É que não passa mesmo!
A direita anda encavacada. Obrigada a apresentar-se em eleições, está com medo da nota, como o aluno cábula que tem o ponto de exame cheio de erros. Está a afogar-se e procura uma tábua a que agarrar-se repetindo aos gritos: salvem a estabilidade!
Mas que estabilidade é essa? Por que caíram tantos governos em geito de pim-pam-pum?
Quanto ao governo Santana Lopes tem-se falado muito nas suas trapalhadas (que são reais) e nas suas trapalhices (que ainda o são mais). Mas com mais ou menos trapalhadas e trapalhices caíram também nos últimos anos os governos de Barroso, Guterres e do próprio tão gabado Cavaco.
Falseando a questão há quem pretenda, com ranços de sabor fascista, responsabilizar o regime por essa instabilidade.
Mas a questão é outra.
Todos esses governos caíram porque a sua política «não passou».
Tiveram pela frente o protesto popular, o descontentamento da grande maioria do povo português, a desilusão dos que acreditaram nas suas falsas promessas eleitorais. Ganharam nas urnas mas perderam no governo porque o povo derrotou as suas práticas políticas, que levaram a uma selvática apropriação de direitos, a uma alteração brutal da estrutura produtiva com consequências catastróficas: destruição do aparelho de produção na agricultura, nas pescas, na indústria, redução da produção nacional, desemprego, agravamento das condições de vida da grande maioria da população, crise. O trabalho não é apresentado como um valor social mas como um ónus do trabalhador e quase um favor do patronato. E o agravamento destes factores tem levado à alteração da confiança no próprio funcionamento do Estado, apresentada agora pela direita como pretexto para exigir uma mudança de regime.
A reclamação socratista de maioria absoluta pedida pelo PS é uma das vias para essa alteração de regime, tal como a jura de casamento pós-eleitoral PSD-PP, uma e outra no sentido da bi-polarização do sistema, com partidos de poder absoluto.
O Estado sou eu – dizia Luís XIV na França do Século XVII. Mas isso não salvou as monarquias absolutistas feudais tal como não salvará as concepções antidemocráticas da direita «moderna». Qualquer política de direita, qualquer que seja o governo que a aplique, não passará também. Porque a sua política «não passa», não tem, nem nunca poderá ter, o apoio popular, será sempre factor de instabilidade social e política.
Este final de 2004 é boa ocasião para se pensar nisso.
Para não se repetir a rotatividade das políticas de direita, para a formação de uma nova maioria, é necessário dar mais apoio, mais votos à CDU, mais voz ao PCP.
Isso é possível.
Abril não foi um acaso histórico.
Mas que estabilidade é essa? Por que caíram tantos governos em geito de pim-pam-pum?
Quanto ao governo Santana Lopes tem-se falado muito nas suas trapalhadas (que são reais) e nas suas trapalhices (que ainda o são mais). Mas com mais ou menos trapalhadas e trapalhices caíram também nos últimos anos os governos de Barroso, Guterres e do próprio tão gabado Cavaco.
Falseando a questão há quem pretenda, com ranços de sabor fascista, responsabilizar o regime por essa instabilidade.
Mas a questão é outra.
Todos esses governos caíram porque a sua política «não passou».
Tiveram pela frente o protesto popular, o descontentamento da grande maioria do povo português, a desilusão dos que acreditaram nas suas falsas promessas eleitorais. Ganharam nas urnas mas perderam no governo porque o povo derrotou as suas práticas políticas, que levaram a uma selvática apropriação de direitos, a uma alteração brutal da estrutura produtiva com consequências catastróficas: destruição do aparelho de produção na agricultura, nas pescas, na indústria, redução da produção nacional, desemprego, agravamento das condições de vida da grande maioria da população, crise. O trabalho não é apresentado como um valor social mas como um ónus do trabalhador e quase um favor do patronato. E o agravamento destes factores tem levado à alteração da confiança no próprio funcionamento do Estado, apresentada agora pela direita como pretexto para exigir uma mudança de regime.
A reclamação socratista de maioria absoluta pedida pelo PS é uma das vias para essa alteração de regime, tal como a jura de casamento pós-eleitoral PSD-PP, uma e outra no sentido da bi-polarização do sistema, com partidos de poder absoluto.
O Estado sou eu – dizia Luís XIV na França do Século XVII. Mas isso não salvou as monarquias absolutistas feudais tal como não salvará as concepções antidemocráticas da direita «moderna». Qualquer política de direita, qualquer que seja o governo que a aplique, não passará também. Porque a sua política «não passa», não tem, nem nunca poderá ter, o apoio popular, será sempre factor de instabilidade social e política.
Este final de 2004 é boa ocasião para se pensar nisso.
Para não se repetir a rotatividade das políticas de direita, para a formação de uma nova maioria, é necessário dar mais apoio, mais votos à CDU, mais voz ao PCP.
Isso é possível.
Abril não foi um acaso histórico.