O DILEMA
Chegou a hora de fazer as contas
O dilema do início das negociações sobre a adesão da Turquia à União Europeia lançou o nervosismo na classe governante, nos partidos e nas instituições políticas alemãs. Chegou a hora de fazer as contas e verificar se a exploração da Turquia, dos seus mercados, riquezas naturais e força de trabalho pelos bancos e grandes monopólios europeus se fará com menores riscos e custos através da chamada «parceria privilegiada» ou da «integração como membro de pleno direito».
Desde 1990 que sobre pressão da UE a Turquia tem vindo a privatizar vários ramos do sector empresarial do Estado, entre eles o da Energia, os quais têm sido comprados por monopólios internacionais sobretudo alemães. Enquanto nos relatórios da UE a liberalização radical dos mercados do tabaco, electricidade, telecomunicações e gaz tem sido louvada, critica-se a lentidão na privatização da indústria, do sector bancário e da agricultura. Além da abertura dos mercados para os produtos dos monopólios internacionais exige-se a entrega da infraestrutura e do mercado de capitais aos bancos estrangeiros, isto é, a capitulação económica total.
A possibilidade da adesão da Turquia à UE veio levantar ainda mais a questão de como prosseguir o alargamento da União Europeia sem pôr em causa a hegemonia política e o poder das grandes potências, continuando os restantes estados membros a desempenhar o papel de simples satélites ou de segmentos de mercado.
Pela primeira vez, europeistas da democracia-cristã como Wolfgang Schäubler atrevem-se a afirmar abertamente que «os interesses nacionais da Alemanha prevalecem sobre a União Europeia», admitindo a possibilidade da sua implosão. Peter Glotz, antigo sercretário-geral do SPD, referindo-se aos resultados da cimeira de Nice e ao chamado «projecto de constituição europeia», ainda é mais explícito ao salientar que «deu tanto trabalho encontrar uma estrutura que permita à Alemanha manter a sua capacidade de decisão (hegemonia) que não podemos aceitar que um Estado com 70 milhões de habitantes venha pôr tudo em causa». O diário FAZ (18.12.04), porta-voz dos banqueiros de Frankfurt, avisa Schröder para ter cuidado senão «arrisca-se a ficar na história como o chanceler que abandonou a ideia da unidade política da Europa». Mas Schröder, sempre solícito em adivinhar e cumprir os desejos da oligarquia financeira, não precisou de tais avisos e já confirmara antes que a abertura das negociações será apenas o início de um processo cujo objectivo não está sujeito a qualquer automatismo e que poderá durar 10, 15, 20 ou mais anos.
O pedir contas ou o passar a esponja sobre a questão dos «direitos humanos» a um Estado que desde 1952 é membro da NATO, assume um carácter macabro sabendo-se não só que as prisões turcas continuam a abarrotar de presos políticos e que se continua a assisitr a tentativas de ilegalização de partidos políticos como o Partido Comunista da Turquia, mas que foram os serviços secretos ingleses e norte-americanos que introduziram a tortura na Turquia e formaram os seus executores, que a Alemanha e a França forneceram os tanques, os helicópteros e as armas químicas utilizadas contra o povo curdo e que ainda não há muito tempo os Governos da UE recusaram asilo político a Oçalan, enviaram-no para as masmorras de Ancara e continuam a criminalizar a resistência curda declarando-a oficialmente como terrorista.
Finalmente, aceitará a Turquia, como potência militar regional com interesses e ambições próprias, com forte influência nos países de língua turca da Ásia Central, colocar-se exclusivamente ao serviço da União Europeia? Para o super-comissário alemão Günter Verheugen a resposta é positiva ao afirmar que «a entrada da Turquia transformaria a Europa - quer esta queira ou não - num actor político mundial de primeira ordem». Mas a Alemanha, também não está segura de que a burguesia turca seja capaz de conter a revolta popular e dos trabalhadores num sistema em crise permamente, garantindo a necessária estabilidade para o capital poder operar sem sobressaltos.
Desde 1990 que sobre pressão da UE a Turquia tem vindo a privatizar vários ramos do sector empresarial do Estado, entre eles o da Energia, os quais têm sido comprados por monopólios internacionais sobretudo alemães. Enquanto nos relatórios da UE a liberalização radical dos mercados do tabaco, electricidade, telecomunicações e gaz tem sido louvada, critica-se a lentidão na privatização da indústria, do sector bancário e da agricultura. Além da abertura dos mercados para os produtos dos monopólios internacionais exige-se a entrega da infraestrutura e do mercado de capitais aos bancos estrangeiros, isto é, a capitulação económica total.
A possibilidade da adesão da Turquia à UE veio levantar ainda mais a questão de como prosseguir o alargamento da União Europeia sem pôr em causa a hegemonia política e o poder das grandes potências, continuando os restantes estados membros a desempenhar o papel de simples satélites ou de segmentos de mercado.
Pela primeira vez, europeistas da democracia-cristã como Wolfgang Schäubler atrevem-se a afirmar abertamente que «os interesses nacionais da Alemanha prevalecem sobre a União Europeia», admitindo a possibilidade da sua implosão. Peter Glotz, antigo sercretário-geral do SPD, referindo-se aos resultados da cimeira de Nice e ao chamado «projecto de constituição europeia», ainda é mais explícito ao salientar que «deu tanto trabalho encontrar uma estrutura que permita à Alemanha manter a sua capacidade de decisão (hegemonia) que não podemos aceitar que um Estado com 70 milhões de habitantes venha pôr tudo em causa». O diário FAZ (18.12.04), porta-voz dos banqueiros de Frankfurt, avisa Schröder para ter cuidado senão «arrisca-se a ficar na história como o chanceler que abandonou a ideia da unidade política da Europa». Mas Schröder, sempre solícito em adivinhar e cumprir os desejos da oligarquia financeira, não precisou de tais avisos e já confirmara antes que a abertura das negociações será apenas o início de um processo cujo objectivo não está sujeito a qualquer automatismo e que poderá durar 10, 15, 20 ou mais anos.
O pedir contas ou o passar a esponja sobre a questão dos «direitos humanos» a um Estado que desde 1952 é membro da NATO, assume um carácter macabro sabendo-se não só que as prisões turcas continuam a abarrotar de presos políticos e que se continua a assisitr a tentativas de ilegalização de partidos políticos como o Partido Comunista da Turquia, mas que foram os serviços secretos ingleses e norte-americanos que introduziram a tortura na Turquia e formaram os seus executores, que a Alemanha e a França forneceram os tanques, os helicópteros e as armas químicas utilizadas contra o povo curdo e que ainda não há muito tempo os Governos da UE recusaram asilo político a Oçalan, enviaram-no para as masmorras de Ancara e continuam a criminalizar a resistência curda declarando-a oficialmente como terrorista.
Finalmente, aceitará a Turquia, como potência militar regional com interesses e ambições próprias, com forte influência nos países de língua turca da Ásia Central, colocar-se exclusivamente ao serviço da União Europeia? Para o super-comissário alemão Günter Verheugen a resposta é positiva ao afirmar que «a entrada da Turquia transformaria a Europa - quer esta queira ou não - num actor político mundial de primeira ordem». Mas a Alemanha, também não está segura de que a burguesia turca seja capaz de conter a revolta popular e dos trabalhadores num sistema em crise permamente, garantindo a necessária estabilidade para o capital poder operar sem sobressaltos.