O mais certo...
Segundo o Público, o PSD «quer fazer uma campanha em moldes menos tradicionais» e Pedro Santana Lopes tem dito em reuniões do seu partido que «as pessoas estão fartas de campanhas eleitorais» pelo que, ele próprio, se prepara «para fazer uma campanha diferente».
Diferente como?
Até ver (porque as ideias de Santana não param muito tempo no mesmo sítio), o nosso Primeiro-ministro demissionário apronta-se para visitar «aldeias ou locais recônditos» e ainda «pernoitar numa república de Coimbra» - tudo imaginado pela sua própria cabeça.
Pelos vistos, para Santana Lopes e a partir de agora, uma «campanha eleitoral diferente» começa nuns passeios de turismo rural pelos locais do interior onde, geralmente, mora o pitoresco de um atraso congelado no espaço e no tempo (pela eterna indiferença dos poderes públicos, tá bem de ver) e acaba numa estúrdia coimbrã, até às tantas da madrugada, numa república com a malta universitária, o que deve permitir-lhe sacudir o torpor que, eventualmente, a anterior surtida pelo «recôndito» lhe haja insinuado na disposição eleitoral.
No outro lado da mesma moeda, o novel secretário-geral do PS, José Sócrates, apruma a sua postura delicada e vai engrossando a voz a «pedir uma maioria absoluta aos portugueses», explicando que «não é por arrogância» ou por «querer esmagar os adversários», mas «por causa da estabilidade».
A estabilidade de fazer o que entende, evidentemente, sem a maçada de negociar acordos, apoios ou concordâncias com outros partidos.
Não há qualquer arrogância nesta ambição, é claro. Nem a mais remota vontade de «esmagar adversários».
Há, simplesmente, um irreprimível e voluptuoso anseio de ignorar toda e qualquer futura oposição pelo facto, amplamente democrático, de uma maioria absoluta tornar irrelevante qualquer oposição, nos actos da governança.
Apesar das diferenças de estilo, há uma curiosa semelhança entre estes dois líderes.
As diferenças são tão óbvias, que resvalam para o anedótico.
Enquanto Santana já treslê à procura de «novidades eleitorais», porque está de cabeça quase perdida na angústia de ser corrido do poder e do palco, Sócrates exulta de tal modo com a lotaria do poder que vê aproximar-se-lhe do colo, que se comporta como um apostador guloso e já pede a todas as alminhas que lhe calhe uma taluda das grandes.
A do poder absoluto, nem mais nem menos. Caucionado democraticamente, tá bem de ver.
Quanto à semelhança entre os dois, é igualmente óbvia mas já não resvala para o anedótico.
É sobretudo grave, para não dizer dramática.
E consiste no facto de ambos, nesta alucinada caça ao voto, não proferirem uma única palavra sobre a política com que pretendem justificar e merecer os votos que buscam.
Santana nada diz sobre a desastrosa política de direita que tem praticado e, obviamente, deseja prosseguir.
Sócrates nada diz sobre a política de direita que diz querer substituir, nem que tem uma política de esquerda para realizar.
Limita-se a pedir a maioria absoluta. Obviamente, para ter o poder absoluto.
Como a direita gosta, defende e faz, sempre que pode.
O que demonstra que votar no PS de Sócrates pode ajudar a afastar Santana Lopes, mas não acaba com a política de direita.
O mais certo é prossegui-la, se não mesmo aprofundá-la.
Assim sendo, imaginem o desastre que será dar a Sócrates a maioria absoluta...
Diferente como?
Até ver (porque as ideias de Santana não param muito tempo no mesmo sítio), o nosso Primeiro-ministro demissionário apronta-se para visitar «aldeias ou locais recônditos» e ainda «pernoitar numa república de Coimbra» - tudo imaginado pela sua própria cabeça.
Pelos vistos, para Santana Lopes e a partir de agora, uma «campanha eleitoral diferente» começa nuns passeios de turismo rural pelos locais do interior onde, geralmente, mora o pitoresco de um atraso congelado no espaço e no tempo (pela eterna indiferença dos poderes públicos, tá bem de ver) e acaba numa estúrdia coimbrã, até às tantas da madrugada, numa república com a malta universitária, o que deve permitir-lhe sacudir o torpor que, eventualmente, a anterior surtida pelo «recôndito» lhe haja insinuado na disposição eleitoral.
No outro lado da mesma moeda, o novel secretário-geral do PS, José Sócrates, apruma a sua postura delicada e vai engrossando a voz a «pedir uma maioria absoluta aos portugueses», explicando que «não é por arrogância» ou por «querer esmagar os adversários», mas «por causa da estabilidade».
A estabilidade de fazer o que entende, evidentemente, sem a maçada de negociar acordos, apoios ou concordâncias com outros partidos.
Não há qualquer arrogância nesta ambição, é claro. Nem a mais remota vontade de «esmagar adversários».
Há, simplesmente, um irreprimível e voluptuoso anseio de ignorar toda e qualquer futura oposição pelo facto, amplamente democrático, de uma maioria absoluta tornar irrelevante qualquer oposição, nos actos da governança.
Apesar das diferenças de estilo, há uma curiosa semelhança entre estes dois líderes.
As diferenças são tão óbvias, que resvalam para o anedótico.
Enquanto Santana já treslê à procura de «novidades eleitorais», porque está de cabeça quase perdida na angústia de ser corrido do poder e do palco, Sócrates exulta de tal modo com a lotaria do poder que vê aproximar-se-lhe do colo, que se comporta como um apostador guloso e já pede a todas as alminhas que lhe calhe uma taluda das grandes.
A do poder absoluto, nem mais nem menos. Caucionado democraticamente, tá bem de ver.
Quanto à semelhança entre os dois, é igualmente óbvia mas já não resvala para o anedótico.
É sobretudo grave, para não dizer dramática.
E consiste no facto de ambos, nesta alucinada caça ao voto, não proferirem uma única palavra sobre a política com que pretendem justificar e merecer os votos que buscam.
Santana nada diz sobre a desastrosa política de direita que tem praticado e, obviamente, deseja prosseguir.
Sócrates nada diz sobre a política de direita que diz querer substituir, nem que tem uma política de esquerda para realizar.
Limita-se a pedir a maioria absoluta. Obviamente, para ter o poder absoluto.
Como a direita gosta, defende e faz, sempre que pode.
O que demonstra que votar no PS de Sócrates pode ajudar a afastar Santana Lopes, mas não acaba com a política de direita.
O mais certo é prossegui-la, se não mesmo aprofundá-la.
Assim sendo, imaginem o desastre que será dar a Sócrates a maioria absoluta...