O encarte
A poucos dias do final do ano e da porta da rua por onde hão-de sair sem deixar saudades, os membros do Governo acotovelam-se uns aos outros no frenesim de sacudir a água - que digo eu? a catarata! - do capote no respeitante às suas responsabilidades quanto ao estado deplorável a que o País chegou.
É caso para dizer que quanto mais se abaixam mais se lhe vê a roupa suja, que de resto não desdenham em trazer para a praça pública no mais confrangedor espectáculo a que nos foi dado assistir nas últimas décadas.
Os exemplos são tantos que a única dificuldade está na escolha.
Ele é um secretário de Estado a atirar-se intempestivamente aos bombeiros a seguir ao sismo (o telúrico, não o político) que recentemente se fez sentir em Portugal, e o ministro da tutela a apagar fogos com a desculpa da impetuosidade juvenil do seu subordinado, num caso que levou um antigo responsável dos «soldados da paz» a comentar, muito educadamente, se a memória não me falha, que «a ignorância é muito impertinente».
Ele é o demissionário primeiro-ministro, que já se havia auto classificado de «encubado», a queixar-se aos microfones radiofónicos - no melhor estilo das novelas mexicanas - das «cicatrizes» que tem nas costas das «facadas» que levou dentro e fora de casa e a garantir «chega!», não aceita mais golpes, ao que parece por falta de espaço.
Ele é o Bagão das Seguradoras e das missas, imbuído do mais profundo espírito natalício, a destilar veneno contra a sua antecessora nas Finanças, Manuela Ferreira Leite, a quem acusa de ter deixado uma cratera de três mil milhões de euros nas contas públicas, o que transforma em missão impossível a manutenção do défice orçamental de 2004 abaixo dos 3% como manda Bruxelas.
Ele é o folhetim da venda dos imóveis do Estado que afinal não eram para vender mas para ceder temporariamente à banca a fim de arrecadar uma receita extra, expediente recebido com um coro de protestos a nível interno e mais um «chumbo» da Europa.
Ele é o Paulinho das Feiras a falar de 800 postos de trabalho na Amadora como coisa certa e segura graças a um acordo que vai-se a ver nem sequer existe no papel.
Ele é... ele é uma canseira só para acompanhar o despautério deste desgoverno, que pensando bem deve ser o fruto da vingança de Durão Barroso, agora José Barroso e europeu, que deu à sola deixando o partido e o País armadilhado, a mostrar como não foi em vão o tempo passado nos radicalismos ditos esquerdistas, doença senil do capitalismo.
Ele é, enfim, mas seguramente não por último pois até 20 de Fevereiro muita água suja passará por debaixo das pontes, o despudorado encarte ontem distribuído com o Diário de Notícias a publicitar as pretensas maravilhas do Orçamento do Estado para 2005, isto é, a dizer aos contribuintes, que pagam o folheto, como irá ser bem aplicado o dinheiro dos impostos e que bom vai ser viver em Portugal sob a batuta da nova AD de opereta. Não se trata de propaganda à custa dos contribuintes, garante o executivo, com a mesma convicção com que assegura o crescimento, o rigor, o bem-estar, a eficácia, a coesão e tudo o mais que soe dizer-se quando se trata de enganar o Zé povinho.
Bem vistas as coisas, é a política do encarte quando já toda a gente anseia pelas badaladas da meia-noite a anunciar o dia do descarte.
É caso para dizer que quanto mais se abaixam mais se lhe vê a roupa suja, que de resto não desdenham em trazer para a praça pública no mais confrangedor espectáculo a que nos foi dado assistir nas últimas décadas.
Os exemplos são tantos que a única dificuldade está na escolha.
Ele é um secretário de Estado a atirar-se intempestivamente aos bombeiros a seguir ao sismo (o telúrico, não o político) que recentemente se fez sentir em Portugal, e o ministro da tutela a apagar fogos com a desculpa da impetuosidade juvenil do seu subordinado, num caso que levou um antigo responsável dos «soldados da paz» a comentar, muito educadamente, se a memória não me falha, que «a ignorância é muito impertinente».
Ele é o demissionário primeiro-ministro, que já se havia auto classificado de «encubado», a queixar-se aos microfones radiofónicos - no melhor estilo das novelas mexicanas - das «cicatrizes» que tem nas costas das «facadas» que levou dentro e fora de casa e a garantir «chega!», não aceita mais golpes, ao que parece por falta de espaço.
Ele é o Bagão das Seguradoras e das missas, imbuído do mais profundo espírito natalício, a destilar veneno contra a sua antecessora nas Finanças, Manuela Ferreira Leite, a quem acusa de ter deixado uma cratera de três mil milhões de euros nas contas públicas, o que transforma em missão impossível a manutenção do défice orçamental de 2004 abaixo dos 3% como manda Bruxelas.
Ele é o folhetim da venda dos imóveis do Estado que afinal não eram para vender mas para ceder temporariamente à banca a fim de arrecadar uma receita extra, expediente recebido com um coro de protestos a nível interno e mais um «chumbo» da Europa.
Ele é o Paulinho das Feiras a falar de 800 postos de trabalho na Amadora como coisa certa e segura graças a um acordo que vai-se a ver nem sequer existe no papel.
Ele é... ele é uma canseira só para acompanhar o despautério deste desgoverno, que pensando bem deve ser o fruto da vingança de Durão Barroso, agora José Barroso e europeu, que deu à sola deixando o partido e o País armadilhado, a mostrar como não foi em vão o tempo passado nos radicalismos ditos esquerdistas, doença senil do capitalismo.
Ele é, enfim, mas seguramente não por último pois até 20 de Fevereiro muita água suja passará por debaixo das pontes, o despudorado encarte ontem distribuído com o Diário de Notícias a publicitar as pretensas maravilhas do Orçamento do Estado para 2005, isto é, a dizer aos contribuintes, que pagam o folheto, como irá ser bem aplicado o dinheiro dos impostos e que bom vai ser viver em Portugal sob a batuta da nova AD de opereta. Não se trata de propaganda à custa dos contribuintes, garante o executivo, com a mesma convicção com que assegura o crescimento, o rigor, o bem-estar, a eficácia, a coesão e tudo o mais que soe dizer-se quando se trata de enganar o Zé povinho.
Bem vistas as coisas, é a política do encarte quando já toda a gente anseia pelas badaladas da meia-noite a anunciar o dia do descarte.