociais, com a mercantilização do direito à saúde, à educação e à reforma.
Como pode apresentar-se seriamente perante o eleitorado local depois de ainda «ontem» ter «defraudado» as expectativas relativamente ao Código de Trabalho, «assinando de cruz» o documento aprovado pelo então governo do PSD/CDS-PP.
Tal como no poder também no trabalho eleitoral a CDU faz do contacto com as populações e da sua participação elementos essenciais do seu trabalho, do acerto das suas propostas e da adequação das principais opções às suas necessidades.
Na informação e comunicação, na participação e intervenção das populações na elaboração de propostas e reivindicação de soluções, na sua organização e mobilização, lutando contra o desinteresse e alheamento, contribuímos para que cada um sinta que o seu voto conta, que tem direitos que deve reclamar e que é pela participação que os pode ver respeitados.


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