O frenesim transatlântico
Uma ordem supranacional capitalista pacífica não passa… de uma abstracção histórica…
A visita de Bush à Europa veio relançar a afirmação da parceria e estratégia comum entre os EUA e a UE, apesar das sequelas da ocupação unilateral do Iraque conduzida pelo imperialismo norte-americano e do clima de descrédito que ainda persiste entre «parceiros».
Nos dias que precederam a chegada do presidente estadunidense, de todos os azimutes do establishment euro-atlântico multiplicaram-se os apelos à fidelidade mútua. Um grupo de «notáveis» destas lides, em que o nome de António Vitorino também aparece, pôs a circular a proposta de um contrato entre os EUA e a Europa, espécie de manual para uma nova estratégia transatlântica (Público, 19.02.05). Duas passagens iluminam, logo à partida, o cerne da simbiose imperialista desenhada: «”a Europa precisa da América” para o êxito e a expansão do seu próprio modelo de integração que exige a derrota do terrorismo, a estabilização do Iraque, a paz no Médio Oriente (…). E «a América precisa da Europa» para dividir os custos financeiros e humanos da manutenção da segurança global, para defender a democracia no mundo e para esbater a resistência que as suas decisões causam no mundo “não ocidental”». A realidade da transposição prática deste arrazoado (nos Balcãs, Leste europeu, Médio Oriente, Ásia Central, etc.) é conhecida e dispensa comentários…
Por sua vez, Durão Barroso, investido das preocupações que reinam nas cúpulas de Bruxelas, defendeu uma «parceria entre iguais» no relacionamento UE-EUA, indo ao ponto de referir esperar de Bush uma clarificação sobre se encara a Europa como «parceiro global» ou «ameaça» (idem, idem)! Na mesma linha, a Alemanha «surpreendeu» desfavoravelmente (nomeadamente Rumsfeld e o secretário-geral da NATO) na recente Conferência Internacional de Segurança em Munique, ao preconizar uma reforma da NATO à medida da «necessidade» de um «Ocidente renovado» e do seu «papel de espinha dorsal de uma futura ordem mundial». Mas, uma ordem supranacional capitalista pacífica não passa, na mais inocente das hipóteses – que não é o caso –, de uma abstracção histórica…
A agitação em torno das assimétricas relações transatlânticas espelha, pois, as contradições e tensões que abarcam o mundo imperialista. Na presente etapa de máxima internacionalização do capital monopolista, a necessidade intrínseca de uma nova ordem supranacional, de carácter eminentemente explorador, e a sua dependência da capacidade militar da super-potência hegemónica, sustentam a concertação inter-imperialista que prevalece sobre as rivalidades existentes entre potências capitalistas. Uma estratégia comum de dominação decorrente da identidade de interesses de classe, dita a expansão para Leste da NATO e a sua emergência como bloco político-militar global, intervindo, inclusive, fora das suas fronteiras (Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, ou, eventualmente, no Sudão, conforme já equacionado por Kofi Annan, em mais um preocupante sinal de instrumentalização da ONU), ou a consecução do objectivo de institucionalização do neoliberalismo na Europa dos 25, através da «Constituição», que a aliança conservadora/social-democrata tenta de forma encapotada impor como facto consumado.
O aprofundamento da crise económica nos principais pólos da Tríade, a materialização dos limites históricos do capitalismo; as enormes fragilidades estruturais da economia norte-americana, que cada vez mais se afirma na razão inversa do seu desmedido poderio militar, são factores que alimentam a espiral irracional, aumentando a agressividade e imprevisibilidade imperialistas.
Daí que a agenda obscura que preside ao presente périplo europeu de Bush, no pano de fundo da escalada das ameaças dirigidas contra o Irão e a Síria (agravadas pela desestabilização no Líbano, após o assassinato do antigo primeiro-ministro), deva ser encarada com a mais viva inquietação.
Com a certeza, porém, de que só a luta dos povos e trabalhadores derrotarão o imperialismo, abrindo caminho à alternativa socialista.
Nos dias que precederam a chegada do presidente estadunidense, de todos os azimutes do establishment euro-atlântico multiplicaram-se os apelos à fidelidade mútua. Um grupo de «notáveis» destas lides, em que o nome de António Vitorino também aparece, pôs a circular a proposta de um contrato entre os EUA e a Europa, espécie de manual para uma nova estratégia transatlântica (Público, 19.02.05). Duas passagens iluminam, logo à partida, o cerne da simbiose imperialista desenhada: «”a Europa precisa da América” para o êxito e a expansão do seu próprio modelo de integração que exige a derrota do terrorismo, a estabilização do Iraque, a paz no Médio Oriente (…). E «a América precisa da Europa» para dividir os custos financeiros e humanos da manutenção da segurança global, para defender a democracia no mundo e para esbater a resistência que as suas decisões causam no mundo “não ocidental”». A realidade da transposição prática deste arrazoado (nos Balcãs, Leste europeu, Médio Oriente, Ásia Central, etc.) é conhecida e dispensa comentários…
Por sua vez, Durão Barroso, investido das preocupações que reinam nas cúpulas de Bruxelas, defendeu uma «parceria entre iguais» no relacionamento UE-EUA, indo ao ponto de referir esperar de Bush uma clarificação sobre se encara a Europa como «parceiro global» ou «ameaça» (idem, idem)! Na mesma linha, a Alemanha «surpreendeu» desfavoravelmente (nomeadamente Rumsfeld e o secretário-geral da NATO) na recente Conferência Internacional de Segurança em Munique, ao preconizar uma reforma da NATO à medida da «necessidade» de um «Ocidente renovado» e do seu «papel de espinha dorsal de uma futura ordem mundial». Mas, uma ordem supranacional capitalista pacífica não passa, na mais inocente das hipóteses – que não é o caso –, de uma abstracção histórica…
A agitação em torno das assimétricas relações transatlânticas espelha, pois, as contradições e tensões que abarcam o mundo imperialista. Na presente etapa de máxima internacionalização do capital monopolista, a necessidade intrínseca de uma nova ordem supranacional, de carácter eminentemente explorador, e a sua dependência da capacidade militar da super-potência hegemónica, sustentam a concertação inter-imperialista que prevalece sobre as rivalidades existentes entre potências capitalistas. Uma estratégia comum de dominação decorrente da identidade de interesses de classe, dita a expansão para Leste da NATO e a sua emergência como bloco político-militar global, intervindo, inclusive, fora das suas fronteiras (Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, ou, eventualmente, no Sudão, conforme já equacionado por Kofi Annan, em mais um preocupante sinal de instrumentalização da ONU), ou a consecução do objectivo de institucionalização do neoliberalismo na Europa dos 25, através da «Constituição», que a aliança conservadora/social-democrata tenta de forma encapotada impor como facto consumado.
O aprofundamento da crise económica nos principais pólos da Tríade, a materialização dos limites históricos do capitalismo; as enormes fragilidades estruturais da economia norte-americana, que cada vez mais se afirma na razão inversa do seu desmedido poderio militar, são factores que alimentam a espiral irracional, aumentando a agressividade e imprevisibilidade imperialistas.
Daí que a agenda obscura que preside ao presente périplo europeu de Bush, no pano de fundo da escalada das ameaças dirigidas contra o Irão e a Síria (agravadas pela desestabilização no Líbano, após o assassinato do antigo primeiro-ministro), deva ser encarada com a mais viva inquietação.
Com a certeza, porém, de que só a luta dos povos e trabalhadores derrotarão o imperialismo, abrindo caminho à alternativa socialista.