O regresso do Japão imperialista
Para a China a questão coloca-se, essencialmente, no plano da discriminação política
No passado mês de Fevereiro, nas vésperas da tournée europeia de Bush, teve lugar em Washington o encontro “2+2” entre os EUA e o Japão. A reunião de Condoleezza e Rumsfeld com os seus homólogos japoneses, em que foi acordado o reforço da aliança militar americano-japonesa, abriu uma nova página da agenda imperialista que se vem desenhando entre os dois países no período pós guerra-fria. A declaração conjunta final, definindo a península coreana e a questão de Taiwan como «objectivos estratégicos comuns», é suficiente para que não restem dúvidas acerca do carácter eminentemente intervencionista dos planos que se congeminam entre Washington e Tóquio, assim como do seu principal destinatário. O estreito de Taiwan e a própria ilha – que o imperialismo japonês manteve sob ocupação entre 1895 e 1945 – são arbitrariamente “incorporados” no perímetro de segurança comum, no que constitui uma clara afronta à China.
Os EUA, formalmente, reconhecem o princípio de uma só China. Na prática, prosseguem uma política ambígua, utilizando a questão de Taiwan, como factor de ingerência e divisão. Washington vende armas a Taiwan mas juntamente com Tóquio exige a manutenção do embargo da venda de armas à China, que dura há 16 anos. Os EUA e o Japão pressionam a UE no sentido de não levantar o embargo no final de Junho, conforme anteriormente assumido. O Diário do Povo (28.3.05) qualifica a posição norte-americana – que aparentemente já conduziu a um recuo da UE – de «grosseira ingerência» e «mais uma demonstração de hegemonismo». Para a China a questão coloca-se, essencialmente, no plano da discriminação política, uma vez que Pequim já reafirmou não ter intenção de proceder à compra massiva de equipamento militar à UE.
O rápido crescimento económico da China preocupa o imperialismo: A China que emerge da dupla condição de parceiro económico insubstituível e alvo estratégico a dominar, perspectiva-se um “obstáculo” incompatível com a “Pax Americana” que Washington tenta a ferro e fogo, desesperada e perigosamente, afirmar à escala planetária. Por isso mesmo, o American Enterprise Institute, um dos centros analíticos próximos da Administração norte-americana, apontou recentemente como principais vectores da estratégia militar dos EUA, a «reformulação do espaço político do Médio Oriente» (o plano do Grande Médio Oriente) e a contenção das «crescentes ambições» da China.
Os objectivos da união militar entre os EUA e o Japão coincidem com a estratégia global da super-potência imperialista e passam pela crescente integração do Japão na máquina de guerra dos EUA. Facto, aliás, corroborado pelo apoio logístico concedido à intervenção norte-americana no Afeganistão e, posteriormente, no envio do contingente militar japonês para o Iraque, “mascarado” de missão humanitária. Em ambos os casos, em violação da própria Constituição nacional que não prevê a participação do país em acções militares fora do seu território.
À semelhança dos governos europeus e da UE no processo da “Constituição europeia”, o executivo japonês conduz uma manipulação maciça da população – ignorando as lições trágicas dum passado de má memória – com vista à legitimação do neo-imperialismo japonês e da transformação já em curso das forças de auto-defesa em forças de intervenção rápida, prontas a actuar em apoio dos EUA, não só na região da Ásia-Pacífico, mas em qualquer ponto do globo. O curso estratégico do grande capital japonês, interpretado de forma incansável pelo primeiro-ministro Koizumi, segue assim na direcção da consolidação de uma união militar EUA-Japão no plano mundial. Tudo isto acontece sob o pano de fundo da recessão, deflação e prolongada crise económica japonesa e o espectro do colapso da parasitária economia norte-americana (os EUA sugam 80% da poupança mundial não conseguindo travar um duplo défice, a prazo, insustentável).
A redescoberta da vocação imperialista japonesa sob os auspícios dos EUA, a lógica neo-colonial de conformação de mega blocos capitalistas para repartilha do globo; a expansão da NATO até ao coração da Ásia Central e a militarização da UE, representam uma grave ameaça à paz e estabilidade mundiais e exigem respostas adequadas.
Os EUA, formalmente, reconhecem o princípio de uma só China. Na prática, prosseguem uma política ambígua, utilizando a questão de Taiwan, como factor de ingerência e divisão. Washington vende armas a Taiwan mas juntamente com Tóquio exige a manutenção do embargo da venda de armas à China, que dura há 16 anos. Os EUA e o Japão pressionam a UE no sentido de não levantar o embargo no final de Junho, conforme anteriormente assumido. O Diário do Povo (28.3.05) qualifica a posição norte-americana – que aparentemente já conduziu a um recuo da UE – de «grosseira ingerência» e «mais uma demonstração de hegemonismo». Para a China a questão coloca-se, essencialmente, no plano da discriminação política, uma vez que Pequim já reafirmou não ter intenção de proceder à compra massiva de equipamento militar à UE.
O rápido crescimento económico da China preocupa o imperialismo: A China que emerge da dupla condição de parceiro económico insubstituível e alvo estratégico a dominar, perspectiva-se um “obstáculo” incompatível com a “Pax Americana” que Washington tenta a ferro e fogo, desesperada e perigosamente, afirmar à escala planetária. Por isso mesmo, o American Enterprise Institute, um dos centros analíticos próximos da Administração norte-americana, apontou recentemente como principais vectores da estratégia militar dos EUA, a «reformulação do espaço político do Médio Oriente» (o plano do Grande Médio Oriente) e a contenção das «crescentes ambições» da China.
Os objectivos da união militar entre os EUA e o Japão coincidem com a estratégia global da super-potência imperialista e passam pela crescente integração do Japão na máquina de guerra dos EUA. Facto, aliás, corroborado pelo apoio logístico concedido à intervenção norte-americana no Afeganistão e, posteriormente, no envio do contingente militar japonês para o Iraque, “mascarado” de missão humanitária. Em ambos os casos, em violação da própria Constituição nacional que não prevê a participação do país em acções militares fora do seu território.
À semelhança dos governos europeus e da UE no processo da “Constituição europeia”, o executivo japonês conduz uma manipulação maciça da população – ignorando as lições trágicas dum passado de má memória – com vista à legitimação do neo-imperialismo japonês e da transformação já em curso das forças de auto-defesa em forças de intervenção rápida, prontas a actuar em apoio dos EUA, não só na região da Ásia-Pacífico, mas em qualquer ponto do globo. O curso estratégico do grande capital japonês, interpretado de forma incansável pelo primeiro-ministro Koizumi, segue assim na direcção da consolidação de uma união militar EUA-Japão no plano mundial. Tudo isto acontece sob o pano de fundo da recessão, deflação e prolongada crise económica japonesa e o espectro do colapso da parasitária economia norte-americana (os EUA sugam 80% da poupança mundial não conseguindo travar um duplo défice, a prazo, insustentável).
A redescoberta da vocação imperialista japonesa sob os auspícios dos EUA, a lógica neo-colonial de conformação de mega blocos capitalistas para repartilha do globo; a expansão da NATO até ao coração da Ásia Central e a militarização da UE, representam uma grave ameaça à paz e estabilidade mundiais e exigem respostas adequadas.