Insistir sempre
A Conferência Nacional de Junho de 2002 e o Encontro Nacional do PCP sobre a acção e organização do Partido nas empresas e locais de trabalho, de Outubro do mesmo ano, apontaram como linha de trabalho fundamental o reforço da organização do Partido nas empresas e designadamente nas com mais de mil trabalhadores. O 17.º Congresso reforçou essa orientação como estratégica para o presente e o futuro do Partido.
«Parafraseando Lenine, não há outro caminho que não seja insistir sempre»
Na sua última reunião, o Comité Central inscreveu como uma das prioridades «o avanço de medidas de direcção e quadros para o reforço da organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho, com a criação e reforço de estruturas regionais, a responsabilização de quadros pelas empresas prioritárias, a criação de sectores profissionais, ou de empresas, o desenvolvimento de linhas de trabalho que associem a organização, à intervenção política e à luta».
Tratam-se de decisões fundamentais para garantir a natureza e identidade de classe do Partido, a sua estratégia política e política de alianças, a sua influência na sociedade portuguesa e o seu futuro, o seu papel insubstituível no desenvolvimento das organizações dos trabalhadores e na luta de massas. Trata-se ainda, e no imediato, de garantir melhores condições para reforçar a eficácia do Partido nas diversas tarefas do momento e particularmente na luta por melhores condições de vida para os trabalhadores.
Desde a Conferência Nacional vivemos uma ofensiva sem precedentes, designadamente com a aprovação do Pacote Laboral. As condições de trabalho agravaram-se, algumas das empresas que considerámos, em outros momentos, prioritárias encerraram ou despediram centenas de trabalhadores, volta a pairar o espectro do desemprego. Em suma, a realidade social alterou-se profundamente.
Vejamos o distrito de Aveiro: nas cerca de uma dezena de empresas que definimos como prioridade, defrontámo-nos com centenas de despedimentos na empresa de calçado Ecco; com o desmantelamento da Phillips, cuja empresa que daí resultou anunciou na passada semana um novo despedimento colectivo; com a degradação da situação da Universal Motors, em que cerca de uma centena de trabalhadores se encontram sem trabalho e sem salário nos últimos meses, mantendo-se à porta da empresa há vários meses, luta que já mereceu o devido destaque nas páginas do Avante!.
Esta realidade, de que se podiam referir muitos outros exemplos que de norte a sul se conhecem, não ilude a justeza das orientações então traçadas, antes nos dá novos argumentos vivos para a sua compreensão.
Exemplos a merecer reflexão
Por estes dias há, entretanto, dois exemplos que merecem reflexão e conhecimento colectivos – a Yazaki e a Rohde. A Yazaki Saltano, multinacional japonesa de material eléctrico, anunciou no início deste ano, apesar de reconhecerem os esforços dos trabalhadores portugueses para o aumento da produtividade, a necessidade de encerrarem o turno da noite, o que corresponderia acerca de 500 despedimentos, em Ovar (o mesmo fizeram agora para a fábrica de Serzedo, Vila Nova de Gaia). Aliando o trabalho institucional com a acção de massas, a organização do Partido foi à porta da empresa distribuir a pergunta que a camarada Ilda Figueiredo tinha entregue à Comissão Europeia, sobre a situação. Ao fim de tantos anos a desenvolver este tipo de trabalho, e a ver passar autocarros cheios de trabalhadores para dentro da empresa, tivemos a ajuda de uma trabalhadora que agarrou nos folhetos e os foi distribuir para a porta dos autocarros.
Do acompanhamento deste processo resultou um novo recrutamento para o Partido, a reactivação das reuniões da célula da empresa, cujo funcionamento era muito irregular, e a ligação a novos trabalhadores. Está agendada uma deslocação de trabalhadores da Yazaki ao Parlamento Europeu, para denunciar esta situação.
A Rohde, multinacional alemã de calçado, com cerca de 1200 trabalhadores, na sua maioria mulheres, tem merecido da DORAV uma atenção particular, com a presença e o contacto regular com os trabalhadores à porta da empresa, associada a iniciativas institucionais em todos os momentos difíceis da empresa, com perguntas, requerimentos e intervenções na Assembleia da República e no Parlamento Europeu.
O Partido é reconhecido como força coerente, sempre presente nas horas boas e nas horas más. Há simpatia e respeito. Mas a 8 de Março, em mais uma iniciativa para aproximar as trabalhadoras do Partido e para lhes conquistar a confiança, ao assinalarmos aí o Dia Internacional da Mulher, houve uma trabalhadora que se aproximou de nós e agarrou num molho de cravos para connosco os distribuir, porque, como ela disse, «este é o meu Partido». Já voltámos à Rohde, perante a ameaça de um novo despedimento colectivo.
Em cada uma destas empresas deram-se passos pequenos. Mas, parafraseando Lénine, não há outro caminho, que não seja insistir, insistir, insistir sempre. E vale a pena!
Tratam-se de decisões fundamentais para garantir a natureza e identidade de classe do Partido, a sua estratégia política e política de alianças, a sua influência na sociedade portuguesa e o seu futuro, o seu papel insubstituível no desenvolvimento das organizações dos trabalhadores e na luta de massas. Trata-se ainda, e no imediato, de garantir melhores condições para reforçar a eficácia do Partido nas diversas tarefas do momento e particularmente na luta por melhores condições de vida para os trabalhadores.
Desde a Conferência Nacional vivemos uma ofensiva sem precedentes, designadamente com a aprovação do Pacote Laboral. As condições de trabalho agravaram-se, algumas das empresas que considerámos, em outros momentos, prioritárias encerraram ou despediram centenas de trabalhadores, volta a pairar o espectro do desemprego. Em suma, a realidade social alterou-se profundamente.
Vejamos o distrito de Aveiro: nas cerca de uma dezena de empresas que definimos como prioridade, defrontámo-nos com centenas de despedimentos na empresa de calçado Ecco; com o desmantelamento da Phillips, cuja empresa que daí resultou anunciou na passada semana um novo despedimento colectivo; com a degradação da situação da Universal Motors, em que cerca de uma centena de trabalhadores se encontram sem trabalho e sem salário nos últimos meses, mantendo-se à porta da empresa há vários meses, luta que já mereceu o devido destaque nas páginas do Avante!.
Esta realidade, de que se podiam referir muitos outros exemplos que de norte a sul se conhecem, não ilude a justeza das orientações então traçadas, antes nos dá novos argumentos vivos para a sua compreensão.
Exemplos a merecer reflexão
Por estes dias há, entretanto, dois exemplos que merecem reflexão e conhecimento colectivos – a Yazaki e a Rohde. A Yazaki Saltano, multinacional japonesa de material eléctrico, anunciou no início deste ano, apesar de reconhecerem os esforços dos trabalhadores portugueses para o aumento da produtividade, a necessidade de encerrarem o turno da noite, o que corresponderia acerca de 500 despedimentos, em Ovar (o mesmo fizeram agora para a fábrica de Serzedo, Vila Nova de Gaia). Aliando o trabalho institucional com a acção de massas, a organização do Partido foi à porta da empresa distribuir a pergunta que a camarada Ilda Figueiredo tinha entregue à Comissão Europeia, sobre a situação. Ao fim de tantos anos a desenvolver este tipo de trabalho, e a ver passar autocarros cheios de trabalhadores para dentro da empresa, tivemos a ajuda de uma trabalhadora que agarrou nos folhetos e os foi distribuir para a porta dos autocarros.
Do acompanhamento deste processo resultou um novo recrutamento para o Partido, a reactivação das reuniões da célula da empresa, cujo funcionamento era muito irregular, e a ligação a novos trabalhadores. Está agendada uma deslocação de trabalhadores da Yazaki ao Parlamento Europeu, para denunciar esta situação.
A Rohde, multinacional alemã de calçado, com cerca de 1200 trabalhadores, na sua maioria mulheres, tem merecido da DORAV uma atenção particular, com a presença e o contacto regular com os trabalhadores à porta da empresa, associada a iniciativas institucionais em todos os momentos difíceis da empresa, com perguntas, requerimentos e intervenções na Assembleia da República e no Parlamento Europeu.
O Partido é reconhecido como força coerente, sempre presente nas horas boas e nas horas más. Há simpatia e respeito. Mas a 8 de Março, em mais uma iniciativa para aproximar as trabalhadoras do Partido e para lhes conquistar a confiança, ao assinalarmos aí o Dia Internacional da Mulher, houve uma trabalhadora que se aproximou de nós e agarrou num molho de cravos para connosco os distribuir, porque, como ela disse, «este é o meu Partido». Já voltámos à Rohde, perante a ameaça de um novo despedimento colectivo.
Em cada uma destas empresas deram-se passos pequenos. Mas, parafraseando Lénine, não há outro caminho, que não seja insistir, insistir, insistir sempre. E vale a pena!