Acordo precário
Israel e a Autoridade Nacional Palestiniana chegaram a acordo para a entrega da segurança de quatro cidades da Cisjordânia à polícia palestiniana.
A discussão dos temas mais polémicos tem sido evitada
A decisão foi anunciada no sábado pelo ministro da Defesa israelita, Shaul Mofaz, após uma reunião em Telavive com o representante palestiniano para as questões de segurança, Mohamed Dahlán.
Em declarações à radio israelita, Mofaz afirmou estar convencido de que «há uma oportunidade para criar uma nova realidade» entre as partes, sendo nesse contexto que as cidades de Ramala, Jericó, Kalkilia e Tulkarem vão passar para a alçada das forças palestinianas.
As negociações entre o governo de Ariel Sharon e a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) em matéria de segurança são consequência das diligências que o presidente da ANP, Mahmud Abbás (Abú Mazen), tem vindo a fazer junto dos diferentes grupos armados palestinianos de forma a garantir uma trégua, cujo anúncio parece estar agora apenas pendente de uma declaração de cessar-fogo por parte de Israel.
Embora ainda sem confirmação oficial, para 8 de Fevereiro está prevista uma cimeira entre Sharon e Abú Mazen, que deverá ser antecedida de um encontro de ambos, em separado, com a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que se desloca à região nos dias 6 e 7 de Fevereiro.
A discussão dos temas mais polémicos tem sido evitada, o que agrada a Israel, que faz depender qualquer avanço nas negociações de paz do fim da luta armada por parte dos palestinianos.
Sem contrapartidas
É pouco provável no entanto que a «contenção» exigida por Telavive se possa manter sem contrapartidas. Um relatório governamental divulgado no fim-de-semana pelo diário israelita Yediot Ajronot revela que nos últimos dez anos foram criados 110 novos colonatos na Cisjordânia, que embora não tendo sido autorizados pelo governo contaram com a sua conivência.
Tanto os «colonatos selvagens» como os autorizados por Telavive são ilegais, à luz do direito internacional, e o próprio «Roteiro da paz» estipula o seu desmantelamento, mas o governo de Sharon tem uma visão muito própria do que entende por «retirada» dos territórios palestinianos.
Para esta semana, segundo notícias vindas a lume, está previsto um anúncio de Sharon sobre o novo troço do «muro do apartheid», que deixa do lado israelita o território ocupado por 10 importantes colonatos e cerca de 18 000 palestinianos.
Israel tomou ainda uma série de medidas sobre Jerusalém que nada contribuem para o clima de diálogo: a implementação da «lei dos ausentes», que permite confiscar a terra aos palestinianos que não vivem na cidade; a proibição dos habitantes de certos bairro de Jerusalém Oriental se mudarem para a Cisjordânia, e a ordem de destruição de 74 casas de um bairro árabe por se encontrarem a menos de 500 metros do muro.
Hamas exige contrapartidas
No início da semana, uma criança de 10 anos foi morta com um tiro na cabeça pelo exército israelita, no sul da Faixa de Gaza. A menina encontrava-se junto à escola da UNRAW
(Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos), quando soldados
israelitas abriram fogo no campo de refugiados de Rafah. Uma outra menina, de sete anos, ficou ferida.
A reacção do Hamas não se fez esperar, com um ataque de retaliação contra Israel.
O incidente, que elevou para 4725 o número de mortos desde o início da Intifada em
Setembro de 2000, dos quais 3670 são palestinianos e 981 israelitas, pôs termo à frágil acalmia vivida na região nos últimos dias. É um cenário que se repete sempre que no horizonte político surgem sinais de uma possível, ainda que precária, aproximação entre israelitas e palestinianos.
Qualquer acordo entre as partes terá no entanto que contar com o Hamas, cuja influência na Faixa de Gaza ficou patente nas eleições municipais parciais realizadas há uma semana. O movimento islamista foi o grande vencedor, conquistando 77 dos 118 lugares em disputa e passando a liderar em sete das dez localidades que foram às urnas. A Fatah, do presidente palestiniano Mahmoud Abbas, obteve 39 mandatos.
Já nas eleições parciais de Dezembro, realizadas em 26 localidades da Cisjordânia, o Hamas ficou em maioria em oito dos conselhos municipais, enquanto a Fatah se afirmou como força maioritária em 12 conselhos. Na próxima etapa eleitoral, a 28 de Abril, centenas de municípios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza vão escolher os seus representantes.
«A clara mensagem para a entidade sionista é que o programa da resistência dirigido pelo Hamas (...) pode obter resultados noutras áreas», como na política, afirmou o dirigente local do movimento, Mahamoud Zahar, advertindo que as tréguas propostas pela ANP não serão viáveis sem contrapartidas israelitas.
Em declarações à radio israelita, Mofaz afirmou estar convencido de que «há uma oportunidade para criar uma nova realidade» entre as partes, sendo nesse contexto que as cidades de Ramala, Jericó, Kalkilia e Tulkarem vão passar para a alçada das forças palestinianas.
As negociações entre o governo de Ariel Sharon e a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) em matéria de segurança são consequência das diligências que o presidente da ANP, Mahmud Abbás (Abú Mazen), tem vindo a fazer junto dos diferentes grupos armados palestinianos de forma a garantir uma trégua, cujo anúncio parece estar agora apenas pendente de uma declaração de cessar-fogo por parte de Israel.
Embora ainda sem confirmação oficial, para 8 de Fevereiro está prevista uma cimeira entre Sharon e Abú Mazen, que deverá ser antecedida de um encontro de ambos, em separado, com a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que se desloca à região nos dias 6 e 7 de Fevereiro.
A discussão dos temas mais polémicos tem sido evitada, o que agrada a Israel, que faz depender qualquer avanço nas negociações de paz do fim da luta armada por parte dos palestinianos.
Sem contrapartidas
É pouco provável no entanto que a «contenção» exigida por Telavive se possa manter sem contrapartidas. Um relatório governamental divulgado no fim-de-semana pelo diário israelita Yediot Ajronot revela que nos últimos dez anos foram criados 110 novos colonatos na Cisjordânia, que embora não tendo sido autorizados pelo governo contaram com a sua conivência.
Tanto os «colonatos selvagens» como os autorizados por Telavive são ilegais, à luz do direito internacional, e o próprio «Roteiro da paz» estipula o seu desmantelamento, mas o governo de Sharon tem uma visão muito própria do que entende por «retirada» dos territórios palestinianos.
Para esta semana, segundo notícias vindas a lume, está previsto um anúncio de Sharon sobre o novo troço do «muro do apartheid», que deixa do lado israelita o território ocupado por 10 importantes colonatos e cerca de 18 000 palestinianos.
Israel tomou ainda uma série de medidas sobre Jerusalém que nada contribuem para o clima de diálogo: a implementação da «lei dos ausentes», que permite confiscar a terra aos palestinianos que não vivem na cidade; a proibição dos habitantes de certos bairro de Jerusalém Oriental se mudarem para a Cisjordânia, e a ordem de destruição de 74 casas de um bairro árabe por se encontrarem a menos de 500 metros do muro.
Hamas exige contrapartidas
No início da semana, uma criança de 10 anos foi morta com um tiro na cabeça pelo exército israelita, no sul da Faixa de Gaza. A menina encontrava-se junto à escola da UNRAW
(Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos), quando soldados
israelitas abriram fogo no campo de refugiados de Rafah. Uma outra menina, de sete anos, ficou ferida.
A reacção do Hamas não se fez esperar, com um ataque de retaliação contra Israel.
O incidente, que elevou para 4725 o número de mortos desde o início da Intifada em
Setembro de 2000, dos quais 3670 são palestinianos e 981 israelitas, pôs termo à frágil acalmia vivida na região nos últimos dias. É um cenário que se repete sempre que no horizonte político surgem sinais de uma possível, ainda que precária, aproximação entre israelitas e palestinianos.
Qualquer acordo entre as partes terá no entanto que contar com o Hamas, cuja influência na Faixa de Gaza ficou patente nas eleições municipais parciais realizadas há uma semana. O movimento islamista foi o grande vencedor, conquistando 77 dos 118 lugares em disputa e passando a liderar em sete das dez localidades que foram às urnas. A Fatah, do presidente palestiniano Mahmoud Abbas, obteve 39 mandatos.
Já nas eleições parciais de Dezembro, realizadas em 26 localidades da Cisjordânia, o Hamas ficou em maioria em oito dos conselhos municipais, enquanto a Fatah se afirmou como força maioritária em 12 conselhos. Na próxima etapa eleitoral, a 28 de Abril, centenas de municípios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza vão escolher os seus representantes.
«A clara mensagem para a entidade sionista é que o programa da resistência dirigido pelo Hamas (...) pode obter resultados noutras áreas», como na política, afirmou o dirigente local do movimento, Mahamoud Zahar, advertindo que as tréguas propostas pela ANP não serão viáveis sem contrapartidas israelitas.