A manipulação do capital europeu
Está em marcha um complexo e alargado projecto destinado a persuadir as massas europeias e mundiais do interesse e necessidade que haveria em estender a dominação do capital a todos os sectores da sociedade e eliminar as resistências que se interpõem, nomeadamente as estruturas de regulação colectiva, sobretudo o Estado. Esta batalha não se trava apenas no plano prático pelas medidas políticas que nos são propostas e nos podem ser impostas, mas no domínio das consciências que é necessário ganhar pela convicção, utilizando os recursos mais subtis e por vezes subliminares da manipulação e da propaganda. A comunicação social dominante desempenha um papel importante na construção de uma imagem do real com uma aparência de ser a realidade. A manipulação e mesmo a violentação da consciência das massas cresce em paralelo com o acentuar da crise estrutural do capitalismo e a necessidade de garantir e aumentar as suas taxas de lucro e exploração dos trabalhadores e dos povos.
A estratégia de informação
e comunicação
Não surpreende, portanto, o trilho perfilado pela União Europeia (UE) na sua «estratégia de informação e comunicação» e o destaque dado à necessidade de «demonstrar activamente aos cidadãos em que medida a pertença à UE é portadora de benefícios positivos para a sua vida quotidiana» e «inspirar o sentido de orgulho em ser cidadão da Europa». O afastamento das pessoas em relação à UE, manifesto no decréscimo de participação verificado em nove dos antigos Estados-membros nas últimas eleições europeias, preocupa a elite política. Não por sentirem vontade ou necessidade de alterar as suas política neoliberais mas para manter e acentuar o seu carácter predador e explorador, persuadindo as massas trabalhadoras do interesse e necessidade desta política. A «ratificação da Constituição» é enfatizada pela «estratégia», devendo constituir a sua principal prioridade, concentrando recursos financeiros específicos no fomento do debate público tendo em vista as campanhas, sobretudo nos países onde se realizarão referendos.
O exemplo...
O debate que se está a travar em França na campanha do referendo sobre o tratado constitucional evidencia alguns dos aspectos do que expusemos anteriormente. A denúncia feita por mais de 70 associações, sindicatos, partidos políticos e personalidades públicas em relação ao comprometimento dos principais órgãos de comunicação social na campanha pelo «sim» clarifica a manipulação exercida sobre os eleitores franceses e os meios colocados ao seu dispor. Os números e exemplos avançados pelo Observatório Francês dos Media são claros: 73 por cento do tempo de intervenção tinha sido ocupado pelos defensores da Constituição Europeia e a quase totalidade dos títulos da imprensa escrita faziam campanha pelo «sim». Numa petição subscrita por 115 trabalhadores da France Television, acusam-se as empresas de serviço público e privadas de «falta de objectividade», «ausência de pluralismo» e uma «deriva para a informação espectáculo». Com o aproximar de 29 de Maio (data da realização do referendo) e com as sondagens a darem um avanço ao «não», os defensores do «sim» lançaram-se numa campanha mistificadora, utilizando mesmo não argumentos como a candidatura de Paris às Olimpíadas de 2012, o isolamento da França em relação ao resto da Europa e mesmo a memória de Auschwitz. Todos os meios são justificados para a vitória do «sim»!
A quem serve tudo isto?
Porquê a desinformação, a manipulação das consciências, a mentira descarada e a política espectáculo? Porque se mobilizam meios financeiros e outros desta dimensão?
Como refere a Resolução Política do XVII Congresso do Partido, «a UE é o instrumento de classe (intervindo nas dimensões económica, política, institucional, jurídica e militar) do capitalismo transnacional e das grandes potências da Europa, bem evidente na coincidência das decisões concretizadas pelos órgãos da União Europeia com as opiniões defendidas pelos representantes do grande capital europeu…».
A Constituição Europeia é uma proposta do grande capital que procura constitucionalizar o neoliberalismo: criando os mecanismos jurídicos necessários para aumentar a exploração dos trabalhadores e dos recursos no plano interno através do reforço da sua natureza federal; abrindo caminho para o reforço da sua presença externa enquanto bloco militar em articulação com a NATO e o desempenho do seu papel histórico de apoio aos EUA.
É por tudo isto e pelo mais que não cabe neste texto, que é necessário lutar contra a ratificação da Constituição Europeia do capital!
A estratégia de informação
e comunicação
Não surpreende, portanto, o trilho perfilado pela União Europeia (UE) na sua «estratégia de informação e comunicação» e o destaque dado à necessidade de «demonstrar activamente aos cidadãos em que medida a pertença à UE é portadora de benefícios positivos para a sua vida quotidiana» e «inspirar o sentido de orgulho em ser cidadão da Europa». O afastamento das pessoas em relação à UE, manifesto no decréscimo de participação verificado em nove dos antigos Estados-membros nas últimas eleições europeias, preocupa a elite política. Não por sentirem vontade ou necessidade de alterar as suas política neoliberais mas para manter e acentuar o seu carácter predador e explorador, persuadindo as massas trabalhadoras do interesse e necessidade desta política. A «ratificação da Constituição» é enfatizada pela «estratégia», devendo constituir a sua principal prioridade, concentrando recursos financeiros específicos no fomento do debate público tendo em vista as campanhas, sobretudo nos países onde se realizarão referendos.
O exemplo...
O debate que se está a travar em França na campanha do referendo sobre o tratado constitucional evidencia alguns dos aspectos do que expusemos anteriormente. A denúncia feita por mais de 70 associações, sindicatos, partidos políticos e personalidades públicas em relação ao comprometimento dos principais órgãos de comunicação social na campanha pelo «sim» clarifica a manipulação exercida sobre os eleitores franceses e os meios colocados ao seu dispor. Os números e exemplos avançados pelo Observatório Francês dos Media são claros: 73 por cento do tempo de intervenção tinha sido ocupado pelos defensores da Constituição Europeia e a quase totalidade dos títulos da imprensa escrita faziam campanha pelo «sim». Numa petição subscrita por 115 trabalhadores da France Television, acusam-se as empresas de serviço público e privadas de «falta de objectividade», «ausência de pluralismo» e uma «deriva para a informação espectáculo». Com o aproximar de 29 de Maio (data da realização do referendo) e com as sondagens a darem um avanço ao «não», os defensores do «sim» lançaram-se numa campanha mistificadora, utilizando mesmo não argumentos como a candidatura de Paris às Olimpíadas de 2012, o isolamento da França em relação ao resto da Europa e mesmo a memória de Auschwitz. Todos os meios são justificados para a vitória do «sim»!
A quem serve tudo isto?
Porquê a desinformação, a manipulação das consciências, a mentira descarada e a política espectáculo? Porque se mobilizam meios financeiros e outros desta dimensão?
Como refere a Resolução Política do XVII Congresso do Partido, «a UE é o instrumento de classe (intervindo nas dimensões económica, política, institucional, jurídica e militar) do capitalismo transnacional e das grandes potências da Europa, bem evidente na coincidência das decisões concretizadas pelos órgãos da União Europeia com as opiniões defendidas pelos representantes do grande capital europeu…».
A Constituição Europeia é uma proposta do grande capital que procura constitucionalizar o neoliberalismo: criando os mecanismos jurídicos necessários para aumentar a exploração dos trabalhadores e dos recursos no plano interno através do reforço da sua natureza federal; abrindo caminho para o reforço da sua presença externa enquanto bloco militar em articulação com a NATO e o desempenho do seu papel histórico de apoio aos EUA.
É por tudo isto e pelo mais que não cabe neste texto, que é necessário lutar contra a ratificação da Constituição Europeia do capital!