à Câmara e Assembleia Municipal
Um novo projecto para Lisboa
Dando continuidade à acção, intervenção e dinâmica do projecto CDU, alternativo à desastrosa gestão da maioria PSD em Lisboa, foram apresentados, terça-feira, os cabeças de lista para a Câmara, Ruben de Carvalho, e Assembleia Municipal, Modesto Navarro. Na apresentação dos candidatos, Jerónimo de Sousa acusou o PS de querer convergir para o mesmo dia das eleições autárquicas o referendo sobre a Constituição Europeia.
Definição e realização de uma política municipal alternativa
«Esta apresentação pública dos cabeças de lista da CDU é também um acto de reforçada confiança no trabalho realizado desde 1976 pelos eleitos das diversas componentes da CDU em Lisboa, uma força com uma história e um percurso de grandes realizações na defesa dos mais genuínos interesses populares e da cidade. Uma força imprescindível na definição e realização de uma política municipal alternativa e de esquerda na cidade de Lisboa e que deu sempre, em todas as circunstâncias, um importante e incontestável contributo na procura das soluções políticas e de gestão autárquica, alternativas à administração da direita. Uma força que soube sempre colocar acima dos interesses partidários, os interesses das populações e da cidade», afirmou, Jerónimo de Sousa, anteontem, na apresentação dos cabeças de lista à Câmara e Assembleia Municipal de Lisboa, que se realizou no Hotel Alfa.
«Apresentamos os nossos candidatos num momento em que, por iniciativa e insistência do PCP, decorrem negociações com o PS com vista ao estudo da possibilidade de reedição de uma coligação em Lisboa para o próximo mandato autárquico, com o objectivo de relançar um projecto para a cidade assente em critérios democráticos, transparentes e participativos e assegurar uma viragem na gestão municipal da direita, invertendo o seu rumo nos domínios nucleares da intervenção municipal, assumindo o compromisso irrenunciável de corrigir as principais malfeitorias da direita», continuou o secretário-geral do PCP.
Jerónimo de Sousa sublinhou que a CDU está aberta, como em experiências passadas, «também à participação de outras forças políticas que manifestem interesse e disponibilidade para a integrar, nomeadamente os nossos aliados do Partido Ecologista “Os Verdes”. Tal como já afirmaram ambas as partes, a sua concretização apresenta, tendo em conta uma primeira avaliação, algumas dificuldades, não só porque se tornou escasso o tempo para superar reais problemas e diferenças programáticas, como será impraticável qualquer solução que não reconheça o real peso e experiência de uma força como a nossa, que foi um dos principais suportes no quadro das coligações passadas e que tem um património de intervenção inquestionável que se mantém na actualidade serviço de Lisboa.»
Afirmar o projecto da CDU
Durante a sua intervenção, Jerónimo de Sousa referiu ainda que a CDU é «uma força com uma postura e uma intervenção que recusa o poder absoluto e se tem apresentado no quadro dos acordos anteriores em Lisboa sem qualquer pretensão de hegemonia, mesmo quando, no conjunto dos partidos envolvidos, detínhamos a mais expressiva força eleitoral e de posições. Não foram os critérios de pura aritmética eleitoral, nem os interesses partidários que prevaleceram nas soluções encontradas, mas sim os interesses da cidade e da população de Lisboa. A apresentação dos cabeças de lista que aqui realizamos não significa qualquer indisponibilidade para encontrar uma solução de coligação mais ampla para Lisboa, que de forma empenhada e séria nos propomos encontrar, mas qualquer solução que faça caminho e tenha futuro terá que ser sempre determinada por relações de respeito mútuo e liberta de relações de subalternização. A procura de uma tal solução que não está garantida só nos pode impelir a continuar a afirmar o nosso projecto e o nosso trabalho que não pode ficar dependente de um eventual acordo de coligação com o envolvimento do PS.»
«Sendo uma batalha de grande exigência para todos nós e que apela ao redobrado envolvimento de todos os activistas e eleitos da CDU, não podemos deixar de nos empenhar com determinação na imediata elaboração das listas, na prestação de contas, na concretização dos programas eleitorais e na concretização das diversas tarefas eleitorais de forma a garantir com êxito os nossos objectivos», garantiu o secretário-geral do PCP.
Referendo sobre a «Constituição Europeia»
PCP critica proposta do PS
Jerónimo de Sousa acusou o PS de querer convergir para o mesmo dia das eleições autárquicas o referendo sobre a Constituição Europeia.
«Há por parte do PS e com a estreita colaboração do PSD a intenção de fazer convergir para o mesmo dia das eleições autárquicas o referendo sobre o novo Tratado conhecido como da “Constituição Europeia”. Neste momento adensam-se as pressões nesse sentido. Trata-se de uma incompreensível proposta que vem contradizer tudo o que o PS disse e defendeu ainda não há um ano», afirmou, sublinhando que se trata «de uma proposta muito negativa que a concretizar-se vem não só introduzir um factor de perturbação e confusão nas próximas eleições autárquicas, como se traduzirá na menorização de ambas as consultas».
No final da sua intervenção, o secretário-geral dos comunistas portugueses concluiu que a vida está a dar razão ao PCP à cerca das reais intenções das propostas de referendos e da confusão que se pretende instalar sobre as prioridades e a definição de um calendário para a sua realização.
«Começa a ficar claro que as manobras que visam colocar no centro do debate a falsa questão das prioridades de calendário mais não são do que o adiamento e a fuga à solução séria de dois problemas inadiáveis e aos quais é preciso dar resposta com urgência, ou seja, pôr fim ao aborto clandestino e dar finalmente a possibilidade ao povo português de se pronunciar em consciência e no quadro de um debate aberto e franco acerca do que realmente está em jogo com o novo Tratado europeu. É preciso dizer claramente não à falsa opção que pretende colocar como central a questão do calendário. Do que se trata é de receios de uma recusa pelo povo português do novo tratado e de uma clara cedência à direita em relação a uma urgente solução para o problema da interrupção voluntária da gravidez que nem a lei, nem a vontade dos eleitores o obrigaria», sublinhou.
Ruben de Carvalho e Modesto Navarro
Uma vida dedicada à democracia
Ruben Luís Tristão de Carvalho e Silva, nascido em Lisboa a 21 de Julho de 1944, é jornalista de profissão. Militante do PCP desde 1970, foi responsável pelo «Avante!», órgão central do PCP, de Abril de 1974 a Junho de 1995, membro do Executivo da Comissão Organizado da Festa do «Avante!» desde 1976, eleito membro do Comité Central nos IX a XVII Congressos do PCP, deputado à Assembleia da República pelo distrito de Setúbal de 1995/97, observador da Comunidade Europeia às primeiras eleições realizadas na Cisjordânia e, em 1997, candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal de Setúbal, onde foi eleito vereador.
Em 1995, Ruben de Carvalho foi condecorado, pelo Presidente da República, com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Por seu lado, António Modesto Fernandes Navarro, actual presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, nasceu em Vila Flor (Trás-os-Montes), em 3 de Fevereiro de 1942. Militante do PCP desde 1971, é membro da Direcção da Organização Regional de Lisboa e da Direcção do Sector Intelectual de Lisboa do PCP.
Escritor de profissão, a sua actividade literária foi sempre acompanhada por uma actividade política permanente, de denúncia e combate ao regime fascista. Em 1969 participou na Comissão Democrática Eleitoral (CDE) e na Comissão de Escritores dessa organização. Em 1973 foi eleito dirigente distrital da CDE, tendo a responsabilidade de coordenação política sobre várias freguesias de Lisboa. Foi membro fundador e membro da primeira direcção da Associação Portuguesa de Escritores entre 1972/74. Participou no 3.º Congresso da Oposição Democrática, em 1973, apresentando comunicações sobre emigração e cultura.
Modesto Navarro foi ainda membro da Direcção e do Secretariado do Movimento Democrático Português em 1974. Após o 25 de Abril de 1974 manteve a actividade política, com destaque para a intervenção no Poder Local Democrático. Entre 1976/85 foi eleito na Assembleia Municipal de Vila Flor, em Trás-os-Montes, e desde 1985 é deputado da Assembleia Municipal de Lisboa e deputado na Assembleia da Área Metropolitana de Lisboa, sendo responsável pelo grupo de deputados do PCP.
«Apresentamos os nossos candidatos num momento em que, por iniciativa e insistência do PCP, decorrem negociações com o PS com vista ao estudo da possibilidade de reedição de uma coligação em Lisboa para o próximo mandato autárquico, com o objectivo de relançar um projecto para a cidade assente em critérios democráticos, transparentes e participativos e assegurar uma viragem na gestão municipal da direita, invertendo o seu rumo nos domínios nucleares da intervenção municipal, assumindo o compromisso irrenunciável de corrigir as principais malfeitorias da direita», continuou o secretário-geral do PCP.
Jerónimo de Sousa sublinhou que a CDU está aberta, como em experiências passadas, «também à participação de outras forças políticas que manifestem interesse e disponibilidade para a integrar, nomeadamente os nossos aliados do Partido Ecologista “Os Verdes”. Tal como já afirmaram ambas as partes, a sua concretização apresenta, tendo em conta uma primeira avaliação, algumas dificuldades, não só porque se tornou escasso o tempo para superar reais problemas e diferenças programáticas, como será impraticável qualquer solução que não reconheça o real peso e experiência de uma força como a nossa, que foi um dos principais suportes no quadro das coligações passadas e que tem um património de intervenção inquestionável que se mantém na actualidade serviço de Lisboa.»
Afirmar o projecto da CDU
Durante a sua intervenção, Jerónimo de Sousa referiu ainda que a CDU é «uma força com uma postura e uma intervenção que recusa o poder absoluto e se tem apresentado no quadro dos acordos anteriores em Lisboa sem qualquer pretensão de hegemonia, mesmo quando, no conjunto dos partidos envolvidos, detínhamos a mais expressiva força eleitoral e de posições. Não foram os critérios de pura aritmética eleitoral, nem os interesses partidários que prevaleceram nas soluções encontradas, mas sim os interesses da cidade e da população de Lisboa. A apresentação dos cabeças de lista que aqui realizamos não significa qualquer indisponibilidade para encontrar uma solução de coligação mais ampla para Lisboa, que de forma empenhada e séria nos propomos encontrar, mas qualquer solução que faça caminho e tenha futuro terá que ser sempre determinada por relações de respeito mútuo e liberta de relações de subalternização. A procura de uma tal solução que não está garantida só nos pode impelir a continuar a afirmar o nosso projecto e o nosso trabalho que não pode ficar dependente de um eventual acordo de coligação com o envolvimento do PS.»
«Sendo uma batalha de grande exigência para todos nós e que apela ao redobrado envolvimento de todos os activistas e eleitos da CDU, não podemos deixar de nos empenhar com determinação na imediata elaboração das listas, na prestação de contas, na concretização dos programas eleitorais e na concretização das diversas tarefas eleitorais de forma a garantir com êxito os nossos objectivos», garantiu o secretário-geral do PCP.
Referendo sobre a «Constituição Europeia»
PCP critica proposta do PS
Jerónimo de Sousa acusou o PS de querer convergir para o mesmo dia das eleições autárquicas o referendo sobre a Constituição Europeia.
«Há por parte do PS e com a estreita colaboração do PSD a intenção de fazer convergir para o mesmo dia das eleições autárquicas o referendo sobre o novo Tratado conhecido como da “Constituição Europeia”. Neste momento adensam-se as pressões nesse sentido. Trata-se de uma incompreensível proposta que vem contradizer tudo o que o PS disse e defendeu ainda não há um ano», afirmou, sublinhando que se trata «de uma proposta muito negativa que a concretizar-se vem não só introduzir um factor de perturbação e confusão nas próximas eleições autárquicas, como se traduzirá na menorização de ambas as consultas».
No final da sua intervenção, o secretário-geral dos comunistas portugueses concluiu que a vida está a dar razão ao PCP à cerca das reais intenções das propostas de referendos e da confusão que se pretende instalar sobre as prioridades e a definição de um calendário para a sua realização.
«Começa a ficar claro que as manobras que visam colocar no centro do debate a falsa questão das prioridades de calendário mais não são do que o adiamento e a fuga à solução séria de dois problemas inadiáveis e aos quais é preciso dar resposta com urgência, ou seja, pôr fim ao aborto clandestino e dar finalmente a possibilidade ao povo português de se pronunciar em consciência e no quadro de um debate aberto e franco acerca do que realmente está em jogo com o novo Tratado europeu. É preciso dizer claramente não à falsa opção que pretende colocar como central a questão do calendário. Do que se trata é de receios de uma recusa pelo povo português do novo tratado e de uma clara cedência à direita em relação a uma urgente solução para o problema da interrupção voluntária da gravidez que nem a lei, nem a vontade dos eleitores o obrigaria», sublinhou.
Ruben de Carvalho e Modesto Navarro
Uma vida dedicada à democracia
Ruben Luís Tristão de Carvalho e Silva, nascido em Lisboa a 21 de Julho de 1944, é jornalista de profissão. Militante do PCP desde 1970, foi responsável pelo «Avante!», órgão central do PCP, de Abril de 1974 a Junho de 1995, membro do Executivo da Comissão Organizado da Festa do «Avante!» desde 1976, eleito membro do Comité Central nos IX a XVII Congressos do PCP, deputado à Assembleia da República pelo distrito de Setúbal de 1995/97, observador da Comunidade Europeia às primeiras eleições realizadas na Cisjordânia e, em 1997, candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal de Setúbal, onde foi eleito vereador.
Em 1995, Ruben de Carvalho foi condecorado, pelo Presidente da República, com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Por seu lado, António Modesto Fernandes Navarro, actual presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, nasceu em Vila Flor (Trás-os-Montes), em 3 de Fevereiro de 1942. Militante do PCP desde 1971, é membro da Direcção da Organização Regional de Lisboa e da Direcção do Sector Intelectual de Lisboa do PCP.
Escritor de profissão, a sua actividade literária foi sempre acompanhada por uma actividade política permanente, de denúncia e combate ao regime fascista. Em 1969 participou na Comissão Democrática Eleitoral (CDE) e na Comissão de Escritores dessa organização. Em 1973 foi eleito dirigente distrital da CDE, tendo a responsabilidade de coordenação política sobre várias freguesias de Lisboa. Foi membro fundador e membro da primeira direcção da Associação Portuguesa de Escritores entre 1972/74. Participou no 3.º Congresso da Oposição Democrática, em 1973, apresentando comunicações sobre emigração e cultura.
Modesto Navarro foi ainda membro da Direcção e do Secretariado do Movimento Democrático Português em 1974. Após o 25 de Abril de 1974 manteve a actividade política, com destaque para a intervenção no Poder Local Democrático. Entre 1976/85 foi eleito na Assembleia Municipal de Vila Flor, em Trás-os-Montes, e desde 1985 é deputado da Assembleia Municipal de Lisboa e deputado na Assembleia da Área Metropolitana de Lisboa, sendo responsável pelo grupo de deputados do PCP.