58 por cento abstêm-se em Espanha
A Izquierda Unida considera que os 2,5 milhões de votos contra a Constituição Europeia e os 58 por cento de abstenção registados no referendo constituem um «resultado incontestavelmente crítico».
A IU diz que o Tratado fica ferido quanto à legitimidade democrática
Com uma abstenção de 58 por cento, o referendo à Constituição Europeia que se realizou no domingo em Espanha registou 76 por cento dos votos no «Sim» e 17 por cento no «Não». Os votos em branco ascenderam a 6 por cento. Apenas 2,4 milhões de eleitores foram votar; os restantes 19 milhões optaram por não participar na consulta. Foi a mais baixa participação da história democrática espanhola. O referendo não tinha carácter vinculativo, mas consultivo.
O coordenador-geral da Izquierda Unida, Gaspar Llamazares, considera que se trata de um «resultado incontestavelmente crítico» que foi obtido em circunstâncias «difíceis» e depois de uma luta «contra ventos e marés» numa campanha em que «se tentou amordaçar as forças do “Não”».
Acusando o governo de impedir a realização de um verdadeiro debate durante a campanha para o referendo, Gaspar Llamazares considera que ficou claro que a maioria dos cidadãos «não se sentem convencidos por este tratado», o que retira «credibilidade e legitimidade» à sua aprovação. O líder da IU prevê que esta situação se repita nos restantes países da União Europeia onde se realizem referendos sobre esta questão.
A IU sublinha que os votos no «Sim» correspondem apenas a metade da votação do PSOE e do PP nas últimas eleições gerais e afirma que o «fracasso» cabe principalmente ao Governo, que levou a cabo «a campanha mais sectária desde o referendo da Nato» e provocou «indiferença e indignação» na população.
A Izquierda Unida está disposta a gerir a «contestação» à Constituição Europeia por parte da maioria de eleitores que não votou, os que votaram «Não» e os que, «de forma crítica», votaram em branco, um conjunto cuja opinião «terá consequências na política espanhola e europeia».
«Os que querem outra Europa têm que começar um trabalho constituinte activo, pacifista e social, porque outra Europa é possível», comentou Llamazares, registando o afastamento dos espanhóis em relação a um projecto que lhes é imposto e a uma «campanha à margem das práticas democráticas». O coordenador-geral da IU recordou que apenas votou 30 por cento do eleitorado, uma percentagem que não seria suficiente se o referendo fosse vinculativo, considerando que o Tratado Europeu fica ferido quanto à legitimidade democrática.
A Espanha foi o primeiro país da União Europeia a pronunciar-se por referendo sobre a Constituição Europeia.
Outras leituras
O primeiro-ministro espanhol, José Luís Zapatero, faz uma leitura diferente do referendo, afirmando que os eleitores fizeram «história na Europa» com «o “Sim” claro e preciso» à Constituição. Zapatero declarou que os espanhóis «mostraram a sua vontade em participar na construção política europeia» e incitou os cidadãos da União Europeia a seguirem o «caminho que a Espanha abriu».
Por seu lado, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, manifestou a sua «grande satisfação» com o «voto histórico e pioneiro». «O povo espanhol enviou um sinal forte aos cidadãos europeus que devem pronunciar-se sobre a Constituição nos próximos meses», afirmou.
O presidente francês, Jacques Chirac, declarou que o referendo «tem um forte significado e mostra o caminho a outros países que vão ratificar o texto nos próximos meses», enquanto o Alto Representante para a Política Externa da União Europeia, o espanhol Javier Solana, disse estar convicto de que esta consulta terá um «impacto positivo» na União Europeia.
O coordenador-geral da Izquierda Unida, Gaspar Llamazares, considera que se trata de um «resultado incontestavelmente crítico» que foi obtido em circunstâncias «difíceis» e depois de uma luta «contra ventos e marés» numa campanha em que «se tentou amordaçar as forças do “Não”».
Acusando o governo de impedir a realização de um verdadeiro debate durante a campanha para o referendo, Gaspar Llamazares considera que ficou claro que a maioria dos cidadãos «não se sentem convencidos por este tratado», o que retira «credibilidade e legitimidade» à sua aprovação. O líder da IU prevê que esta situação se repita nos restantes países da União Europeia onde se realizem referendos sobre esta questão.
A IU sublinha que os votos no «Sim» correspondem apenas a metade da votação do PSOE e do PP nas últimas eleições gerais e afirma que o «fracasso» cabe principalmente ao Governo, que levou a cabo «a campanha mais sectária desde o referendo da Nato» e provocou «indiferença e indignação» na população.
A Izquierda Unida está disposta a gerir a «contestação» à Constituição Europeia por parte da maioria de eleitores que não votou, os que votaram «Não» e os que, «de forma crítica», votaram em branco, um conjunto cuja opinião «terá consequências na política espanhola e europeia».
«Os que querem outra Europa têm que começar um trabalho constituinte activo, pacifista e social, porque outra Europa é possível», comentou Llamazares, registando o afastamento dos espanhóis em relação a um projecto que lhes é imposto e a uma «campanha à margem das práticas democráticas». O coordenador-geral da IU recordou que apenas votou 30 por cento do eleitorado, uma percentagem que não seria suficiente se o referendo fosse vinculativo, considerando que o Tratado Europeu fica ferido quanto à legitimidade democrática.
A Espanha foi o primeiro país da União Europeia a pronunciar-se por referendo sobre a Constituição Europeia.
Outras leituras
O primeiro-ministro espanhol, José Luís Zapatero, faz uma leitura diferente do referendo, afirmando que os eleitores fizeram «história na Europa» com «o “Sim” claro e preciso» à Constituição. Zapatero declarou que os espanhóis «mostraram a sua vontade em participar na construção política europeia» e incitou os cidadãos da União Europeia a seguirem o «caminho que a Espanha abriu».
Por seu lado, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, manifestou a sua «grande satisfação» com o «voto histórico e pioneiro». «O povo espanhol enviou um sinal forte aos cidadãos europeus que devem pronunciar-se sobre a Constituição nos próximos meses», afirmou.
O presidente francês, Jacques Chirac, declarou que o referendo «tem um forte significado e mostra o caminho a outros países que vão ratificar o texto nos próximos meses», enquanto o Alto Representante para a Política Externa da União Europeia, o espanhol Javier Solana, disse estar convicto de que esta consulta terá um «impacto positivo» na União Europeia.