As listas
Ambos os jornais ditos «de referência» (o Público e o Diário de Notícias, embora este último já disfarce a custo a «voz do dono» desde que Luís Delgado, o «comissário» do Governo de Santana, «renovou» ao gosto as direcções e orientação do jornal), ambas as publicações, repita-se, foram esta semana convergentes no sarcasmo com que anunciaram o encerramento das listas às próximas eleições
Em três fartas páginas (duas no Público, uma no Diário de Notícias), ambos debitaram uma enxurrada de remoques.
Após assinalar, em fundo de página, a presença de «jornalistas e ex-assessores em todas listas eleitorais» (facto, aliás, desprovido de qualquer estranheza ou ambiguidade), o Diário de Notícias filava a denúncia de que «ligações familiares podem dar acesso a S. Bento», espraiando-se nas ditas ligações: no PS, «há casos mais conhecidos como o de Matilde Sousa Franco, cabeça-de-lista por Coimbra e viúva de Sousa Franco», somando-se-lhe, na mesma lista por Coimbra, «Maria Teresa Alegre Portugal, irmã de Manuel Alegre» e «Maria Antónia Almeida Santos, filha do ex-presidente da Assembleia da República», enquanto em Castelo Branco aparece Jorge Seguro, «primo de António José Seguro», em Aveiro Carlos Candal é «substituído pelo seu filho, Afonso Candal» e em Braga o presidente da Câmara PS, Mesquita Machado, coloca a filha Ana Catarina Gama Mesquita Machado. Quanto ao PSD, também não se fica a rir, neste forrobodó de parlamentarismo cripto-dinástico: «os irmãos Feliciano e João Carlos Barreiras Duarte integram a lista dos candidatos por Leiria», enquanto os irmãos (por sinal fadistas e monárquicos) Nuno e Gonçalo da Câmara Pereira são candidatos por Lisboa.
Quanto ao Público, em relação ao Partido Socialista denuncia o «guterrismo nas listas do PS» onde «o processo de angariação de candidatos a deputados desceu do nível de ex-ministro e ex-secretário de Estado até ao de ex-assessores do antigo primeiro-ministro», abundando os exemplos: Miguel Laranjeiro, que durante seis anos foi assessor de Imprensa de Guterres e agora surge na lista de candidatos de Braga, Humberto Rosa, que assessorou Guterres na área do Ambiente e aparece na lista de Lisboa ou, ainda, Marcos Perestrelo, que nem sequer foi assessor de Guterres, mas do seu ministro António Costa e que emerge na lista de Beja. Quanto ao PSD, «o processo de escolha dos deputados foi conturbado até ao fim», como é público e notório desde a inenarrável embrulhada de Pôncio Monteiro, «convidado» e «desconvidado» no Porto e que até «traidor» chamou a Santana Lopes e culminando no «líder da JSD, Jorge Nuno e Sá, que saiu da lista (em lugar elegível) por discordar da forma como a sua estrutura foi tratada.». Isto sem falar da miríade de «desistências» e «substituições» que estão na calha, sobretudo no PS, mal cheguem ao poder.
Deste estendal exposto pelos «jornais de referência» resulta uma leitura óbvia: a desvergonha, o oportunismo e o conluio na formação das listas são de tal calibre e descaramento que, aos ditos vespertinos, não restou outra alternativa senão ironizar com elas.
Como sempre, ignoraram o PCP e a CDU neste levantamento.
Só que, desta vez, foi pela boa razão de que no PCP e na CDU – ao contrário do PS e do PSD – não há nem nunca houve tachos para amigos, conluios com assessores, negociatas nas nomeações, escolhas por «herança de família» e etc. etc.
Ora isso, para os «jornais de referência», também «não é notícia»...
Em três fartas páginas (duas no Público, uma no Diário de Notícias), ambos debitaram uma enxurrada de remoques.
Após assinalar, em fundo de página, a presença de «jornalistas e ex-assessores em todas listas eleitorais» (facto, aliás, desprovido de qualquer estranheza ou ambiguidade), o Diário de Notícias filava a denúncia de que «ligações familiares podem dar acesso a S. Bento», espraiando-se nas ditas ligações: no PS, «há casos mais conhecidos como o de Matilde Sousa Franco, cabeça-de-lista por Coimbra e viúva de Sousa Franco», somando-se-lhe, na mesma lista por Coimbra, «Maria Teresa Alegre Portugal, irmã de Manuel Alegre» e «Maria Antónia Almeida Santos, filha do ex-presidente da Assembleia da República», enquanto em Castelo Branco aparece Jorge Seguro, «primo de António José Seguro», em Aveiro Carlos Candal é «substituído pelo seu filho, Afonso Candal» e em Braga o presidente da Câmara PS, Mesquita Machado, coloca a filha Ana Catarina Gama Mesquita Machado. Quanto ao PSD, também não se fica a rir, neste forrobodó de parlamentarismo cripto-dinástico: «os irmãos Feliciano e João Carlos Barreiras Duarte integram a lista dos candidatos por Leiria», enquanto os irmãos (por sinal fadistas e monárquicos) Nuno e Gonçalo da Câmara Pereira são candidatos por Lisboa.
Quanto ao Público, em relação ao Partido Socialista denuncia o «guterrismo nas listas do PS» onde «o processo de angariação de candidatos a deputados desceu do nível de ex-ministro e ex-secretário de Estado até ao de ex-assessores do antigo primeiro-ministro», abundando os exemplos: Miguel Laranjeiro, que durante seis anos foi assessor de Imprensa de Guterres e agora surge na lista de candidatos de Braga, Humberto Rosa, que assessorou Guterres na área do Ambiente e aparece na lista de Lisboa ou, ainda, Marcos Perestrelo, que nem sequer foi assessor de Guterres, mas do seu ministro António Costa e que emerge na lista de Beja. Quanto ao PSD, «o processo de escolha dos deputados foi conturbado até ao fim», como é público e notório desde a inenarrável embrulhada de Pôncio Monteiro, «convidado» e «desconvidado» no Porto e que até «traidor» chamou a Santana Lopes e culminando no «líder da JSD, Jorge Nuno e Sá, que saiu da lista (em lugar elegível) por discordar da forma como a sua estrutura foi tratada.». Isto sem falar da miríade de «desistências» e «substituições» que estão na calha, sobretudo no PS, mal cheguem ao poder.
Deste estendal exposto pelos «jornais de referência» resulta uma leitura óbvia: a desvergonha, o oportunismo e o conluio na formação das listas são de tal calibre e descaramento que, aos ditos vespertinos, não restou outra alternativa senão ironizar com elas.
Como sempre, ignoraram o PCP e a CDU neste levantamento.
Só que, desta vez, foi pela boa razão de que no PCP e na CDU – ao contrário do PS e do PSD – não há nem nunca houve tachos para amigos, conluios com assessores, negociatas nas nomeações, escolhas por «herança de família» e etc. etc.
Ora isso, para os «jornais de referência», também «não é notícia»...