Campanha contra transgénicos

Negociata para as multinacionais

A CNA iniciou uma campanha contra a introdução dos transgénicos em Portugal, associando-se às comemorações do Dia Internacional de Luta Camponesa.

Querem privatizar um património dos povos

João Vieira, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e membro da Coordenadora Agrícola Europeia, defendeu sexta-feira, em conferência de imprensa promovida, em Benfica do Ribatejo, por associações de agricultores de Santarém, Leiria e Lisboa, que Portugal deve manter a interdição das culturas com sementes geneticamente modificadas (OGM), que classificou como «um negócio» que apenas interessa às multinacionais que detêm as patentes dessas sementes.
Para o dirigente, a imposição de uma distância entre as culturas transgénicas e as tradicionais, que em Portugal, segundo proposta do ministro da Agricultura que esta semana foi a Conselho de Ministros, será de 200 metros, não resolve absolutamente nada, porque a contaminação faz-se pelo vento, pelos insectos, pelas abelhas, «que ninguém controla».
«Até mil metros seriam insuficientes», afirmou, alertando para o facto de, uma vez contaminadas, não ser possível reproduzir as sementes autóctones, que ficam modificadas e que as multinacionais podem vir a reivindicar como sua propriedade, o que, assegurou, já está a acontecer nos EUA e no Canadá.
Considerando que se está a pôr em causa «o direito ancestral de os agricultores utilizarem as suas próprias sementes», João Vieira acusou as multinacionais de estarem a querer privatizar um «património dos povos», pois ficam detentoras de uma patente que impede os agricultores de reproduzirem as sementes, obrigando-os a comprar todos os anos. Por outro lado, acusou as multinacionais de estarem a manipular as sementes com o objectivo de as tornarem resistentes aos químicos que depois vendem aos agricultores.
Lamentando que a pressão das multinacionais tenha surtido efeito junto da Comissão Europeia, que decidiu levantar a moratória e o princípio de precaução, deixando a decisão a cada Estado membro, João Vieira sublinhou que estes são soberanos e apelou a Portugal que siga o exemplo dos que optaram por não abrir as portas aos transgénicos.
Para João Vieira, a abertura à sementeira de milho transgénico, agora iniciada em Portugal, «é apenas a porta de entrada» de um movimento «que não vai parar e, se a opinião pública não se levantar, vai ser a abertura para outras sementes e afectar seriamente a biodiversidade».
No âmbito da campanha agora iniciada, a CNA vai iniciar vários contactos com os órgãos autárquicos dos vários concelhos para que iniciem o processo de forma a declararem-se como zona livre de transgénicos.

Solidariedade com o MST

A CNA solidarizou-se com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Brasil, apoiando a Marcha pela Reforma Agrária, que esta organização realiza em Maio.
Em comunicado, a confederação da agricultura recordou que no domingo se assinalou o nono aniversário da morte por forças policiais brasileiras de vários membros do MST, na região de Eldorado dos Carajás.
«Todos os anos se assinala a data e se projectam no futuro algumas das reclamações fundamentais dos agricultores de todo o mundo», refere o documento, aprovado pela Assembleia Geral da CNA.
A confederação da agricultura apoia a Marcha Nacional pela Reforma Agrária que o MST organiza, com início em Goiânia, no dia 1 de Maio, e encerramento na capital brasileira, Brasília, a 17 de Maio, uma manifestação que deverá congregar «mais de 10 mil pessoas a caminhar pelo acesso à terra para produzir e pela soberania alimentar».
A CNA exige o «direito a produzir a preços compensadores» e defende «uma alimentação sadia e ao alcance de todos», «um mundo sem patentes sobre seres vivos» e a agricultura «fora da Organização Mundial do Comércio», como «causas civilizacionais» que unem agricultores de todo o mundo.
Ao nível nacional e comunitário, a CNA reivindica o «escoamento a melhores preços da produção» e «a contenção das importações desnecessárias».


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