Suspeitas de fraude relançam crise
Mais de 150 dias depois do início da campanha presidencial na Ucrânia, Iuchtchenko venceu as eleições, mas Ianukovitch reclama a impugnação dos resultados.
«Os eleitores foram “repudiados e humilhados”»
Contados os boletins de 99,2 por cento das assembleias de voto, Viktor Iuchtchenko foi declarado pela Comissão Eleitoral vencedor do escrutínio com 52,22 por cento contra 43,99 do actual primeiro-ministro, Viktor Ianukovitch.
Há cerca de um mês, o resultado inverso desencadeou uma crise política no país. Os «laranjas» de Iuchtchenko saíram para as ruas da capital, Kiev, e reclamaram a existência de fraudes que ilegitimavam o sufrágio, vozes imediatamente secundadas pela UE, EUA, NATO e organizações encarregadas de monitorizar o acto, as mesmas que, agora que está garantida a eleição do candidato «pró-ocidental», afiançam não serem relevantes as irregularidades registadas no domingo passado.
O representante da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Bruce George, afirmou que «a gestão da eleição foi mais transparente e honesta», mas revelou que «isto não quer dizer que a eleição tenha sido perfeita. De facto, não foi».
Imperfeições e irregularidades que levam os apoiantes do candidato derrotado, Ianukovitch, a protestar os resultados e pedir a abertura de um processo de impugnação na instâncias judiciais do país.
Forte oposição
No dia anterior às eleições, o Tribunal Constitucional divulgou um parecer que deu provimento às queixas de Ianukovitch, afirmando que a emenda constitucional proibindo o direito de voto no domicílio era «inconstitucional» e sublinhou que «a decisão é definitiva e não pode ser alvo de recurso».
Iuchtchenko, os EUA e a UE viram cair pela base um dos argumentos para reclamarem fraude nas anteriores eleições, isto é, as centenas de milhar de votos considerados irregulares pelo Supremo Tribunal estavam, no mínimo, enquadrados no texto fundamental da Ucrânia.
Desta vez é Ianukovitch quem afirma que «jamais reconhecerá uma tal derrota porque a Constituição e os direitos humanos foram desrespeitados», promete «forte oposição» e pretende anular o resultado com base na apresentação de provas de irregularidades cometidas.
Embora prometa travar a batalha pela impugnação das eleições com recurso às «vias legais», Ianukovitch revelou que não confia na câmara civil do Supremo Tribunal, pelo que pretende que a queixa apresentada no sentido de «examinar a votação e anular o resultado» seja avaliada «publicamente pelo colégio do Tribunal».
Segundo dados da candidatura «azul», ficaram impossibilitados de exercer o direito de voto mais de quatro milhões de cidadãos, razão suficiente para Ianukovitch dizer que estes eleitores foram «repudiados e humilhados».
Confissões de parcialidade
Quando há um mês as urnas deram a vitória a Ianukovitch, a «comunidade internacional» uniu-se para forçar a realização de um novo sufrágio.
Apoiou as reclamações de Iuchtchenko, fez eco das suas acusações de fraude e jogou uma importante pressão diplomática no sentido da vitória do candidato «pró-ocidental», ainda que tais posições tivessem descortinado o perigo de fractura insanável entre o povo ucraniano.
Alcançado o objectivo, Colin Powell, secretário de Estado norte-americano, veio a terreiro afirmar as eleições de domingo como «livres e justas».
Pelo mesmo diapasão alinhou Terry Davis, secretário-geral do Conselho da Europa, o qual falou em «vontade do povo» e apelou «a todas as partes para que aceitem o veredicto»
Todos de acordo, o Alto Representante para a Política Externa da UE, Javier Solana, veio confirmar o acto com a chancela de Bruxelas e apelou às «responsabilidades».
Meios e instrumentos do imperialismo
Máquina de ganhar eleições
Em artigo publicado no Diário Vermelho, o secretário-geral do Partido Comunista da Federação Russa, Guennadi Ziuganov, acusa os EUA de se valerem «dos seus novos satélites na Europa Oriental, com a Polónia encabeçando o grupo» para alargarem a base de apoio à sua ofensiva belicísta.
O comunista russo diz mesmo que «o objectivo da administração americana na crise actual é evidente: precisam de uma Ucrânia com orientação pró-ocidental, que sirva como um apoio à Polónia, principal baluarte da NATO no Leste da Europa. Para chegar aos objectivos propostos, Iuchtchenko é a melhor aposta. Enormes somas de dinheiro chegaram dos EUA para o êxito da operação, passando pela Polónia. Por isso puseram em acção em Kiev os mesmos mecanismos que vimos anteriormente em Praga, Belgrado e Tiblissi».
Os tais mecanismos de que nos fala Ziuganov podem ser consultados na Internet.
Os sítios http://pora.org.ua/en/, http://www.otpor.com e http://www.kmara.ge, revelam os braços de uma organização animada em espalhar os valores da «democracia» e da «liberdade», ideias caras ao magnata da especulação financeira George Soros, suspeito de ser o principal contribuinte para as acções destas estruturas em prol de candidaturas «amigas» do ocidente.
Em http://pora.org.ua/en/ confirmamos que se trata de uma empresa de larga experiência, com créditos firmados em favor das «oposições pluralistas» na Sérvia, Geórgia, República Eslovaca e, recentemente, na Ucrânia.
Os objectivos passam pelo «fomento da mobilização de grupos de cidadãos ucranianos, particularmente jovens estudantes» em favor «dos valores EuroAtlânticos».
Na mesma página desta organização de «acção cívica» encontramos uma galeria de fotos da campanha de Iuchtchenko onde as cores laranja se mesclam com o amarelo da PORA.
Somos igualmente informados dos princípios da organização, das actividades desenvolvidas, de alguns dos meios de campanha disponibilizados e até de uma coluna repleta de palavras de ordem incitando à «nova Ucrânia».
Findo o processo, a empresa parte para outras batalhas e os sítios na rede são abandonados e, limpos de qualquer prova do anterior «recheio», mostram o singelo logotipo vencedor.
A máquina está lubrificada e acumula êxitos na construção de resultados eleitorais «democráticos», por isso não será estranho se voltarmos a ver «ondas populares expontâneas» de outras cores, em outras paragens e com outros personagens, a reclamarem eleições até que os resultados lhes abram as portas do poder.
Há cerca de um mês, o resultado inverso desencadeou uma crise política no país. Os «laranjas» de Iuchtchenko saíram para as ruas da capital, Kiev, e reclamaram a existência de fraudes que ilegitimavam o sufrágio, vozes imediatamente secundadas pela UE, EUA, NATO e organizações encarregadas de monitorizar o acto, as mesmas que, agora que está garantida a eleição do candidato «pró-ocidental», afiançam não serem relevantes as irregularidades registadas no domingo passado.
O representante da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Bruce George, afirmou que «a gestão da eleição foi mais transparente e honesta», mas revelou que «isto não quer dizer que a eleição tenha sido perfeita. De facto, não foi».
Imperfeições e irregularidades que levam os apoiantes do candidato derrotado, Ianukovitch, a protestar os resultados e pedir a abertura de um processo de impugnação na instâncias judiciais do país.
Forte oposição
No dia anterior às eleições, o Tribunal Constitucional divulgou um parecer que deu provimento às queixas de Ianukovitch, afirmando que a emenda constitucional proibindo o direito de voto no domicílio era «inconstitucional» e sublinhou que «a decisão é definitiva e não pode ser alvo de recurso».
Iuchtchenko, os EUA e a UE viram cair pela base um dos argumentos para reclamarem fraude nas anteriores eleições, isto é, as centenas de milhar de votos considerados irregulares pelo Supremo Tribunal estavam, no mínimo, enquadrados no texto fundamental da Ucrânia.
Desta vez é Ianukovitch quem afirma que «jamais reconhecerá uma tal derrota porque a Constituição e os direitos humanos foram desrespeitados», promete «forte oposição» e pretende anular o resultado com base na apresentação de provas de irregularidades cometidas.
Embora prometa travar a batalha pela impugnação das eleições com recurso às «vias legais», Ianukovitch revelou que não confia na câmara civil do Supremo Tribunal, pelo que pretende que a queixa apresentada no sentido de «examinar a votação e anular o resultado» seja avaliada «publicamente pelo colégio do Tribunal».
Segundo dados da candidatura «azul», ficaram impossibilitados de exercer o direito de voto mais de quatro milhões de cidadãos, razão suficiente para Ianukovitch dizer que estes eleitores foram «repudiados e humilhados».
Confissões de parcialidade
Quando há um mês as urnas deram a vitória a Ianukovitch, a «comunidade internacional» uniu-se para forçar a realização de um novo sufrágio.
Apoiou as reclamações de Iuchtchenko, fez eco das suas acusações de fraude e jogou uma importante pressão diplomática no sentido da vitória do candidato «pró-ocidental», ainda que tais posições tivessem descortinado o perigo de fractura insanável entre o povo ucraniano.
Alcançado o objectivo, Colin Powell, secretário de Estado norte-americano, veio a terreiro afirmar as eleições de domingo como «livres e justas».
Pelo mesmo diapasão alinhou Terry Davis, secretário-geral do Conselho da Europa, o qual falou em «vontade do povo» e apelou «a todas as partes para que aceitem o veredicto»
Todos de acordo, o Alto Representante para a Política Externa da UE, Javier Solana, veio confirmar o acto com a chancela de Bruxelas e apelou às «responsabilidades».
Meios e instrumentos do imperialismo
Máquina de ganhar eleições
Em artigo publicado no Diário Vermelho, o secretário-geral do Partido Comunista da Federação Russa, Guennadi Ziuganov, acusa os EUA de se valerem «dos seus novos satélites na Europa Oriental, com a Polónia encabeçando o grupo» para alargarem a base de apoio à sua ofensiva belicísta.
O comunista russo diz mesmo que «o objectivo da administração americana na crise actual é evidente: precisam de uma Ucrânia com orientação pró-ocidental, que sirva como um apoio à Polónia, principal baluarte da NATO no Leste da Europa. Para chegar aos objectivos propostos, Iuchtchenko é a melhor aposta. Enormes somas de dinheiro chegaram dos EUA para o êxito da operação, passando pela Polónia. Por isso puseram em acção em Kiev os mesmos mecanismos que vimos anteriormente em Praga, Belgrado e Tiblissi».
Os tais mecanismos de que nos fala Ziuganov podem ser consultados na Internet.
Os sítios http://pora.org.ua/en/, http://www.otpor.com e http://www.kmara.ge, revelam os braços de uma organização animada em espalhar os valores da «democracia» e da «liberdade», ideias caras ao magnata da especulação financeira George Soros, suspeito de ser o principal contribuinte para as acções destas estruturas em prol de candidaturas «amigas» do ocidente.
Em http://pora.org.ua/en/ confirmamos que se trata de uma empresa de larga experiência, com créditos firmados em favor das «oposições pluralistas» na Sérvia, Geórgia, República Eslovaca e, recentemente, na Ucrânia.
Os objectivos passam pelo «fomento da mobilização de grupos de cidadãos ucranianos, particularmente jovens estudantes» em favor «dos valores EuroAtlânticos».
Na mesma página desta organização de «acção cívica» encontramos uma galeria de fotos da campanha de Iuchtchenko onde as cores laranja se mesclam com o amarelo da PORA.
Somos igualmente informados dos princípios da organização, das actividades desenvolvidas, de alguns dos meios de campanha disponibilizados e até de uma coluna repleta de palavras de ordem incitando à «nova Ucrânia».
Findo o processo, a empresa parte para outras batalhas e os sítios na rede são abandonados e, limpos de qualquer prova do anterior «recheio», mostram o singelo logotipo vencedor.
A máquina está lubrificada e acumula êxitos na construção de resultados eleitorais «democráticos», por isso não será estranho se voltarmos a ver «ondas populares expontâneas» de outras cores, em outras paragens e com outros personagens, a reclamarem eleições até que os resultados lhes abram as portas do poder.