O retrato
Todos estarão lembrados do episódio melodramático protagonizado por Paulo Portas na noite de 20 de Fevereiro, quando da tribuna da sala de conferências do CDS/PP anunciou - urbi et orbi - que falhara todos os objectivos que se propusera na disputa eleitoral, pelo que considerava ser seu dever fazer prova pública de «humildade democrática» abandonando a liderança do partido.
Vestindo a pele do pai tirano que não hesita em punir o bem amado filho, neste caso ele próprio, pelos erros cometidos, PP proclamou ser chegada a hora de sair de cena quem não é de cena e abandonou a sala e os holofotes aclamado pelas compungidas e muito lacrimosas hostes partidárias.
Não questionamos aqui a filosofia intrínseca do CDS/PP que, sendo um partido político, e logo por definição um corpo colectivo, se revê num líder que se arroga o direito de considerar como da sua exclusiva responsabilidade as vitórias e as derrotas partidárias. Tão pouco se questiona este peculiar entendimento da vida político-partidária do «venha a mim» nas marés altas e do dar à sola quando a coisa dá para o torto.
Esta é uma maneira de estar na vida que obviamente não percebemos, nós comunistas, para quem a política e o poder não são um fim em si mesmos, antes o caminho para um objectivo bem mais geral e comum, pelo que nas mais duras adversidades arregaçamos as mangas e cerramos fileiras para seguir em frente. Mas isso é outra história, que não vem ao caso, a não ser para lembrar que é justamente por isso que 84 anos depois ainda cá estamos para dar e durar, o que em boa verdade os PPs e afins também não entendem e por isso insistem tão afincadamente em dar como morto e enterrado o que continua vivo e actuante, isto é, o PCP.
O que questionamos, para voltar à vaca fria, é a muito badalada «humildade democrática» de PP, que se orgulha de ter tirado o CDS/PP da condição de partido do táxi mas não tem estômago para condutor de mono volumes, e do partido criado à sua imagem, que em 15 dias de reflexão política mais não produziu do que a decisão de retirar da parede dos notáveis o retrato do seu fundador, Freitas do Amaral, agora considerado o inimigo público número um dos democratas cristãos por integrar um governo PS, por sinal o mesmo que PP estava pronto a viabilizar se os votos lhe tivessem corrido de feição.
Enquanto o PS se debate com a momentosa questão do que fazer com o retrato de Freitas, que a estas horas já terá chegado ao Largo do Rato, sabe-se lá em que estado, fiquemo-nos com este retrato da direita portuguesa, pouco edificante mas muito esclarecedor.
Vestindo a pele do pai tirano que não hesita em punir o bem amado filho, neste caso ele próprio, pelos erros cometidos, PP proclamou ser chegada a hora de sair de cena quem não é de cena e abandonou a sala e os holofotes aclamado pelas compungidas e muito lacrimosas hostes partidárias.
Não questionamos aqui a filosofia intrínseca do CDS/PP que, sendo um partido político, e logo por definição um corpo colectivo, se revê num líder que se arroga o direito de considerar como da sua exclusiva responsabilidade as vitórias e as derrotas partidárias. Tão pouco se questiona este peculiar entendimento da vida político-partidária do «venha a mim» nas marés altas e do dar à sola quando a coisa dá para o torto.
Esta é uma maneira de estar na vida que obviamente não percebemos, nós comunistas, para quem a política e o poder não são um fim em si mesmos, antes o caminho para um objectivo bem mais geral e comum, pelo que nas mais duras adversidades arregaçamos as mangas e cerramos fileiras para seguir em frente. Mas isso é outra história, que não vem ao caso, a não ser para lembrar que é justamente por isso que 84 anos depois ainda cá estamos para dar e durar, o que em boa verdade os PPs e afins também não entendem e por isso insistem tão afincadamente em dar como morto e enterrado o que continua vivo e actuante, isto é, o PCP.
O que questionamos, para voltar à vaca fria, é a muito badalada «humildade democrática» de PP, que se orgulha de ter tirado o CDS/PP da condição de partido do táxi mas não tem estômago para condutor de mono volumes, e do partido criado à sua imagem, que em 15 dias de reflexão política mais não produziu do que a decisão de retirar da parede dos notáveis o retrato do seu fundador, Freitas do Amaral, agora considerado o inimigo público número um dos democratas cristãos por integrar um governo PS, por sinal o mesmo que PP estava pronto a viabilizar se os votos lhe tivessem corrido de feição.
Enquanto o PS se debate com a momentosa questão do que fazer com o retrato de Freitas, que a estas horas já terá chegado ao Largo do Rato, sabe-se lá em que estado, fiquemo-nos com este retrato da direita portuguesa, pouco edificante mas muito esclarecedor.